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20-7-2010

Novos começos e dissonâncias numa Rússia pós-comunista


A Federação Russa constitui o maior Estado à superfície da Terra e é um dos países mais povoados do mundo. Desde o fim da União Soviética sofreu enormes alterações políticas, económicas e sociais. Na época comunista, as igrejas cristãs eram perseguidas, mas agora são oficialmente reconhecidas e livres para terem a sua pastoral.


À opressão brutal - milhares de fiéis foram martirizados - seguiu-se a reabilitação, mas a ideologia perversa deixou vestígios. Andrey Eliseev, padre ortodoxo nascido em 1979, fala a respeito das mudanças na sua pátria: "Nasci noutro país". E Vadim Shaykevich, padre católico nascido em 1972, acrescenta: "É um facto que as igrejas são reconhecidas como uma realidade nova mas, mesmo assim, são confrontadas com grandes desafios".


Aquando duma visita da organização católica internacional Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), em Maio de 2010, os dois eclesiásticos falavam de novos começos e das dissonâncias na sua pátria.


Andrey Eliseev e Vadim Shaykevich são moscovitas de nascença. Shaykevich foi ordenado padre em 1997 e tem actualmente a cargo as almas de Kaliningrad. A paróquia católica, neste enclave russo, cresce e a maioria dos fiéis tem raízes polacas ou lituanas. Eliseev dirige, desde 2004, a paróquia ortodoxa na cidade belga de Anvers tendo sido ordenado três anos antes.


Na Rússia, a Igreja Ortodoxa, que repousa sobre uma tradição mais que milenar, é socialmente aceite. É reconhecida "como uma realidade nova" pelo mundo político que a trata favoravelmente. Discute-se, actualmente, a maneira de introduzir na escola o ensino religioso como disciplina curricular. "Metade do país converteu-se. Milhões de pessoas retornaram à fé. As pessoas assumem de novo as suas raízes cristãs", afirma Andrey Eliseev.


Durante a época soviética só havia 3 mosteiros e agora há 400. Os fiéis têm acesso a 30.000 igrejas em vez de 3000. A isto acrescentam-se 2 academias de teologia, 30 seminários e 27 "escolas espirituais" que preparam igualmente os homens jovens para o sacerdócio. O país tem necessidade de responsáveis pastorais e de professores de religião.


Vadim Shaykevich considera que, actualmente, as relações entre as diversas confissões cristãs - em particular entre a igreja ortodoxa e católica - são boas, mesmo que haja entre elas tensões e mal entendidos. Houve sempre divergências e recriminações devido, muitas vezes, a motivações políticas. "Hoje esperamos a unidade das Igrejas". O seu confrade ortodoxo confirma este desejo. Andry Eliseev considera que as razões da separação se encontram, sobretudo, ao nível da diferença de mentalidades.


Fundação Ajuda à Igreja que Sofre


 






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