O México mudou o seu presidente em Julho, com a eleição do candidato de centro-direita do PAN. A vitória in extremis de Jesús Calderón, que se debatera contra o populista de esquerda Manuel López Obrador, gerou poderosas confrontações políticas. Durante a batalha eleitoral, o episcopado mexicano tinha dado ênfase à necessidade de reconhecer a liberdade religiosa para todas as denominações e de providenciar os meios necessários para o ensino da religião nas escolas públicas (FIDES, 28/4/2006). Os bispos sublinharam de modo firme a necessidade de promover a reconciliação, o respeito pelos adversários políticos e a prevenção dos surtos de violência (L'Osservatore Romano, 11-12/9/2006). Porém, o clima de confrontação política tornara-se demasiado inflamado, assistindo-se mesmo a uma agressão ao Cardeal Norberto Rivera, o Arcebispo da Cidade do México, por parte de militantes do partido PRD, da oposição esquerdista, enquanto aquele celebrava missa na catedral (Zenit, 6/11/2006; Radio Giornale, 6/11/2006). Tratou-se de um evento que viria a repetir-se um ano depois, quando militantes entraram na catedral durante a missa, atacando os crentes, os padres e o presidente do capítulo da catedral, D. Rubén Ávila Enríquez, gritando insultos contra o Papa Bento XVI e o Cardeal Rivera (Radio Vaticana, 20/11/2007; FIDES, 26/11/2007; Aciprensa, 19/11/2007).
Ao mesmo tempo, a tradição secularista do México continua a produzir confrontos entre as esferas civil e eclesiástica – como, por exemplo, o anúncio por parte do Senado Mexicano de que iria excluir das funções sacerdotais qualquer membro do clero acusado de abuso de menores - infringindo assim a lei relativa a associações religiosas e ao culto público (Zenit, 26/2/2007; Radio Vaticana, 27/2/2007). Por outro lado, assistiu-se a algumas iniciativas por parte de cidadãos privados, reivindicando o direito de igualdade da liberdade religiosa e protestando contra a restrição dos direitos de membros do clero, fundamentados apenas pelo facto de serem o que são (Aciprensa, 25/7/2007).
Em relação à defesa da vida, no dia 24 Abril, a assembleia legislativa do distrito federal da Cidade do México aprovou a emenda do Artigo 144º do Código Penal, permitindo assim o aborto até à décima-segunda semana de gestação. Antes da aprovação desta lei, a Igreja, na pessoa do Arcebispo de México, Cardeal Norberto Rivera, publicara um documento onde se declara que, de acordo com os ensinamentos da Igreja, qualquer pessoa que legisla contra a vida humana, e todos os que promovem e trabalham para permitir o aborto, incorreriam na pena de excomunhão (Noticias Globales, 26/4/2007).