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7-8-2017

Iraque: As Irmãs Dominicanas sonham com o regresso a casa


Desde que foram obrigadas a abandonar o convento de Teleskuf onde viviam, no Verão de 2014, face à conquista da região pelos jihadistas do auto-proclamado “Estado Islâmico”, que as Irmãs Luma Khuder e Nazek Matty sonham com o dia de regresso a casa. Mas durante estes três longos anos não ficaram um dia sequer de braços cruzados. E criaram conventos de emergência…

Por muitos anos que vivam, dificilmente as Irmãs Luma Khuder e Nazek Matty esquecerão os dias de tumulto que ocorreram na Planície de Nínive, no Iraque, em Julho e Agosto de 2014, faz agora precisamente três anos. Nesses dias, perante o ensurdecedor silêncio do mundo, grupos jihadistas foram conquistando todos os palmos de terra da região, subjugando aldeias, vilas e cidades, obrigando milhares de cristãos a abandonarem tudo o que tinham para salvarem as próprias vidas. Num espaço de dias, às vezes até em poucas horas, muitas dessas aldeias e vilas ficaram vazias, sem ninguém para testemunhar o saque das casas, a destruição das capelas e igrejas, a profanação de todos os lugares sagrados.
 
Fugiram quase todos para o Curdistão. Luma Khuder e Nazek Matty, irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena, assim como outras 70 religiosas, fizeram-se também à estrada. Não tinham alternativa. Quando partiram, quando olharam pela última vez para o convento de Nossa Senhora do Rosário, em Teleskuf, não conseguiram esconder as lágrimas. Quando chegaram a Erbil, ao Curdistão iraquiano, as Irmãs Luma e Matty eram refugiadas entre refugiados. Mas eram também verdadeiros anjos-da-guarda.
 
Muitas vezes, Luma e Matty nada mais podiam oferecer do que o conforto dos seus abraços ou palavras de simpatia embrulhadas em sorrisos. Era quase nada mas ali, no meio daquele desespero humano, valia como um verdadeiro tesouro. Todos os dias havia alguém para consolar, havia alguém em lágrimas.

Os ‘conventos de emergência’

Era preciso agir. “Criámos ‘conventos de emergência’ para estarmos o mais próximo possível destes deslocados cristãos, para os atender e acompanhar”, diz a Irmã Luma. Estes “conventos de emergência” foram providenciais. “Em 2015, logo que os deslocados foram colocados em alojamentos mais permanentes –recorda ainda a irmã–, abrimos duas escolas, uma em Ankawa, situada no norte de Erbil e a outra em Dohuk, e um infantário.” O que está a acontecer nesta cidade é, de facto, um verdadeiro milagre de amor.
 
Estas famílias chegaram de mãos vazias e muitas continuam infelizmente sem nada, dependendo da solidariedade de instituições como a Fundação AIS. Mas esta história ainda não chegou ao fim. Os jihadistas têm sido derrotados em inúmeras batalhas nos últimos tempos e todos os dias novas aldeias e vilas e cidades estão a ser libertadas das mãos desses terroristas. E todos sonham com o regresso a casa. As irmãs também. “Esperamos poder regressar a Teleskuf o mais rapidamente possível. As famílias precisam de nós”, diz a Irmã Matty.
 
A reconstrução e recuperação das casas é agora a prioridade. E a Fundação AIS está profundamente empenhada nesse processo. A Irmã Luma sabe disso: “Já se está a reparar o nosso convento de Nossa Senhora do Rosário, em Teleskuf, com a ajuda da AIS. Queremos todas regressar para junto das pessoas que estão cansadas de viver longe de casa”. De facto, todos desejam isso. Todos querem voltar.
 
Para milhares de famílias iraquianas, esse é um sonho que pode estar quase a concretizar-se. Ajudar é missão da Fundação AIS. De facto, estes cristãos não pedem nada de mais. Apenas desejam regressar a casa. Quem não sonha com isso?


Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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