Orar // Sementes de Esperança // Reflexão: INDIA

 

A ESPIRAL DE VIOLÊNCIA

 

 

A canonização da Irmã Alfonsa, primeira santa católica da Índia, no dia seguinte ao da vaga sem precedentes de violências anti-cristãs que sacudiu toda a Índia, desde o dia 24 de Agosto de 2008, é um sinal de esperança, no meio da tribulação, para todas as comunidades cristãs deste país. Mas as dezenas de mártires, os milhares de deslocados e as grandes destruições tão cedo não serão esquecidas.

 

Índia de contrastes! No final de Outubro de 2008, descolou, do centro espacial Satish Dhawan de Shrirakota, Chandrayaan-1, o primeiro satélite indiano com destino à lua. Símbolo do orgulho do país deveria permanecer dois anos em órbita à volta da Lua, em missão científica e política. Mas, no mesmo dia, Parag Tanna e Jatanta Saha, dois dos jovens empresários que eram o orgulho da economia indiana enforcaram-se, depois de outros, na sequência do colapso dos mercados bolsistas que não poupou a Índia. Outra jóia da economia indiana, o Tata Nano, o mais barato dos automóveis que se preparava para invadir o mundo foi aprese tado à imprensa mundial com o apoio duma enorme publicidade. Infelizmente, a fábrica onde deveria ser construído, em Singur, em Bengala, não entrará em funcionamento porque os camponeses, despojados das suas terras em proveito desta, após meses de luta, obtiveram a anulação da autorização de construção. Índia da violência! No dia 30 de Setembro de 2008, um motim causa a morte de 147 peregrinos hindus e fere gravemente mais de 300 no templo de Chamunda Devi, em Jodhpur, no Rajastão, na altura da festa de Navatra. No mês anterior, 146 pessoas tinham morrido em condições semelhantes, num santuário hindu de Himachal Pradesh. Juntam-se a estas catástrofes involuntárias as acções dos terroristas, cada vez mais mortíferas: oitenta vítimas em Jaipur, em Maio, cinquenta em Ahmedabad em Julho, mais de trinta em Nova Deli, em meados de Setembro. Os massacres foram eivindicados pelos moujahidins indianos, seguidores da Al-Qaeda. Em Caxemira, o recolher obrigatório está em vigor desde 24 de Agosto no vale de Srinagar, mas a pressão armada dos independentistas é forte. A isto acresce o reavivar da violência anti-cristã que, a partir de Orissa se propagou a outras regiões da União Indiana (ver abaixo).

 

Para que as várias religiões da Índia possam conviver pacificamente, nós te pedimos Senhor.

 

 

O HORROR ATINGE OS CRISTÃOS DE ORISSA

 

Com os seus trinta e seis milhões de habitantes, Orissa, uma cidade a Sudeste de Calcutá, é o décimo estado da Índia. As tensões entre as comunidades são alimentadas pelo BJP que participa na coligação no poder. Ninguém poderia prever a escalada de ódio assassino que, repentinamente, se desencadeou a 24 de Agosto contra os cristãos do distrito de Kandhmal, na sequência do assassinato, falsamente imputado aos cristãos, do líder extremista hindu Swami Laxananda. Em poucas horas e durante vários dias, os assassínios, as violações colectivas, a pilhagem de aldeias, a destruição de casas (4.000) e de igrejas (mais de 150) sucederam-se, ininterruptamente, na maior parte das aldeias deste distrito rural e continuaram durante uma boa parte do mês de Setembro. Mais de 50.000 camponeses cristãos tiveram de fugir para as florestas para salvar a sua vida e apenas 14.000 puderam ser recolhidos nos campos montados à pressa. Contam-se trinta e sete mortos e centenas de feridos. Os relatórios enviados para a AIS pelas autoriades católicas são cada um mais doloroso que o anterior: mulher queimada viva em Bargarh; mosteiro das irmãs da Madre Teresa atacado em Sranasada dois meses depois de ter sido reconstruído; religiosa católica do centro social de Cuttack Bhabaneswar violada por um grupo de extremistas, depois da destruição do centro. O P. Joseph Babu, secretário da conferência dos Bispos da Índia revelara que, em certos sectores, os cristãos que não puderam fugir a tempo foram convertidos à força e depois utilizados como escudos humanos nos ataques contra as outras aldeias cristãs ou obrigados, sob pena de morte, a queimar as suas igrejas.

 

Para que cesse a onda de violência no estado de Orissa e para que os cristãos possam voltar a professar livremente a sua fé, reconstruindo as suas igrejas, capelas e conventos, nós te pedimos Senhor.

