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INTENÇÃO NACIONAL

 

 

Neste centenário das Aparições, sejam os Cristãos como os Pastorinhos, disponíveis para se oferecerem a Deus para que o Seu Amor reine em todos os corações.


 

A distinção ontológica

 


No Evangelho há uma interrogação que Jesus deixa no ar e que até hoje ainda ninguém soube responder: «Mas, quando o Filho do homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18,8). Podemos pensar num clima generalizado de apostasia, de perda de fé em Deus e de retorno tanto ao ateísmo mais indiferente ou persecutório, como ao paganismo politeísta mais absurdo e irracional. Temos actualmente sinais destas duas possibilidades.  

No que diz respeito ao politeísmo idólatra ele talvez não assuma hoje, pelo menos no ocidente ilustrado, a forma da «adoração dos animais» no sentido em que se praticava no antigo Egipto do tempo dos Faraós. Mas a «adoração» pode assumir outras formas e rituais, como a recente proposta do BE que foi, salvo erro, aprovada no Parlamento, sobre o estatuto legal dos animais de estimação, em tudo comparáveis ao que se passa com as pessoas. Fala-se da «inteligência dos animais» e receitam-se suplementos alimentares para avivar a memória humana para que alcance os níveis da «memória dos elefantes».

Na Faculdade lancei há dias esta questão: será mesmo que os elefantes têm «memória»? Será mesmo que os animais, ou pelo menos alguns deles, são «inteligentes»? O que se entende por «memória»?; e o que se entende por «inteligência»? E o debate, tal como os antigos diálogos socráticos, ficou inconclusivo!...

E que dizer da «família»? Fala-se da família «tradicional» para a contrapor a outras noções mais modernas, actuais e alternativas. O Partido PAN (pessoas, animais, natureza) propõe que a noção de «animal» seja entendida de um modo «transversal», que se pode aplicar, como denominador comum, às três grandezas enunciadas, portanto, quase do mesmo modo, às pessoas, aos animais e à natureza. Mas agora ainda se vai mais longe: em cartazes que se podem ler em Lisboa, aconselha-se a «alargar a sua família» adoptando um animal de estimação. Alargar a família? Como assim?

A família tradicional não é uma grandeza que tem origem em tradições que podem ser superadas por outras mais modernas. Pela sua importância, a noção é alargada para a família humana, para traduzir os laços profundos que ligam todos os homens entre si. Ora isto não pode ser superado, pois tem a ver com a nossa origem, foi nela que nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e é nela que desejamos terminar tranquilamente no Senhor os nossos dias. Tanto o passado como o futuro da humanidade e de cada um de nós depende da solidez da família. Não há para ela alterativa que respeite a dignidade do homem, na sua diferenciação de homem e de mulher.

Por mais estima que eu tenha pelos animais – e tenho-a, de facto – eles não pertencem ao agregado familiar. São criaturas que Deus colocou ao serviço do homem, como podemos ler nos relatos da criação e que S. Paulo sintetiza deste modo: «tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus!» (1Cor 3,22-23). Para um cristão, nada há que se compare à dignidade do homem, criado à imagem e semelhança de Deus, e pelo qual Jesus Cristo derramou o Seu sangue na cruz. Quanto eu vejo um animal, como cristão eu penso: Deus passou por aqui! Mas quando vejo o homem, eu penso como o salmista: «que é o homem para Vos lembrardes dele, o Filho do homem para dele cuidardes? E, contudo, pouco lhe falta para que seja um ser divino, de glória e de honra o coroastes” (Sl 8, 5-6).

Quando o Papa Francisco compôs a Lodato si, não estava a pensar simplesmente na criação como mundo ambiente, mas sim na ecologia humana integral, pois o que está em causa é a dignidade do homem que é preciso a todo o custo preservar, salvar (cf. Lodato si, 137-162). Por isso não podemos concordar nem aceitar que nos estejam a impor uma noção alternativa de família. A família é o que é desde sempre. Também não podemos aceitar que a linguagem se degrade até ao ponto de levar a perder-se a distinção ontológica que separa o homem e que o eleva acima de toda a criação.

 

 
 

Pe. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Espiritual da Fundação AIS

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08-06-2017

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