Os Bispos de Moçambique publicaram uma Nota Pastoral de “repúdio” pelo assassinato, dia 6, do Bispo de Quelimane, em que classificam o crime como “vil e cobarde”. Os prelados afirmam que o assassinato de D. Osório Afonso não foi apenas “uma tentativa de silenciar a voz da fé, da justiça e da paz”, mas também um atentado contra a própria missão da Igreja, e exigem às autoridades o esclarecimento rigoroso e com celeridade dos contornos do crime, lembrando que cabe ao Estado garantir a segurança dos cidadãos.
A Conferência Episcopal de Moçambique exige às autoridades “urgência e firmeza” no esclarecimento do “hediondo” homicídio do Bispo de Quelimane, e que sejam identificados “com celeridade” os seus autores “morais e materiais”, sublinhando que cabe ao Estado garantir a segurança pública e privada dos cidadãos.
Na Nota Pastoral publicada na manhã desta terça-feira, os prelados sublinham que “a omissão ou demora em agir” no apuramento das responsabilidades deste crime que está a agitar o país, “constituiria uma forma de cumplicidade com a violência e um atentado adicional contra a consciência moral da nação”.
Assinado por D. Inácio Saure, Presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo de Nampula, o texto classifica o assassinato de D. Osório Citora Afonso como “vil e cobarde”.
Se a certeza da Ressurreição nos enche de esperança, a violência e o crime que o motivou não pode deixar de nos encher de indignação e de repulsa. É nosso dever gritar claramente contra este crime de assassinato, contra esta crueldade, contra esta violência brutal”
Conferência Episcopal de Moçambique
O documento sublinha ainda o clima de violência que “tem vindo a alastrar” no país. O assassinato de D. Osório – descrito como “um servidor incansável da dignidade humana e do bem comum” – causou, pode ler-se ainda no documento, “uma ferida profunda e atroz” na consciência moral do país.
Por isso, escrevem os Bispos Católicos, “o assassínio cruento de D. Osório foi uma tentativa de silenciar a voz da fé, da justiça e da paz; é um atentado contra a própria missão da Igreja que vive para anunciar o Evangelho e defender a dignidade humana”. Os bispos afirmam ainda que o crime que vitimou D. Osório “expôs de forma dolorosa e vergonhosa a fragilidade da segurança que deve ser garantida a todos os cidadãos”.
“Inúmeras manifestações de solidariedade”
Recorde-se que o Bispo de Quelimane morreu na madrugada de sábado, dia 6, vítima de disparos de arma de fogo. O corpo do bispo, baleado na zona do peito, junto ao coração, foi encontrado num corredor da casa episcopal, onde vivia. Os autores do crime terão escalado o muro da residência, vandalizado o sistema de segurança e efectuado disparos com recurso a uma arma de guerra descrita pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal moçambicano (Sernic), como sendo uma metralhadora tipo AK-M.
Na Nota Pastoral, os bispos de Moçambique agradecem as “inúmeras manifestações de solidariedade” recebidas ao longo dos últimos dias, destacando as mensagens de condolências, orações e gestos de proximidade do Santo Padre, de outros episcopados, de comunidades cristãs, de confissões religiosas e de instituições do Estado, além de organizações não só em Moçambique, mas também fora do país.
Uma dessas organizações foi a Fundação AIS. A proximidade da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre para com D. Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane e Administrador da Arquidiocese da Beira, foi sublinhada numa mensagem enviada para os responsáveis da Igreja moçambicana logo depois de conhecido o crime. Assinada por Ulrich Kny, um dos responsáveis de projectos para África da fundação pontifícia, a missiva destaca a “marca indelével” que o malogrado bispo deixou em todos os que “tiveram a grande sorte de colaborar com ele”, e que esta foi uma “colaboração muito frutuosa” que permitiu à AIS “participar em algumas das suas interessantes iniciativas em favor da Igreja em Moçambique”.
A carta reafirma o “choque” com que foi recebida a notícia do assassinato do Bispo, que deixa “um grande vazio”, não só na sua diocese como em toda a Igreja deste país africano de língua portuguesa. A Fundação AIS, acrescenta Ulrich Kny, deseja a toda a Igreja de Moçambique “muita força e bênçãos do Senhor para que possam continuar a conduzir os seus fiéis ao longo do caminho do Senhor”.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







