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Católicos Baptizados
128.000
Circunscrições Eclesiásticas
9
Superfície
20.770
População
7.730.400
Refugiados
1.116
Desalojados
Israel

Desde meados de 2010 que a situação vivida pelos cidadãos cristãos de Israel se tem mantido inalterada. Embora, tal como os seus compatriotas muçulmanos árabes, eles sejam cidadãos israelitas e estejam representados no Parlamento, continuam a viver um estatuto que de facto os transforma em cidadãos de segunda classe, por comparação com os judeus. A insistência com a qual os líderes israelitas querem que o seu estado seja reconhecido pela comunidade internacional como um “estado judaico” e não o “estado dos judeus” enfatiza esta situação e justifica a desigualdade que daí resulta. A discriminação que surge como consequência desta situação ocorre de várias formas, e é vista por exemplo nos campos da responsabilidade política (apenas os judeus são membros do Governo), dos empregos na administração pública e no sistema judicial, do serviço militar (obrigatório apenas para os judeus, opcional para os drusos, mas inacessível para os muçulmanos e os cristãos), da atribuição de subsídios estatais a localidades e distritos não habitados por cidadãos judeus e dos programas educativos (o Ministério da Educação impõe às escolas israelitas cristãs programas que excluem qualquer educação religiosa).

Além disso, uma alteração constitucional datada de Dezembro de 2010 obriga todos os não judeus que queiram obter a cidadania israelita a jurarem lealdade “ao Estado de Israel enquanto estado judaico e democrático”. Esta disposição legal afecta fundamentalmente os 25.000 palestinianos casados com israelitas árabes que ainda não estão naturalizados, bem como as futuras mulheres e maridos de israelitas árabes. Esta alteração pretende dissuadir estes candidatos de solicitarem a cidadania israelita, de modo a restringir o crescimento da população árabe.

O Governo de Israel também mantém a sua política restritiva em relação à aprovação de autorização de residência a cristãos estrangeiros, como por exemplo sacerdotes e seminaristas da Palestina, Jordânia e outros países árabes. Em Março de 2011, o Governo recusou-se a emitir um visto de residência com mais de seis meses de duração a um Bispo anglicano de Jerusalém, Suheil Dawani, que é de origem palestiniana, bem como à sua família. Não devemos esquecer que a sua diocese inclui Israel, o Líbano e a Jordânia.

Em Dezembro de 2010, dezenas de rabinos ortodoxos proibiram todos os israelitas judeus de venderem ou arrendarem propriedades a não judeus, justificando a sua atitude numa carta aberta que dizia o seguinte: “A Torá proíbe a venda de uma casa ou terreno na Terra de Israel a um desconhecido [...], uma vez que o estilo de vida dos não judeus é diferente do estilo de vida dos judeus.” E também ameaçaram excomungar os que desobedecessem.

Isto resultou na criação de um grupo chamado “Rabinos contra a discriminação religiosa”. Os que aderiram ao movimento, cerca de 750 rabinos de todo o mundo, assinaram uma petição em que declaravam que a nova norma publicada pelos seus colegas em Israel lhes tinha causado “comoção e dor”. “A tentativa de radicalizar políticas discriminatórias com base na etnicidade ou religião na Torá constitui uma distorção patética das nossas tradições. O povo de Israel conhece bem o significado de discriminação e ainda envergamos as cicatrizes do ódio. Quando os que representam a liderança rabínica oficial do Estado de Israel expressam estes pontos de vista, ficamos magoados com este Chillul HaShem, profanação do nome de Deus”.

Em 2011 houve um aumento significativo da hostilidade que envolveu cuspir contra sacerdotes, monges e religiosas que usassem o hábito e pessoas que envergassem um crucifixo.

O Patriarca Latino de Jerusalém, Mons. Fouad Twal, fez um discurso de boas-vindas aos bispos europeus e norte-americanos na sua peregrinação anual à Terra Santa. O Mons. Twal disse igualmente: “Ainda estamos muito preocupados com dois extremismos: o muçulmano com os seus ataques contra as nossas igrejas e os nossos fiéis, e o israelita de direita, que invade cada vez mais Jerusalém, tentando transformá-la numa cidade exclusivamente hebraica e judaica, excluindo as outras confissões religiosas.”

No início de 2012, houve relatos em Jerusalém de profanação de vários edifícios cristãos com graffiti anticristãos (“Morte ao Cristianismo”, “Vamos cruxificar-vos, Jesus está morto”, “Maria foi uma prostituta”), caracteres judaicos pintados nas paredes da Igreja Baptista na rua Narkis e nas paredes do Mosteiro Grego Ortodoxo da Cruz, bem como palavras insultuosas num cemitério cristão no Monte Sião.

Este comportamento não resulta habitualmente em detenções ou acusações. O P. Pizzabella, Curador da Santa Sé, queixou-se disto ao presidente israelita Shimon Peres, a quem escreveu uma carta. E escreveu especificamente: “Nos últimos anos, temos aprendido a ignorar provocações e a continuar com as nossas vidas. Contudo, desta vez parece que eles pisaram o risco e não podemos manter-nos silenciosos. Estas frases ofensivas escritas nas paredes dos locais de culto cristãos, sobretudo em Jerusalém, ofendem os sentimentos de todos os cristãos, além dos de centenas de milhares de peregrinos que visitam Jerusalém e a Terra Santa.” O sacerdote pediu ao chefe de Estado que usasse o seu poder e influência junto das autoridades “para que esta atitude perigosa seja erradicada e estas acções sejam impedidas antes que se tornem num hábito contra os cristãos em Israel”.

Entretanto, continuam as negociações entre a Santa Sé e Israel no sentido de definir o estatuto jurídico da Igreja Católica em termos de questões fiscais e económicas. A comissão bilateral permanente do Estado de Israel e a Santa Sé reuniram a 6 de Janeiro de 2012, numa sessão plenária, organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel. Uma declaração conjunta informou que as negociações foram realizadas numa atmosfera aberta, cordial e construtiva e que foram feitos progressos significativos nas questões importantes. As partes acordaram os passos futuros a serem dados no sentido de se alcançar um acordo final. A próxima reunião plenária realizar-se-á a 11 de Junho de 2012 no Vaticano. Estas negociações, necessárias segundo o Acordo Fundamental entre a Santa Sé e Israel datado de 1993, tiveram início a 11 de Março de 1999.

As políticas israelitas nos territórios palestinianos também prejudicam os cristãos. É extremamente difícil, e muitas vezes impossível, obter autorizações de viagem para Jerusalém e Nazaré, para uma peregrinação ou para participar em encontros da Igreja. Os pedidos para estas autorizações devem ser apresentados com semanas de antecedência ao Ministério israelita dos Assuntos Religiosos, que se reserva o direito de não responder.  Os cristãos também sofrem privações, devido à construção do muro de segurança. A 13 de Outubro de 2011, em Beit Jala, uma cidade cristã muito perto de Belém, o exército israelita tomou cinco hectares de terra para estender a construção do muro por mais doze quilómetros. De acordo com a ONG palestiniana ARIJ, assim que a construção for concluída, mais de 640 hectares vão permanecer isolados do outro lado do muro, ou seja 45% da área original de Beit Jala.



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