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CREIO EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR

 

1. O ano da fé representa, no pensamento de Bento XVI, um momento providencial para recuperar a alegria de acreditar, neste tempo marcado por profundas mudanças e por uma epocal crise de fé, tanto no sentido de um abalar histórico dos seus fundamentos, que é o seu aspecto mais negativo, como também, e por isso mesmo, como um desafio para o discernimento, para redescobrir as razões profundas da esperança. Há quem fale num tempo de inverno, evocando um certo arrefecimento do entusiasmo das origens. Mas não devemos esquecer que este tempo que vivemos é também regado pelo sangue dos mártires, como foi o século XX e como é este século XXI, de um martírio cruento em tantas regiões do mundo onde os cristãos são perseguidos pelo simples facto de serem cristãos, como de um martírio incruento, feito da fidelidade heróica de todos os dias, por aqueles cristãos que resistem à mentalidade dominante que reduz o homem e a sociedade a uma grandeza de mercados; que não se conformam com a mentalidade que pretende reduzir o homem a uma máquina, a vida a um cálculo de lucros ou de perdas; que não desistem de acreditar na dignidade do homem, porque criatura de Deus, porque chamado a participar na dignidade de filho. 
 
2. Este é o primeiro da série dos artigos consagrados a Jesus Cristo, e que no seu conjunto representam a metade dos artigos do Credo: 6/12. Daqui se vê a centralidade do mistério de Cristo na profissão de fé da Igreja. Jesus Cristo está no centro, Ele é o mediador entre Deus e o homem, porque ninguém vai ao Pai senão por Ele. Neste artigo começa o comentário do primeiro, pois diz-nos agora,  porque é que Deus é Pai: porque tem um Filho, um Filho único, e este é Jesus Cristo. A proclamação da paternidade divina não se refere de um modo abstracto ao princípio de autoridade nem ao poder criador e de origem de todas as coisas (embora isso seja evidente), mas à relação Deus Pai com Jesus Cristo. É uma relação pessoal, histórica e concreta.
 
Este artigo enuncia os nomes de Jesus Cristo: Jesus, o suave nome que evoca a salvação que Deus traz ao homem; Cristo, o título que se torna nome próprio, que evoca o Messias, o ungido de Deus, títulos que se aplicavam no Antigo Testamento especialmente aos reis (em parte também aos sacerdotes e menos profetas) e que traduzia a esperança de Israel aquele que, possuído pelo Espírito de Deus, libertaria o povo de todos os seus pecados; Filho único, o nome que aparece nas teofanias do baptismo e da transfiguração, e proclamado na cruz, pela boca do centurião, e que se encontra na boca de Jesus, na invocação Abba e na oração sacerdotal (Jo 17); Senhor, o título de glória que a Igreja proclama referindo-se ao ressuscitado, vencedor do pecado e da morte: meu Senhor e meu Deus (Jo 20).
 
3. Este artigo do Credo, proclamado todos os domingos na Missa e em alguns momentos solenes da existência cristã, como a profissão de fé no percurso da formação catequética, contém em si a urgência de cada cristão pensar seriamente no que diz, quando proclama que Jesus Cristo é o Senhor. Na linguagem corrente dos cristãos, dizemos simplesmente Nosso Senhor, precisamente porque Ele venceu a morte e só quem vence a morte é verdadeiramente Senhor.
 
Será que os cristãos têm mesmo consciência disso ou não se deixam levar na prática por outros senhores aos quais prestam culto e adoram, como hoje, infelizmente, se tem banalizado na linguagem há poucos anos impensável entre cristãos. Faz-me muita impressão e de certo modo mês escandaliza ouvir pessoas, que frequentam habitualmente a Igreja, que celebram os sacramentos, dizerem que adoram isto ou aquilo, coisas de comer ou de lazer! A profissão do credo neste ano da fé exige dos cristãos também neste sentido uma purificação da linguagem. Porque adorar só Deus, e Jesus Cristo é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que deu a vida na Cruz por todos nós e ressuscitou para a nossa salvação. Importa pensar, meditar sobre isto, guardar estas palavras no coração, como fazia Nossa Senhora: «A sua mãe guardava fielmente todas estas coisas no seu coração» (Lc 2,51).

 
 

 

P. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Eclesiástico da Fundação AIS

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01-06-2013

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