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Vietname

Aspectos legais e institucionais

As leis e a Constituição do Estado garantem a liberdade religiosa. No entanto, o Governo comunista de partido único do Vietname interfere e reprime as actividades que não estejam sob o seu controlo. Tal como na China, as autoridades toleram e respeitam apenas os grupos religiosos que estão registados e que aceitam as restrições do Governo. A lei de 2004 sobre religião permite que as pessoas pratiquem a sua religião livremente, mas pune qualquer actividade que seja prejudicial para a harmonia, as tradições e a cultura do país.

Em 2011, as autoridades começaram a rever o decreto governamental n.º 22/2005, que regulamenta as actividades das organizações religiosas. A 20 de Maio de 2011, o Cardeal Jean Baptise Pham Minh Man, da Arquidiocese de Saigão, tornou pública uma carta que escreveu ao primeiro-ministro do Vietname, expressando dúvidas sobre as mudanças propostas que iriam reintroduzir o registo obrigatório e assim destruir na prática as melhorias que este continha. (1)

Apesar das limitações, tem havido alguns sinais positivos no período em consideração. O Governo autorizou a construção de centenas de novos locais de culto e permitiu a expansão das actividades caritativas, bem como as celebrações religiosas com mais de 100.000 participantes. (2)

Passados mais de trinta anos, a Santa Sé e o Vietname restabeleceram contactos diplomáticos em 2011. A 10 de Janeiro de 2011, o Papa nomeou o Mons. Leopoldo Girelli, núncio apostólico de Singapura e delegado apostólico da Malásia e do Brunei, como representante papal não residencial do Vietname. Durante o ano, o Mons. Girelli visitou todas as dioceses do país. A sua nomeação coincidiu com o fim do Jubileu da Igreja Católica Vietnamita, a 6 de Janeiro de 2011, marcado por uma cerimónia de encerramento no Santuário Mariano Nacional em La Vang que atraiu mais de 500.000 fiéis. (3)


Minorias religiosas no país

O Catolicismo está vivo e de boa saúde. Foram construídos novos locais de culto nos últimos anos e cada vez mais pessoas entram nos seminários e conventos. Os dados da Santa Sé indicam que nos últimos cinco anos mais de 1.500 jovens entraram para a vida consagrada em seminários e centros vocacionais, um aumento de 50%.

O país tem um cardeal, dois arcebispos, vinte e três bispos diocesanos, dois bispos coadjutores, quatro bispos auxiliares, doze bispos eméritos e cerca de 4.000 sacerdotes, em vinte e seis dioceses. Há mais de 10.000 locais de culto, sete seminários e alguns centros de formação do clero.

A Igreja Evangélica do Sul do Vietname (SECV) e a Igreja Evangélica do Vietname (ECVN) constituem dois dos principais grupos protestantes reconhecidos pelo Governo, que também tolera a Convenção Baptista do Vietname, a Igreja Missionária do Mundo Unido, a Igreja Presbiteriana do Vietname, a Sociedade Baptista do Vietname, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Irmandade Cristã do Vietname. A Assembleia de Deus também está presente, mas apenas está registada a nível local, não a nível nacional.

O Governo reconhece também as Testemunhas de Jeová, que têm cerca de 3.000 membros em cinquenta e cinco congregações e dezoito províncias.

Existe uma sinagoga na cidade de Ho Chi Minh com cerca de 150 judeus, quase todos eles estrangeiros naturalizados.


Casos de violência e restrições à liberdade religiosa

Enquanto grupos alargados envolvidos em importante trabalho cultural e social na sociedade, os católicos e os protestantes são os grupos mais perseguidos pelo Governo comunista. Os exemplos de violação da liberdade de culto incluem a interrupção de missas, a detenção de sacerdotes, a destruição de edifícios religiosos, a apreensão de terrenos da Igreja, o ataque aos fiéis e o forçar seminaristas e sacerdotes a participarem em sessões de estudo do Partido Comunista.

O ano de 2010 começou com a destruição do crucifixo no cemitério da Paróquia de Dong Chiem (70 km a sul de Hanói) e terminou com uma série de ataques contra cristãos que celebravam o Natal.

A 19 de Dezembro, cerca de 2.000 protestantes planearam celebrar o Natal no Centro da Convenção Nacional, no distrito de Tu Liem (Hanói), que tinham arrendado para a ocasião. Contudo, à última hora, as autoridades locais não os autorizaram a usar o lugar. Quando as pessoas começaram a rezar e a cantar na praça em frente do edifício, a polícia começou a bater-lhes, usando bastões. Seis pessoas, incluindo o Reverendo Nguyen Huu Bao, que deveria liderar o encontro, foram detidas. (4) Incidentes semelhantes foram relatados em Thanh Hoa, Nghe An e Da Nang.