 

A VIOLÊNCIA ESPALHA-SE

 

A vaga de violência que se abateu sobre os cristãos de Orissa atingiu outros Estados, a começar pelos vizinhos Madhya Pradesh e do Chhattisgarh. A catedral de Jabalpur foi pilhada e incendiada a 19 de Setembro, logo após o ataque do Carmelo de Banduha. Estendeu-se também a regiões por vezes afastadas da costa Leste e, em particular, ao Karnakata que desde Maio de 2008 esteve sob a alçada do BJP. Só neste Estado mais de vinte e cinco igrejas foram atacadas e destruídas e vinte no Tamil Nadu. Até o Kerala, conhecido pelo seu convívio entre confissões religiosas, foi atingido. A catedral dos cristãos siríacos datada de 825 e uma igreja datada do séc. XVII foram atacadas nas redondezas de Kochi. No total o balanço da violência, após dois meses, eleva-se a mais de 500 cristãos assassinados e a centenas de feridos.

 

A RESPOSTA CRISTÃ

 

Para o P. Babu, estes ataques contra os cristãos da Índia são o pior ataque anti-cristão dos últimos anos. Além disso, a zona está interdita aos estrangeiros e a reconstrução será longa e dispendiosa. Estas violências anti-cristãs foram condenadas pelo Vaticano desde 26 de Agosto e, novamente, a 12 de Outubro por Bento XVI, na Praça de S. Pedro, na altura da canonização da primeira santa indiana católica: «Nestes tempos difíceis, asseguro aos cristãos da Índia as minhas orações. Peço aos que cometem actos de violência que renunciem a estes actos e se unam aos seus irmãos e irmãs, a fim de trabalharem em conjunto por uma civilização de amor» declarou o Papa. As autoridades católicas também procuram desactivar a espiral de violência. No Karnakata, D. Bernard Moras, Arcebispo do Bengalore, diz-se pronto a falar e a colaborar com o presidente do BJP para reencaminhar as energias deste partido no caminho do desenvolvimento e do bem comum em vez de serem utilizadas contra os cristãos. Por sua vez, e após o dia 28 d  Agosto, a Irmã Nirmala, sucessora da Bem-Aventurada Madre Teresa na direcção das Missionárias da Caridade, dirigiu às populações de Orissa e de toda a Índia uma mensagem na qual relembra que «não é preciso utilizar a religião para criar divisões e que a violência em nome da religião é um abuso da própria religião». A Irmã Nirmala acrescentou: «Em nome do nosso país e da nossa nobre herança, em nome dos pobres, das crianças e de todos os nossos irmãos e irmãs vítimas desta violência insensata e destruidora, rezemos e abramo-nos à luz e ao amor de Deus; deponhamos as armas do ódio e da violência e revistamo-nos da armadura do amor; perdoemo-nos uns aos outros pelo mal que nos fizemos… Peçamos à Madre Teresa que rezemos para nos tornarmos instrumentos de Deus e da Sua paz, construtores da civilização do amor».

 

Para que todos os indianos se unam, a fim de trabalharem em conjunto por uma civilização de amor, nós te pedimos Senhor.

 

MAIS DE 500 CRISTÃOS MORTOS EM ORISSA

 

AO número de vítimas da vaga de violência anti-cristã que assolou o Estado indiano de Orissa aumentou para 500, afirma um representante do Governo local que declara ter dado autorização para incinerar 200  orpos. Segundo o Governo, as vítimas oficiais das violências andariam à volta de trinta. Nos dias 15 e 16 de Outubro, o Cpi-Ml (partido comunista da Índia marxistaleninista) deslocou-se às aldeias destruídas e aos campos de refugiados para se encontrar com magistrados e polícias, e interrogá-los. «Para além das afirmações respeitantes ao número real de mortos, o relatório afirma que também há uma diferença entre o que diz o Governo e o que realmente se passa nos campos de refugiados», relata a agência do Instituto Pontifício das missões estrangeiras (PIME). Na verdade, de acordo com o Governo, os quinze campos de refugiados (que acolhem 12.641 pessoas), teriam alimentos em abundância, médicos, medicamentos e escolas para as crianças. Ora, ao visitar certos campos, o grupo constatou que os alimentos são insuficientes, que não têm medicamentos e que as mulheres grávidas não têm nenhuma assistência. Nas palavras dos cristãos que aí vivem, estes são intimidados e «receiam pela sua vida se tentarem voltar às suas  ldeias». «Os grupos fundamentalistas querem expulsar as forças da polícia mandatadas pelo Governo central e organizam-se em grupos armados, ameaçando todos os que não se convertam ao Hinduísmo, lembra a Ásia News. Por sua vez, os responsáveis dos campos de refugiados incitam os refugiados a regressar às suas aldeias, assegurando-lhes que a vida ali retomou o seu curso normal». No seu relatório, o Cpi-Ml afirma que este programa contra os cristãos foi desde há muito tempo organizado pelo Visuhwa Hindu Parishad e o Bajrang Dal, razão pela qual pede ao Governo central que os prenda e os considere fora da lei.

 

Para que livres do medo, ódio e desejos de vingança, os cristãos da Índia possam ser o sal da terra e a luz do mundo,nós te pedimos Senhor.

 

 

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PEREGRINAÇÃO NACIONAL A FÁTIMA


19-09-2010

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