Moysés é um entusiasta da Bíblia. E de outras coisas imprescindíveis da vida. Entre estas, o futuro e a alimentação. Juntou ambos num snack-bar, cuja ementa dá a escolher aos jovens entre uma Pizza Magnificat, uma Pizza Betânia, uma Pizza Abraão ou ainda uma Pizza Maria.
Todas são deliciosas. E suscitam a pergunta sobre a origem do nome. Satisfaz-se a curiosidade e mata-se a primeira sede da Boa Nova. É o momento em que o coração se abre.
Moysés Louro de Azevedo Filho teve a ideia das pizzas bíblicas quando, ao rezar, se pôs a pensar como se poderiam conduzir a Cristo os muitos jovens desorientados da sua cidade natal, Fortaleza/Brasil. Ele próprio era um deles.
O Senhor personaliza, pensa Moysés, ele chama sempre pelo nome. Também podia ser o nome de uma figura bíblica - "o espírito sopra onde quer". Atrás do bar há uma capela e não são poucas as conversas que acabam em silêncio diante do Santíssimo. Esse é o momento em que a paz floresce no coração.
Isto passou-se há praticamente trinta anos. Não tardou muito até se multiplicarem. Moysés e os seus amigos tiveram que começar a organizar-se. A paz tornou-se a sua imagem de marca. Chamaram à sua comunidade "Shalom".
Hoje, este movimento espiritual conta com mais de 3000 irmãos e irmãs consagrados, uns doze padres, meia centena de seminaristas, quatro estações de rádio, uma editora, uma escola, oito escolas de enfermagem, dois lares de idosos, quatro centros para recuperação de toxicodependentes e 64 casas de evangelização. Quase 12.000 pessoas se empenham no movimento.
O Shalom já alastrou há muito para além das fronteiras do Brasil. Na Europa (França, Suíça, Portugal, Grã-Bretanha, Itália, Hungria), América (Uruguai, Canadá, Chile), Israel e África (Argélia, Tunísia e Madagáscar), esta comunidade, reconhecida como associação privada de fiéis, de direito pontifício, mantém casas e centros. Chegam pedidos para implementação do movimento da Alemanha, de Espanha, do Japão, da Austrália e da Nova Zelândia.
Os membros da comunidade vêem-se como "pescadores de homens". Para isso, não constroem apenas snack-bares.
Em Fortaleza, inventaram um carnaval próprio. "Aleluia", um evento de cinco dias com música cristã, espectáculos, catequeses, missas e confissões congregou 650.000 visitantes no ano passado. O habitual carnaval da cidade conseguiu 200.000.
Moysés fala da terra prometida - e esta está onde está Cristo. E isso pode ser em todo o lado.
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