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Católicos Baptizados
1.381.000
Circunscrições Eclesiásticas
11
Superfície
65.610
População
20.653.000
Refugiados
188
Desalojados
125.000
Sri Lanka

O Sri Lanka ainda revela cicatrizes profundas, três anos após o fim da guerra civil que separou os tâmiles e os cingaleses. O Governo continua a incorrer em dívida, investindo grandes somas em projectos turísticos de grande dimensão (que resultam num ecossistema arruinado e em prejuízo para milhares de camponeses e pescadores), bem como em gastos na área da defesa. De 1983 a 2009, o Sri Lanka foi palco de uma guerra sangrenta entre o Governo e os rebeldes dos Tigres Tâmil (os Liberation Tigers of Tamil Eelam, LTTE), uma organização militante que exigia a criação de um estado independente nas províncias a norte e leste, com uma maioria étnica tâmil. A guerra rapidamente assumiu as características de um conflito étnico, com os cingaleses budistas do sul contra os cristãos e hindus tâmiles no norte. A guerra, que acabou com os rebeldes a serem derrotados, deixou uma herança pesada e ainda hoje activistas dos direitos humanos e a Igreja Católica falam “do problema étnico”.

De acordo com o Centro de Monitorização de Deslocados Internos do Conselho Norueguês para os Refugiados, o país tem cerca de 200.000 pessoas deslocadas internamente que ainda vivem em campos de refugiados, sem a possibilidade de regressarem às suas aldeias e casas ou de serem transferidas para outros lugares. Na península de Jaffna, na província do nordeste, uma das áreas mais afectadas pela guerra, 39.000 viúvas de guerra não recebem quaisquer apoios de qualquer tipo e não têm trabalho para se sustentarem. Na zona de Mannar, as comunidades relataram que cerca de 12.000 pessoas, principalmente homens, desapareceram e o Governo não se responsabiliza.

Em Maio de 2010, confrontado com a pressão contínua dos activistas dos direitos humanos e da Igreja Católica, o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, criou a Comissão de Lições Aprendidas e Reconciliação (LLRC), encarregada de investigar a fase final do conflito étnico. No fim de Dezembro de 2011, a LLRC publicou um relatório de 400 páginas que afirmava que “durante as fases finais da guerra civil as forças de segurança nacional não atacaram deliberadamente os civis, enquanto os rebeldes tâmiles cometeram graves violações dos direitos humanos.” O documento é, de facto, uma resposta ao relatório das Nações Unidas de 26 de Abril de 2011 que acusa o Governo do Sri Lanka de assassinar milhares de cidadãos em 2009, durante a fase final da guerra. O relatório refere especificamente um ataque aéreo em massa que alegadamente matou 40.000 pessoas. E pinta uma imagem negra da vida em Vanni, a “zona de exclusão de combates” onde o Governo juntou 330.000 civis, prisioneiros executados com um tiro na nuca, mulheres
violadas e corpos de crianças aos bocados. O documento também acusa os Tigres Tâmiles de usarem os civis como escudos humanos durante os ataques aéreos.


Irmã Eliza, uma irmã das Missionárias da Caridade acusada de “vender crianças”

Nos últimos meses de 2011, um escândalo pôs em convulsão a comunidade católica romana do Sri Lanka. Pela primeira vez na história da Congregação das Missionárias da Caridade, uma irmã da congregação da Madre Teresa foi enviada para a prisão.

A meio de Novembro, um telefonema anónimo para a polícia acusou a Irmã Mary Eliza das Missionárias da Caridade de vender crianças no seu albergue Prem Nivasa para jovens mães em Moratuwa, nos arredores de Colombo. A 23 de Novembro, a polícia e representantes da Autoridade Nacional de Protecção da Criança (NCPA) cercaram o edifício para realizarem uma investigação aos hóspedes do albergue. No final da operação, o edifício foi apreendido e todas as adopções foram interrompidas. Dois dias mais tarde, na noite de 25 de Novembro, agentes de polícia levaram a Irmã Eliza e duas outras irmãs para a casa de um juiz em Ja-ela. A partir daí, em circunstâncias que não são claras, a Irmã Eliza foi levada de carro para a prisão de Welikada, enquanto as outras duas irmãs foram levadas de volta ao seu convento. De acordo com um primeiro relato da história, o mandado de detenção foi desencadeado por pressão de Anoma Dissayanake, presidente da NCPA, uma organização independente que responde directamente ao gabinete do presidente Mahinda Rajapaksa. Muitas pessoas acusaram explicitamente Dissayanake de manipular o ataque legal e dos meios de comunicação às missionárias do albergue, para dar preferência a orfanatos budistas. Depois de quatro dias na prisão, a juíza Yvonne Fernando libertou a Irmã Eliza na noite de 28 de Novembro, multando-a em 7.500 rupias (cerca de 50 euros) por cada acusação de adopção ilegal e tráfico de crianças, bem como em 50.000 rupias (cerca de 330 euros) como garantia de segurança. A Irmã Eliza recebeu ordens para se mudar para outro convento da sua congregação e para entregar o seu passaporte, estando proibida de deixar o país até o caso estar resolvido. Entretanto, a campanha de difamação dos meios de comunicação social contra ela continuou e a primeira audiência do seu caso foi transferida de 1 para 15 de Dezembro. Inúmeros artigos nos jornais locais falaram de serem vendidas crianças por 700.000 rupias (cerca de 4.500 euros) e outras por 35.000 rupias (cerca de 230 euros). O Cardeal Malcolm Ranjith, Arcebispo de Colombo e presidente da Conferência Episcopal do Sri Lanka, quebrou o silêncio da Igreja para com os meios de comunicação, mantido até esse momento, e pediu ao Governo e aos meios de comunicação nacionais que retirassem as “acusações infundadas e injustas” contra a Irmã Eliza “o mais brevemente possível”. Entretanto, o director do Gabinete de Liberdade Condicional, que responde perante o Ministério dos Assuntos Sociais e trabalha de perto com a Igreja, deu uma entrevista que confirmava que o trabalho das irmãs de Prem Nivasa estava a ser realizado de forma correcta. Os protestos do Cardeal Ranjith fizeram com que fossem apresentadas desculpas oficiais às missionárias. A 8 de Dezembro, um porta-voz do Governo considerou a situação “muito grave e delicada”, acrescentando que, “se foram cometidos erros, o Governo vai tomar medidas para os corrigir”.

A 15 de Dezembro de 2011, a juíza Yvonne Fernando absolveu a Irmã Mary Eliza das acusações de adopções ilegais e tráfico de crianças. O juiz e procurador Nevil Abeyratne admitiu que a Autoridade Nacional de Protecção da Criança estava por detrás das acusações contra a Irmã Mary Eliza. A juíza Fernando “aconselhou” a NCPA a prestar maior atenção em futuras investigações e ordenou a devolução dos documentos ao orfanato levados durante as buscas da polícia. Falando mais directamente, o procurador do Ministério Público disse que a NCPA tinha agido “de maneira irresponsável”, conspurcando a reputação imaculada das Irmãs da Caridade, que servem a sociedade do Sri Lanka há muitos anos. Apesar da sua responsabilidade no caso Prem Nivasa, a NCPA não foi punida.


Fontes:
AsiaNews
Caritas Sri Lanka-Sedec
Internal Displacement Monitoring Centre of the Norwegian Refugee Council
http://www.colombopage.com/



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