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2-2-2010

SUDÃO - Que Futuro?


 

As guerras são sempre cruéis! No Sudão, uma guerra fratricida ceifou mais de 2,5 milhões de vidas desde 1983 e provocou a maior crise humanitária de que há memória em África: quatro milhões de refugiados no próprio país e mais de cinco milhões nos países vizinhos. A tudo isto vem juntar-se uma enorme lista de problemas graves que assombram a vida de quem sobreviveu à destruição da guerra: restrição à liberdade de culto, escravidão, tortura, violações execuções sumárias, bombardeamentos, fome, falta de acesso à água, terra, emprego…

 

Oficialmente, desde Janeiro de 2005 há paz no Sudão, mas para escapar da guerra milhares de pessoas fugiram para o Norte do país onde foram amontoadas em grandes campos de refugiados nas periferias das cidades. Muitas vezes, famílias inteiras ficaram “acomodadas” em apenas seis metros quadrados, em caixas de papelão ou barracas de adobe e palha, sem água potável nem condições mínimas de saúde e higiene, sem alimentação nem trabalho. Nestas terríveis condições poucos têm a coragem de pensar num “luxo” como a educação.

 

 Escola "Salvem os Oprimidos"

Para responder aos problemas da educação, a Igreja Católica organizou as primeiras escolas nos campos de refugiados da Arquidiocese de Cartum. Foram construídas   salas e  aproveitaram-se as palhotas dos refugiados. Uma vez que as escolas estatais não tinham capacidade para acolher as crianças refugiadas, foi criado em 1986 o Programa Escolar "Salvem os Oprimidos" (Save the Saveable).

 

Desde o seu começo o Programa foi apoiado por várias organizações europeias, mas depois de 2002 muitas delas deixaram de ajudar, principalmente por causa do compromisso com o ensino católico. A Arquidiocese de Cartum esgotou os seus recursos financeiros quase ao ponto de falência, a fim de manter este projecto em execução.

 

Recentemente, o porta-voz do Parlamento sudanês e secretário-geral do Partido do Congresso Popular, Dr. Hassan Al Turabi, afirmou que “todos aqueles que não quiserem arabizar-se ou converter-se ao islamismo devem pagar o preço por rejeitarem a vontade de Deus […] A arabização é boa para eles. Devemos ensinar a estes rebeldes sulistas o que é bom para eles!”. 

 Hassan Al Turabi

 

Na escola, Muçulmanos. Em casa, Cristãos.

Para o Cardeal de Cartum, D. Zubier Wako, devem existir escolas que ofereçam uma alternativa ao sistema estatal de educação. “É preciso levar a sério o que é deliberadamente imposto nas escolas públicas, por exemplo, ensinar às crianças do jardim-de-infância que elas são árabes e muçulmanas obrigando-as a viver em conformidade com isso. Uma menina disse uma vez à sua mãe cristã: ‘Na escola somos muçulmanos mas em casa somos cristãos’”.  

 

A Igreja deve manter viva a sua presença através da educação

As escolas “Salvem os Oprimidos” são as únicas escolas de todo o Norte do Sudão onde é ensinado o catecismo aos alunos nas salas de aula. A Igreja proporciona uma educação religiosa cristã nas suas instalações às sextas-feiras e outros dias de descanso. As escolas públicas, onde muitas crianças cristãs também estudam, não permitem o ensino da religião cristã. Esta política deveria ter sido abolida após a assinatura do Acordo de Paz em Janeiro de 2005, mas ainda subsiste e o Governo evita esta questão que deveria permitir o ensino da religião cristã nas escolas onde há alunos cristãos.  

 

 Cardeal Wako

O Cardeal Wako fala com esperança na nossa ajuda: “Aos filhos dos refugiados sudaneses devem ser dadas as ferramentas para dominar o futuro, com uma base intelectual e moral saudável”. E acrescenta: “vamos ter um futuro triste se não houver intelectuais qualificados que tiveram o benefício de algum tipo de educação cristã, uma visão para a vida e para a sobrevivência da identidade cristã através da formação moral, intelectual e espiritual como base.”

 


 

Um projecto no coração da Fundação AIS para apoiar a sobrevivência do Cristianismo no coração de África

 

 

Pedido D. Daniel Adwok

 

Crianças na escola "Salvem os Oprimidos" 

O esforço de oferecer educação a todas estas crianças vulneráveis é uma tarefa muito difícil, mas vale bem a pena! Contudo, apesar destes cortes todos, a poupança não é suficiente para garantir o futuro dessas escolas, pelo que a ajuda financeira dos benfeitores continua a ser essencial.


“Muito obrigado pelo vosso apoio contínuo para as escolas ‘Salvem os Oprimidos’. Por favor, nunca se esqueçam que os esforços da Fundação AIS nos dão muita esperança a todos nós”.

 

 

A Fundação AIS tem respondido aos apelos dos bispos do Sudão há vários anos e vai continuar a financiar o Programa Escolar Salvem os Oprimidos. Não podemos abandoná-los! Este ano queremos continuar a apoiá-los e prometemos enviar mais 500.000 € para ajudar a manter as escolas abertas.

 


Graças à sua ajuda, cerca de 30.000 crianças cristãs ousam sonhar com um futuro melhor!  Colabore!

 

Caso pretenda receber gratuitamente este relatório basta pedi-lo por e-mail ou telefonar para 21 754 4000.









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