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8-8-2010

QUERO SER PADRE!


 

 

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Estêvão (na foto) tinha apenas dezasseis anos quando os rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (LRA) assaltaram o seminário menor da arquidiocese de Gulu, no norte de Uganda. Os rebeldes sequestraram-no a ele e a mais quarenta seminaristas e levaram-nos para a floresta para os tornarem soldados. Até ao dia de hoje, não se sabe o que aconteceu a doze deles. O Estêvão teve sorte e conseguiu fugir do inferno poucas semanas depois. Agora, prepara-se no seminário maior de Alokolum para a sua ordenação como sacerdote. Recentemente, quando uma equipa da AIS esteve no país, contou-nos a sua história.  

 

Com tenra idade, o jovem já viveu mais do que poderíamos imaginar. Durante dois meses, os assassinatos, as violações e as torturas fizeram parte da sua vida quotidiana. Os rebeldes quiseram ensiná-lo a matar, ainda mais por ser seminarista mas, no meio da desgraça, teve sorte e fugiu antes de ser obrigado a matar. Porém, o seu olhar reflecte o pesar e o horror indescritível.

 

QUERO SER PADRE! 

Apesar de tudo, a sua fé em Deus não ficou abalada, muito pelo contrário. Estêvão sorri cada vez que fala da sua vocação que saiu fortalecida à custa desta triste experiência. Conta-nos que a sua fé cresceu assim como a certeza da graça recebida. «Vi coisas que jamais imaginaria ser obrigado a ver algum dia. Uma pessoa é incapaz de livrar-se disto tudo mas Deus opera milagres. Eu só rezava e a oração era a minha única esperança e tudo o que tinha. Haverá pessoas que não tenham experimentado a presença de Deus mas eu tive esta experiência».

 

Quase dois meses depois do sequestro, num momento de confronto entre os rebeldes e as tropas governamentais, por entre as explosões de bombas e rajadas de metralhadoras, o Estêvão conseguiu escapar-se. Durante vários dias andou sozinho pela floresta sem encontrar uma única alma. Por fim, foi resgatado por um soldado do exército ugandês que o levou aos ombros até ao hospital mais próximo para receber tratamento. «A minha família já tinha pedido a um sacerdote para celebrar uma missa funerária pela minha morte», conta Estêvão. Os seus pais e os seis irmãos não queriam que ele regressasse ao seminário mas o Estêvão fez a mala em segredo e regressou ao seminário sem avisar os pais.

 

Tal como a história destes quarenta e um seminaristas, dos quais um terço talvez nunca regresse, durante o conflito entre o LRA e o exército do governo ugandês, mais de 30.000 crianças e adolescentes foram sequestrados pelos rebeldes. Até ao dia de hoje não se sabe nada sobre o paradeiro de muitos deles e os que sobreviveram ficaram traumatizados para toda a vida.

Ainda há muito por fazer no trabalho de reconciliação e reconstrução, porque esta é uma das piores guerras civis de África que dura há mais de vinte anos, mas a Igreja Católica ajuda e está ao lado destas crianças e jovens. Alguns destes já chegaram à idade adulta, mas continuam a necessitar de ajuda.

 

  

Cada uma das crianças sequestradas e maltratadas pelo LRA tem um rosto e um nome. Estêvão, que experimentou este sofrimento, quer contribuir como sacerdote para curar as feridas e trazer a paz a um país onde as crianças foram utilizadas como armas. Quer levar a mensagem do amor de Deus aqueles que, já como crianças, esqueceram que têm um rosto e um nome. E ele pode ensinar-lhes que Deus opera milagres, porque ele próprio experimentou-o na sua vida.

 

 

Esta é uma realidade à qual não podemos ficar indiferentes! O Estêvão faz parte de uma lista de mais de 17.000 seminaristas pobres ou perseguidos que a Fundação AIS apoia em todo o mundo. Sem a sua ajuda, muitos destes jovens não poderiam responder ao chamamento de Deus.

 

 

Tenha a certeza que o seu donativo será aplicado directamente na sua formação e subsistência. Eles não se esquecerão de si na sua oração. Dê o seu CONTRIBUTO por mais pequeno que seja. Bem-haja!

 


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Homenagem a P. Werenfried


17-01-2012

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