“As famílias vão ficar aliviadas e felizes ao saber que aqueles que planearam o sequestro dos seus filhos foram detidos. Esta é, sem dúvida, uma boa notícia”, afirma o Bispo Bulus Yohanna.
O Bispo Bulus Yohanna de Kontagora, na Nigéria, congratulou-se, na semana passada, com as notícias de que as forças de segurança nigerianas detiveram indivíduos alegadamente envolvidos no sequestro em massa ocorrido a 21 de Novembro do ano passado na Escola Católica St. Mary, em Papiri, na Diocese de Kontagora.
Na ocaisão, recorde-se, 265 alunos e membros do pessoal docente foram sequestrados num crime que chocou o país e chamou a atenção internacional para a crescente insegurança que afecta muitas comunidades nigerianas. Durante semanas, o Bispo Bulus Yohanna apelou à oração e exigiu justiça para as vítimas e as suas famílias. A detenção dos suspeitos representa um passo importante para o esclarecimento de um dos ataques mais graves sofridos por uma instituição de ensino católica nos últimos anos.
Na ocasião, o Papa Leão XIV chegou a manifestar “profundo pesar” pelo sequestro e pediu a libertação incondicional de todos.
Faço um apelo sincero para que os reféns sejam imediatamente libertados e exorto as autoridades competentes a tomarem decisões adequadas e oportunas para garantir sua libertação. Rezemos por estes nossos irmãos e irmãs e para que, sempre e em todos os lugares, as igrejas e as escolas continuem a ser locais de segurança e esperança”
Papa Leão XIV
Cerca de 60 terroristas invadiram a escola
O ataque, que foi noticiado pela Fundação AIS, foi levado a cabo por cerca de 60 terroristas armados que se faziam transportar em automóveis e motociclos. Depois de terem invadido de madrugada o edifício, entraram nos dormitórios e raptaram alunos e professores. Segundo informações então recolhidas pela AIS, um segurança ficou “gravemente ferido a tiro”, e o ataque provocou, como se imagina, um sentimento profundo de “medo e angústia” na comunidade local.
De acordo com informações agora divulgadas à imprensa pelo Departamento de Serviços de Estado (DSS) da Nigéria, cinco suspeitos foram detidos por alegadamente terem prestado apoio logístico e fornecido armas ao grupo responsável pelo sequestro. Entre os detidos encontram-se dois cidadãos estrangeiros. Durante a operação, as autoridades afirmam que apreenderam diversas armas e munições.
Em resposta ao comunicado das autoridades, D. Bulus Yohanna, da Diocese de Kontagora, disse à Fundação AIS que as detenções trazem esperança às vítimas e às suas famílias.
Durante muito tempo, tememos que a questão de levar os perpetradores à justiça tivesse sido esquecida. No entanto, estamos gratos pelo facto de o governo ter continuado a empenhar esforços para identificar e prender os responsáveis”
D. Bulus Yohanna, Bispo de Kontagora
Segundo o prelado, as detenções são um sinal encorajador de que o sofrimento suportado pelas vítimas não foi ignorado: “As famílias ficarão aliviadas e felizes por saber que aqueles que planearam o rapto dos seus filhos foram detidos. Esta é verdadeiramente uma boa notícia”.
Apelo à comunidade internacional
O bispo salientou, no entanto, que as detenções por si só não são suficientes e apelou às autoridades para garantirem que os responsáveis serão levados à justiça através de um processo legal transparente.
“Uma coisa é deter indivíduos, mas outra coisa é responsabilizá-los através de uma punição adequada. Tal acção é necessária não só para fazer justiça às vítimas e às suas famílias, mas também para servir de dissuasão a outros que possam ter intenções semelhantes”, explicou.
A Nigéria tem assistido, nos últimos anos, a uma série de raptos em massa de estudantes, clérigos e civis, particularmente nas regiões norte e centro do país. Muitas comunidades cristãs continuam a viver sob ameaça constante de ataques, raptos e violência perpetrados por gangues criminosas e grupos extremistas.
Para o Bispo, a próxima fase é crucial. Por isso, apelou às autoridades nigerianas para conduzirem todos os processos judiciais de forma correcta, garantindo que as famílias das vítimas serão informadas dos resultados.
“Os julgamentos e as sentenças devem ser conduzidos de forma pública e transparente. O resultado e as penas impostas devem ser comunicados de forma clara, para que as famílias possam encontrar algum alívio, sabendo que, apesar do trauma e do sofrimento que suportaram, algo de positivo resultou da sua longa luta pela justiça”, afirma. O bispo apelou também à comunidade internacional para que não perca o interesse neste caso.
Esperamos que a comunidade internacional, incluindo organizações como a Fundação AIS, continue a defender a responsabilização e a insistir para que os responsáveis sejam devidamente punidos”
D. Bulus Yohanna, Bispo de Kontagora
A Fundação AIS continua a apoiar a Igreja na Nigéria através de assistência pastoral, humanitária e espiritual, enquanto dá voz às comunidades locais e chama a atenção da comunidade internacional para os graves desafios enfrentados pelos cristãos afetados pela violência e pela insegurança.
Maria Lozano e Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