Os católicos passaram pelo mesmo tipo de hostilidade. Na cidade de Ho Chi Minh, as autoridades irromperam em diversas ocasiões pela Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que pertence aos Padres Redentoristas.

Na aldeia de Son Lang, condado de K’Bang (Diocese de Kontum, Vietname central), a polícia impediu o Bispo Michael Hoang Duc Oanh de celebrar a missa de Natal com os habitantes das montanhas, apesar de ter permissão por parte das autoridades, que o tinham autorizado a celebrar missa numa aldeia vizinha a 21 de Dezembro. (5)

Os actos de violência, as detenções e discriminações continuaram ao longo de 2011. Os casos mais frequentes envolveram bens da Igreja Católica, muitas vezes reivindicados pelo Estado para saciar a sede de dinheiro que o Governo tem e para alimentar o desenvolvimento sem entraves do país.


Governo destrói igrejas e conventos para se apropriar dos terrenos

Com base no princípio comunista de que “toda a terra pertence ao povo e é gerida pelo Estado para bem do povo”, as autoridades locais apreendem regularmente as propriedades dos grupos religiosos e transformam-nas em hotéis, restaurantes e clubes nocturnos, sendo as vítimas incapazes de reagir. Todas as minorias étnicas e religiosas que tentaram tornar-se independentes através da posse de terra passaram por esta experiência.

Depois de verem o seu cemitério e casas apreendidos para darem lugar a uma estância turística de luxo, os católicos da Paróquia de Con Dau, na cidade de Da Nang, foram sujeitos a mais actos de violência em 2011.

A 26 de Janeiro, o Tribunal do Povo de Da Nang confirmou a prisão de seis católicos, vítimas de expropriação, que tinham sido condenados por participarem em confrontos entre cidadãos comuns e a polícia em Maio de 2010, durante uma tentativa de expropriação de terrenos da paróquia.

De acordo com fontes locais, o julgamento foi uma farsa, pois o tribunal rejeitou um pedido do advogado que representava os seis acusados para apresentar provas já rejeitadas por um tribunal de menor instância. Nos dias que precederam o recurso, os católicos vietnamitas realizaram vigílias de oração, sobretudo na Paróquia de Thai Ha, em Hanói, que também tinha sido vítima das confiscações por parte do Governo. (6)

A 26 de Junho, os paroquianos de Con Dau enviaram uma carta à Conferência Episcopal católica do Vietname, pedindo-lhes que informassem os católicos da sua situação. Além do cemitério, que já tinha sido confiscado, o Governo confirmou a decisão de demolir todas as casas vizinhas à igreja paroquial do século XIX, que está programada para demolição de modo a permitir a construção de uma estância de luxo.

A Paróquia de Thai Ha foi novamente atacada em Outubro de 2011. Anteriormente tinha estado no centro de uma disputa com as autoridades municipais que acabou com a expropriação de terras que a Igreja tinha possuído desde 1928 e um julgamento fictício que levou à condenação de oito católicos.

A 8 de Outubro de 2011, o P. Joseph Nguyễn Văn Phượng, pároco de Thai Ha, foi convocado pelo Comité Popular do Bairro de Dong Da. Foi informado de que seria construída uma estação de tratamento de águas do hospital local em terrenos da ordem redentorista.

Nos dias que se seguiram, cerca de cinquenta católicos locais organizaram um protesto contra a expropriação dos terrenos em causa. O pároco escreveu ao Comité Popular do Bairro de Dong Da pedindo-lhes que desistissem do projecto e devolvessem a terra confiscada à Igreja. Mais manifestações e apelos se seguiram durante o mês de Outubro.

A 3 de Novembro de 2011, centenas de polícias e soldados com cães e um grupo de bandidos, seguidos por uma equipa da televisão estatal, irromperam pelo Mosteiro de Thai Ha, depois de terem partido a porta de entrada. O P. John Luu Ngoc Quynh, o Irmão Vincent Vu Van Bang e o Irmão Nguyen Van Tang tentaram impedir o ataque violento, mas foram espancados e insultados pela polícia. O ataque apenas parou quando milhares de católicos das paróquias vizinhas intervieram.

Embora a Arquidiocese de Hanói tenha condenado a violência (7) e apelado à calma por diversas vezes, a polícia bloqueou as estradas que levam ao mosteiro a 16 de Novembro.

