Orar // Sementes de Esperança // Reflexão: A IGREJA NA PRIMAVERA ÁRABE

A CAMINHO DO FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO?

 

 

 Superfície

1.904.569 Km2

 População

240 milhões de habitantes  

 Religiões

Muçulmanos: 79%
Cristãos: 11,8%
Animistas 2,6%
Outros 6,6%

 

Cristãos: 29.085.930
Católicos: 6.881.000

 Língua oficial

Indonésio 

(742 línguas e dialectos diferentes)

 

 

Favorável à liberdade religiosa, a Indonésia confronta-se hoje com ataques terroristas que põem em causa o equilíbrio existente entre muçulmanos e cristãos. Há violência denunciada pelas autoridades religiosas num clima de inquietação económica e política.

 

 

 

A tensão sobe. Desde o ano 2000 que a Indonésia sofre atentados terroristas muçulmanos que fizeram dezenas de mortos (o atentado à bolsa de Jacarta no ano 2000, o atentado em Bali em 2002, etc.). As eleições presidenciais de 2004 pareceram apaziguar o país.

 

Mas, desde 2009, a violência, nomeadamente contra os cristãos, aumentou sensivelmente.

 

Um relatório revela que 216 casos de violação da liberdade religiosa foram registados em 2010 e, na sua maioria, tiveram como alvo os cristãos. Um aumento de quase 10% em relação a 2009. Neste país com 17.000 ilhas, as numerosas etnias e religiões tinham encontrado um modo equilibrado de convivência, desde 1949, com um sentimento nacional e real e uma Constituição que reconhecia, oficialmente, as seis religiões dominantes no país: o Islão, o Protestantismo, a Igreja Católica Romana, o Hinduísmo, o Budismo e o Confucionismo. Se bem que a grande maioria dos indonésios seja muçulmana, as Igrejas Católica e Protestantes tinham e, ainda têm, boas relações com as autoridades muçulmanas. Todavia, nestes últimos anos, o marasmo económico e a debilidade governamental abriram espaço às correntes fundamentalistas muçulmanas que, com inquietação, os cristãos vêem crescer com toda a impunidade.

 

 

AUMENTO DA VIOLÊNCIA FUNDAMENTALISTA

 

Em Fevereiro de 2011, uma avalanche de violência muçulmana sacudiu a Indonésia: ataques contra os Ahmadis, muçulmanos supostamente heréticos, e, dois dias mais tarde, na região de Java-Centro, três igrejas profanadas e dois cristãos alvo da violência duma multidão em fúria, depois da condenação, considerada “leve”, dum cristão acusado de proselitismo e de blasfémia…

 

Os meses seguintes trazem cada vez mais provas da vontade de certos muçulmanos implicarem com os cristãos e com os muçulmanos muito moderados: pacotes armadilhados, pressões sobre as autoridades locais para encerrarem os locais de culto cristãos (mais de 50 edifícios encerrados desde 2010), celebração do “martírio” de Oussama Ben Laden e apelo à jihad contra “os infiéis que mataram um grande defensor do Islão”, perturbação das reuniões cristãs e desejo de os amedrontar, etc.

 

As autoridades cristãs e muçulmanas condenam estes factos e denunciam a passividade do Governo face a estas “acções contrárias à constituição indonésia”.

 

Em Setembro, a violência sobe de tom. Aquando do funeral dum taxista muçulmano, em Ambon, corre o boato que fora atacado e morto por cristãos. É a faísca que faz rebentar a pólvora na capital das Molucas, fazendo três mortos e sessenta feridos entre os cristãos. Depois deste acontecimento a polícia anti-motim acalmou a cólera da comunidade muçulmana e os responsáveis religiosos fazem o possível por acalmar os ânimos. Há comunicados de paz espalhados pelas igrejas, mesquitas e escolas de Ambon, mas os integristas islâmicos declaram-se prontos a enviar milícias para as Molucas exortando os muçulmanos de Ambon a “despertar” e prometendo-lhes todo o apoio necessário tal como “novos soldados para a jihad”… A situação está estabilizada e o Núncio Apostólico, D. Filippazzi, que esteve presente de 15 a 18 de Outubro para os 100 anos da evangelização das Molucas, afirma que a sua visita decorreu “no meio da alegria da população cristã e muçulmana”.

 

Os habitantes de Ambon querem a paz inter-religiosa, mas será que não mudam de opinião se os extremistas exacerbarem a tensão? D. Leteng, bispo de Ruteng, está de sobreaviso em relação a uma evolução recente que observou em várias ilhas: o aparecimento de “fanáticos religiosos” vindos de outras ilhas, tais como Java, que incitam os muçulmanos locais a uma maior agressividade. A acrescentar a isto há o proselitismo de alguns protestantes fundamentalistas que suscita a cólera dos muçulmanos. Nesta região Java-Centro, província onde as diversas comunidades religiosas vivem em boa harmonia, um atentado suicida fez dois mortos numa comunidade protestante de Solo, no passado dia 25 de Setembro. Este novo ataque anti-cristão chocou as pessoas e a opinião pública parece estar cansada das promessas do Governo que não se concretizam. Os comentários na Internet e nos media não param. Põe-se uma questão: “Quem pode ter interesse em reavivar hoje as tensões inter-comunitárias?”

 

 

ORAÇÃO
Para que os muçulmanos indonésios não se deixem influenciar pelo fanatismo que tem como objectivo instaurar um reinado de ódio e violência, Senhor nós Te pedimos.

 


PRESERVAR A PAZ A TODO O CUSTO

 

Hoje em dia, a polícia garante a segurança de todos os lugares de culto cristãos da Indonésia. A palavra de ordem para os fiéis é: “Não ceder às provocações.” “Devemos estar atentos aos que espalham o ódio e trabalham para a destruição da nossa fraternidade”, lembrava o Rev. Ruhulessin, chefe do sínodo da Igreja Protestante das Molucas.

 

O P. Magnis-Suseno, jesuíta naturalizado indonésio desde 1977, tem esperança: “A Indonésia atravessou fases de euforia e, por vezes, de tragédias incríveis. Mas sempre superou tudo. Os cristãos, especialmente os católicos, nunca tiveram tão boas relações pessoais como hoje com os chefes muçulmanos mais importantes. A reconciliação tem uma dimensão histórica na Indonésia e, deste ponto de vista, as Igrejas deram e darão ainda durante muito tempo uma contribuição especial.”

 

Uma delegação da influente “Associação dos estudantes muçulmanos da Indonésia” (mais de um milhão de membros) foi a Roma, no princípio de Setembro, para convidar o Papa Bento XVI a visitar a Indonésia em 2012. O Papa convidou os bispos indonésios, em visita ad limina a Roma, no princípio de Outubro, a continuar o seu trabalho de paz para “ultrapassar a incompreensão e a desconfiança”. A paz é verdadeiramente desejada pela população e pelos responsáveis religiosos e, de momento, as provocações extremistas estão controladas, apesar das vítimas e dos estragos materiais. Mas, com a debilidade do poder político, se a pobreza aumentar os fundamentalistas muçulmanos terão bons motivos para manipular a população faminta e pôr o país a ferro e fogo…

 

 

ORAÇÃO

Para que os cristãos recordem as palavras e promessas de Cristo e as inscrevam no coração, Senhor nós Te pedimos.

 

 

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Homenagem a P. Werenfried


17-01-2012

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