RÚSSIA: “Acções conjuntas dos cristãos, para estar à altura dos desafios”
“Nós, os cristãos, estamos todos no mesmo barco. Nos tempos de perseguição aos cristãos o que importa é ser solidário.” Com estas palavras, Peter Humeniuk, especialista da AIS sobre a Rússia, comentou a conferência sobre “Liberdade religiosa: o problema da discriminação e perseguição dos cristãos” que se realizou em Moscovo, no início do passado mês de Dezembro. O anfitrião da conferência, que contava com o apoio económico da AIS, foi o Patriarca de Moscovo.
Neste evento, que despertou muitas atenções nos meios russos, participaram altos representantes das Igrejas ortodoxas, católica e orientais; da parte católica esteve o Núncio Apostólico na Federação Russa, Ivan Jurkovic, o Arcebispo Erwin Josef Ender, do Vaticano, e o Arcebispo da Diocese da Mãe de Deus em Moscovo, Paolo Pezzi.
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Participaram também o Grande Mufti da Rússia, Farid Salman e o presidente da Conferência Europeia de Rabinos, Pinchas Goldschmidt.
Este evento, de dois dias, terminou com um discurso do Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kiril.
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“Nós, cristãos das várias confissões, estamos unidos no bom e no mau. Actualmente, os cristãos são o grupo religioso mais perseguido do mundo”, comentou Humeniuk. É preciso encontrar meios para “documentar a verdade sobre a perseguição que os nossos irmãos na fé sofrem em muitos países do mundo”. Os cristãos hão-de fazer-se ouvir a nível político internacionalmente e encontrar ferramentas comuns para fazer frente à injustiça e para a superar. Por isso, as iniciativas conjuntas das Igrejas Ortodoxa e Católica são “a resposta para estar a altura dos desafios, devido à actual situação dramática.”
O especialista sobre a Rússia recordou neste contexto a comparência do Cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, e o presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscovo, o Metropolita Hilarion (Alfeyev) de Volokolamsk no Congresso “Ponto de encontro: Igreja Universal”, que foi organizado pela AIS em Würzburg em Março de 2011, qualificando-o de “encontro histórico”. Disse então o Metropolita Hilarion: “Ortodoxos e católicos não devem considerar-se rivais hoje em dia, mas aliados na protecção dos direitos dos cristãos. O futuro depende dos nossos esforços conjuntos”. “Um passo importante nestes esforços conjuntos é a conferência de Moscovo. Tendo em conta os graves problemas dos tempos actuais, são possíveis e necessárias outras iniciativas. Outro desafio que as nossas Igrejas enfrentam é, por exemplo, a crise económica”, afirmou Humeniuk.
Uma parte central da conferência foi dedicada à situação dos cristãos no Próximo Oriente. O Padre Dr. Andrzej Halemba, especialista da AIS para o Próximo Oriente, que também participou na conferência de Moscovo, referiu-se durante a sua intervenção à necessidade de ajudar os cristãos nos países do Próximo Oriente: é importante ajudá-los a perseverarem nos seus países, também nas situações mais difíceis. Para isso é necessário fomentar a formação da juventude. “Os cristãos não devem estar pior formados que resto da sociedade, mas devem gozar de uma melhor educação”, reivindicou. As escolas dirigidas pela Igreja, que também estão abertas aos estudantes muçulmanos, fomentam além disso a compreensão dos valores cristãos por parte dos muçulmanos. Além disso, é urgente garantir a atenção pastoral dos cristãos que emigraram do oriente e que encontraram uma nova pátria na América, Europa ou Austrália. É também prioritário fomentar o diálogo islâmico-cristão e permitir que os representantes das Igrejas Cristãs possam manter este diálogo sobre uma base sólida, afirmou Halemba. “A AIS” considera-se “desde sempre, a voz daqueles que não têm voz na opinião pública”.