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10-2-2010

UCRÂNIA: Um edifício para as actividades da diocese de Kharkiv-Zaporizhzhya


A maior parte das pessoas imagina que os bispos moram em palácios ou, no mínimo, em belas e grandes casas. No entanto, o Mons. Marian Buczek vive em condições que na maior parte dos países nem sequer seriam aceitáveis como habitação social. O seu quarto, num barracão provisório, tem 9 m2. Também não há sítio para as outras actividades e necessidades da diocese. Os padres compraram alguns contentores, quando, em 1991, a Igreja Católica teve que retomar o seu trabalho em Kharkiv, depois das convulsões políticas na Europa de Leste e da independência da Ucrânia. É aí que, desde então, se desenrola a vida da Igreja Católica.

 

Mas, pelo menos, já há um lugar para o culto, porque em Kharkiv, com 2 milhões de habitantes, situada no Leste da Ucrânia a apenas 40 km da fronteira russa, já tinha sido construída no séc. XIX a Igreja da Assunção. Entretanto, a igreja tinha sido confiscada e saqueada pelos bolcheviques, em 1938, e só foi restituída à Igreja Católica em 1992. Os ateus soviéticos tinham feito bem o seu trabalho: retratos dos santos, objectos litúrgicos e imagens tinham sido totalmente destruídos. Apenas uma imagem tinha ficado intacta: a da Virgem Maria, a Imaculada Conceição, que se encontrava sobre um pedestal que lembrava o globo terrestre. Para os fiéis era quase um milagre. Ela, a Rainha do Céu, tinha sobrevivido ao comunismo, tinha-o vencido. De agora em diante, era possível voltar a louvar e glorificar Deus aqui, onde a luta contra a fé tinha arrasado tudo, durante décadas, da maneira mais cruel que se possa imaginar.

 

Em 2002, quando a cidade de Kharkiv foi elevada a sede episcopal da diocese de Kharkiv-Zaporizhzhya, o Papa João Paulo II concedeu à Igreja da Assunção o título de catedral. Desde Maio de 2009, Marian Buczek, nascido na Polónia há 56 anos, é o bispo desta diocese que só tem 50.000 católicos entre 20 milhões de pessoas.

 

Os fiéis reflectem a diversidade da Igreja mundial: só na catedral de Kharkiv celebram-se missas em ucraniano, polaco, russo, eslovaco e vietnamita! Na Igreja paroquial de São Vicente de Paula, celebram-se ainda missas em francês e inglês, porque há muitos africanos. Acólitos africanos ajudam o sacerdote. Kharkiv é uma cidade onde há muitos estudantes; muitos dos católicos são oriundos de outros continentes. A Igreja está viva e a crescer, mas precisa de mais espaço vital.

 

O bispo, dinâmico, arregaça as mangas: na sua diocese a igreja terá, dentro de pouco tempo, a possibilidade de organizar as suas actividades em condições normais. Marian Buczek não deseja palácios para si, mas quer salas de catequese, uma biblioteca ecuménica, salas onde as religiosas possam cuidar das crianças invisuais e deficientes, uma sala de urgências médicas para os pobres, uma cozinha para servir sopa aos sem abrigo, salas para os encontros pastorais com as crianças, os jovens e os adultos, para o coro e para os grupos de oração. E, naturalmente, o edifício deve também incluir quartos para o bispo e os sacerdotes, bem como gabinetes e quartos para as visitas. A batalha com as autoridades tem sido longa e dura, e quando o bispo quis levantar a licença de construção, disseram-lhe: “Aqui não vamos ter um segundo Vaticano!”, mas, por fim, a cidade restituiu à Igreja Católica o terreno situado ao lado da catedral. Agora é preciso começar a construção, quando o Inverno terminar e o tempo o permitir, contando com o risco da administração municipal confiscar novamente o terreno à Igreja. Com efeito, é possível que a administração declare que o terreno não tem sido utilizado para o fim indicado, mas que continua vazio. Prometemos 300.000 € a este bispo empenhado, que não pede muito para si mas sim para os seus fiéis.

 

Foto: Festa do Corpo de Deus diante da Catedral de Kharkiv com o Bispo Marian Buczek.

Ref.: 438-08-19

 

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