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9-3-2010

Vaticano pede apoio para cristãos da Terra Santa


O prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, solicitou o apoio de toda a Igreja Católica para os fiéis da Terra Santa. Em carta dirigida aos Bispos de todo o mundo, divulgada nesta Segunda-feira, o Cardeal argentina apela à generosidade concreta para com estas populações.


Há séculos que os católicos de todo o mundo são convidados na Sexta-feira Santa a ajudar as comunidades da terra natal de Jesus, contribuindo materialmente para o seu sustento. Por disposição explícita dos Papas, a Igreja dedica este dia à oração e à "colecta" para a comunidade católica que vive na Terra Santa e para a manutenção dos Lugares Santos.


O primeiro núcleo da assim chamada "Colecta em favor da Terra Santa" remonta ao Papa Martinho V, que estipulou em 1421 as normas sobre a arrecadação das ofertas para tal fim. Esta Colecta sempre teve carácter pontifício; e foi confirmada por Paulo V, no Breve "Cœlestis Regis", de 22 de Janeiro de 1618, e Bento XIV com o Breve Apostólico "In supremo militantis Ecclesiæ", de 7 de Janeiro de 1746. O último documento pontifício dedicado exclusivamente à Terra Santa e à "colecta" foi a Exortação Apostólica de Paulo VI "Nobis in animo", de 25 de Março de 1974.


Na mensagem deste ano, o Cardeal Sandri fala do problema da crescente emigração de cristãos, lemrbrando a visita de Bento XVI à região, em Maio de 2009. "Sublinhando fortemente o problema incessante da emigração, Sua Santidade recordou que «na Terra Santa há lugar para todos!». Exortou as autoridades a favorecer a presença cristã, mas ao mesmo tempo assegurou aos cristãos daquela Terra a solidariedade da Igreja", referiu.


"Os cristãos do Oriente têm, com efeito, uma responsabilidade que é da Igreja universal, a de custodiar as «origens cristãs», os lugares e as pessoas que deles são sinais, para que estas origens sejam sempre a referência da missão cristã, a medida do futuro eclesial e de sua segurança. Portanto, merecem o apoio de toda a Igreja", acrescenta o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.


A Congregação publica ainda um documento informativo, que ilustra as obras realizadas pela Custodia da Terra Santa com a Colecta de 2009.

Uma breve consulta ao Observatório da Liberdade Religiosa no Mundo - mantido pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) - oferece uma ideia da gravidade da situação enfrentada pelos cristãos na Terra Santa.


A plataforma online disseca, através de exemplos, números e análises, o contexto em Israel e na Palestina.


"Em relação ao culto, os cristãos também são vítimas de discriminação e de incómodos. Os domingos não são dias de descanso em Israel e um estudante cristão pode mesmo ver-se obrigado a fazer um exame no Domingo de Páscoa. Os extremistas judeus atacam também por vezes os Cristãos. No início de Março de 2006, três israelitas, um homem e uma mulher e a sua filha, usando um carrinho de bebé no qual tinham escondido pequenas latas de gás, lançaram fogos de artifício para dentro da Basílica da Anunciação, em Nazaré, durante uma cerimónia religiosa (La Croix, 6 de Março de 2006). Também os vistos para os padres e as religiosas que vêm do mundo árabe nem sempre são aprovados e as autoridades são livres de tomar as suas próprias decisões sobre esta questão", reporta o Observatório.


Na Palestina, "nos últimos anos, o dia a dia dos Cristãos deteriorou-se devido ao aumento da pressão e da intimidação por parte dos Muçulmanos. De acordo com Afaf Abou Habil, um professor da escola primária em Nablus (Margem Ocidental), 'desde a primeira Intifada (1987), o preconceito contra os Cristãos aumentou. Nós somos acusados de não participar suficientemente na batalha e de cooperar com os americanos e israelitas. Eles dizem que nós somos estrangeiros. Os que espalham estas ideias são ignorantes; o problema é que são cada vez mais' (La Croix, 18 de Maio de 2006)".


De acordo com a ferramenta disponibilizada pela Fundação AIS, "os Cristãos da Terra Santa encontram-se divididos em três 'famílias' e treze confissões religiosas. O grupo 'Ortodoxo' (no sentido da sua separação de Roma) é o mais numeroso e inclui os Ortodoxos Gregos (população árabe, hierarquia grega), os Arménios, os Siríacos, os Coptas, os Etíopes e os Russos. O grupo Católico inclui os Latinos, os Greco-melkitas (trata-se dos árabes do rito bizantino), os Siríacos, os Armênios e os Maronitas. Por último, os Protestantes nesta região incluem os Anglicanos e os Luteranos, sob uma diocese comum. Também existem os cristãos de origem judaica que surgiram em cena mais recentemente".


Departamento de Informação da Fundação AIS/Canção Nova - info@fundacao-ais.pt









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