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Católicos Baptizados
983.682
Circunscrições Eclesiásticas
6
Superfície
143.998
População
164.425.491
Refugiados
29.669
Desalojados
500.000
Bangladesh
 

Aspectos legais e constitucionais

O Bangladeche é um país predominantemente muçulmano, o terceiro maior país muçulmano no mundo.

No seguimento de alterações feitas por um Governo provisório em 1988 à Constituição de 1972, o Islão é agora a religião oficial do Estado. No entanto, estas alterações foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal em 2010.

A Constituição concede a todos os cidadãos o direito de professar, praticar e promover a sua religião.  Ensinar religião é também permitido nas escolas privadas geridas por comunidades religiosas.

A 29 de Dezembro de 2008, a Liga Awami chegou ao poder, conseguindo 263 dos 350 lugares do Parlamento. A Liga é um partido secular fundado em 1949 que levou o Bangladeche à independência do Paquistão sob a liderança do Xeque Mujibur Rahman.

Contra os que queriam restaurar a religião secular original de acordo com as decisões do Supremo Tribunal de Julho de 2010, que consideraram inconstitucionais as alterações de 1988, a primeira-ministra do Bangladeche, Xeque Hasina (filha do Xeque Mujibur Rahman) afirmou que iria mantê-las.

Se prevalecesse a decisão do Supremo Tribunal, os partidos de base religiosa, que são exclusivamente islâmicos, seriam declarados ilegais. Segundo a antiga Constituição, os partidos baseados na religião foram proibidos.

A primeira-ministra Xeque Hasina é contra a introdução da sharia, como deseja a Frente de Unidade Islâmica, mas ainda assim quer manter alguns elementos islâmicos na Constituição.

A 21 de Junho, o Governo defendeu a alteração que torna o Islão na religião do Estado.

A 7 de Março de 2011, o Governo adoptou a Política Nacional de Desenvolvimento das Mulheres, de modo a promover a igualdade de género em questões de propriedade, herança e trabalho.

Mais de 120 pessoas foram detidas a 4 de Abril de 2011, no seguimento de uma greve geral (hartal) convocada pelo Comité de Implementação da Lei Islâmica, que se opõe à lei acima referida, considerando que ela viola os princípios islâmicos ao conceder às mulheres os mesmos direitos de herança que os homens. Em Daca, a capital, 103 pessoas foram presas. Outras quinze foram detidas em Faridpur e mais três em Naravangani.

Confrontos violentos com a polícia ocorreram em Daca, Mirpur, Kakrail, Malibagh e outras cidades.


Disputas por questões de terra

Os habitantes das aldeias tribais em Chittagong Hill Tracts, ao longo da fronteira sudeste do Bangladeche com a Índia e Mianmar, entraram novamente em confrontos com os colonos bengalis que querem colonizar a área com o apoio do exército e da polícia.

O facto de os colonos serem muçulmanos e as comunidades tribais serem sobretudo budistas com alguns animistas e cristãos faz com que o conflito se assemelhe a um conflito religioso. Na realidade, para os especialistas, esta é sobretudo uma questão política e social, mesmo que as comunidades tribais culpem os muçulmanos por vários actos, uma vez que, na sua perspectiva, os bengalis e os muçulmanos são uma e a mesma coisa.

A 17 de Fevereiro de 2011, dois residentes de aldeias tribais ficaram feridos e vinte e três casas foram demolidas num ataque levado a cabo pelos colonos muçulmanos bengalis.

A 14 de Abril de 2011, um grupo de bengalis avançou para terrenos jummas, assim chamados devido ao sistema de cultivo autóctone, de modo a retirarem-nos à população indígena. Contudo, a sua tentativa falhou, porque os povos tribais atacaram os colonos, causando quatro mortes.

A 17 de Abril, cerca de cinquenta aldeias tribais jummas foram atacadas no distrito de Khagrachari (Chittagong Hill Tracts). Mais de 200 casas foram totalmente destruídas pelo fogo. Dois templos budistas foram destruídos. Quatro colonos bengali e mais de vinte membros tribais, incluindo mulheres e crianças, ficaram feridos. Além disso, fontes não confirmadas mas de confiança afirmaram que quarenta estudantes universitários desapareceram sem deixar rasto.

Entretanto, os colonos bengali organizaram-se para defenderem os seus direitos, criando um grupo chamado Luta pelos Direitos do Povo em Chittagong Hill Tracts (FPRCHT), que funciona como uma força paramilitar apoiada pela polícia local.

Agora crescem receios de que alguns colonos tribais estejam a colocar achas na fogueira para recomeçar a insurreição que pôs fim ao acordo de paz de 1997, após mais de vinte anos de guerra.

Considerado inicialmente como inconstitucional, o acordo de paz de Chittagong Hill Tracts acabou por ser apoiado pelo actual Governo, mas provou ser ineficaz.

Os passos dados pela comissão de implementação, que está encarregada de examinar as disputas por questões de terra, não satisfizeram ninguém. Um passo que permanece em grande medida como simbólico foi a solicitação de remoção das tropas do Bangladeche. De facto, existem ainda cerca de 400 campos militares na região.


Escolas católicas

Embora constituam uma minoria minúscula, os católicos sobressaem pela qualidade das suas escolas.

Os graduados das escolas missionárias e universidades católicas são os melhores alunos do Bangladeche, de acordo com dados intercalares que colocam escolas como o Notre Dame College, a Holy Cross School and College, e a St. Joseph e a St. Placid no topo do ranking nacional.

Ao todo, a Igreja Católica gere cinquenta e duas escolas secundárias, quatro universidades, uma escola de formação de professores e várias escolas primárias em todo o país.


Encontros interconfessionais

A 16 de Abril de 2011, as comunidades ahmadiyya (originárias da Índia) e as comunidades cristãs de Daca colaboraram numa conferência conjunta com cerca de 175 participantes: cerca de oitenta cristãos e noventa e cinco ahmadis.

O resultado do encontro foi muito positivo. “Tanto as comunidades cristãs como as ahmadi são minoritárias no Bangladeche”, disse o P. Francesco Rapacioli (PIME), que organizou o encontro através do movimento ecuménico Shalom por ele gerido.

“Há um certo fosso entre eles”, explicou. “Também somos uma minoria étnica, uma vez que metade de todos os cristãos é tribal e indígena. Eles são diferentes e não muito conhecidos. Contudo, não só nos acolheram no seu centro, como também nos ofereceram bebidas e nos disponibilizaram as suas publicações. E fizeram-no, na minha opinião, para mostrar que são uma comunidade com quem podemos abrir-nos, envolver-nos em diálogo e reunir. Agora sabem que podem reunir-se e discutir pacificamente com alguém. É quase como se tivessem encontrado um aliado.”



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