Na noite anterior, as autoridades locais e os responsáveis do hospital tinham convidado representantes da comunidade de Thai Ha para uma reunião para resolver a disputa. Em poucas horas, cerca de 600 polícias e responsáveis governamentais deslocaram-se à paróquia redentorista e ocuparam os seus terrenos. Para impedir que houvesse manifestações, a polícia ameaçou quem quer que se aproximasse da igreja, mandando-os embora. No entanto, centenas de fiéis continuaram a deslocar-se a Thai Ha para rezar e prestar culto a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Para intimidar a comunidade católica, os representantes do partido comunista local irromperam novamente pelo mosteiro adentro. Partiram o crucifixo de Đồng Chiêm, deitaram lixo sobre a estátua da Virgem e profanaram as hóstias consagradas trazidas da catedral de Hanói. (8)

A 18 de Novembro, em Hanói, milhares de pessoas protestaram em frente ao edifício do Comité Popular. Exigiam justiça para a Paróquia de Thai Ha e para o mosteiro redentorista vizinho e denunciaram a campanha de difamação lançada pela televisão estatal contra a Igreja Católica. (9)

A 2 de Dezembro, o P. Joseph Nguyễn Văn Phượng e centenas de paroquianos de Thai Ha deslocaram-se ao Comité Popular de Hanói para apresentar uma queixa formal contra os actos de vandalismo e as confiscações ilegais. As autoridades receberam-nos e ouviram o seu pedido. Contudo, assim que saíram do edifício foram rodeados pela polícia que deteve o P. Joseph Nguyễn Văn Phượng, o P. Lương Văn Long e o Irmão Vũ văn Bằng, além de cerca de trinta paroquianos. Estes últimos foram empurrados para um autocarro e levados para o Centro de Reabilitação Humana de Đông Anh. Outro grupo de leigos foi detido perto do Lago Hoàn Kiếm.

O abuso de poder contra os Padres Redentoristas e os paroquianos de Thai Ha deu origem a uma onda de solidariedade em relação a eles tanto no Vietname como no estrangeiro. O Mons. Peter Nguyen Van Nhon, Arcebispo de Hanói, escreveu uma carta na qual defendeu os direitos dos monges. O Mons. Michael Hoang Duc Oanh, Bispo de Kontum, afirmou o mesmo. O Mons. Francis Nguyen Van Sang, Bispo Emérito de Thai Binh, deslocou-se pessoalmente à igreja de Thai Ha. Foram realizadas vigílias de oração em vários locais no Vietname, nos Estados Unidos e na Austrália.

A Paróquia de Cau Ram, na Diocese de Vinh (norte do Vietname), é outro caso no qual a liberdade religiosa foi violada através da confiscação de terrenos da Igreja Católica. Em 2009, as autoridades apreenderam terrenos para construir um parque que iria incluir um monumento dedicado aos soldados do Exército Popular do Vietname. Durante a Guerra do Vietname, a igreja de Cau Ram tinha sido transformada em base militar, o que a tornou num alvo para a Força Aérea norte-americana. No final do conflito, o Governo vietnamita declara a área como um “lugar de memória” para “preservar e proteger para as gerações futuras, em memória dos crimes de guerra norte-americanos”.

O Governo ignorou sempre os pedidos dos católicos para que o terreno fosse devolvido. Em vez disso, o terreno foi dividido em secções para construir uma estrada de ligação entre Hanói e o local de nascimento de Ho Chi Minh, cerca de 330 km a norte da capital. Com o passar do tempo, as autoridades locais aprovaram a construção de um complexo habitacional que incluía apartamentos privados no valor de milhões de dólares, para alojar representantes governamentais.

Dois anos de protestos por parte dos católicos conseguiram fazer com que o projecto fosse embargado (10) mas, após anos de recursos e manifestações, o Governo provincial de Nghe An decidiu a 27 de Julho de 2011 construir um parque público com um monumento aos soldados.

Tal como aconteceu em Con Dau e Thai Ha, a atitude do Governo levou os católicos a manifestarem-se a favor da liberdade religiosa e dos direitos humanos. A 8 de Agosto, mais de 5.000 católicos das Paróquias de Cau Ram, Yen Dai e Ke Gai organizaram uma grande manifestação em Hanói para porem fim às confiscações e exigirem a devolução dos bens da Igreja. Ao mesmo tempo, criticaram as operações da polícia secreta destinadas a deter jovens activistas sem mandado de captura. (11)

A Congregação das Irmãs de S. Paulo também foi afectada pelas expropriações e demolições. O seu convento, que se localiza no centro de Hanói, foi tomado pelo Governo comunista em 1954. Há alguns anos, as autoridades concederam às irmãs o uso de uma pequena parte da estrutura. Aqui, as irmãs abriram um pequeno hospital para os pobres, um orfanato e uma casa de abrigo para mulheres jovens.

No entanto, em Maio de 2011, o Governo ameaçou demolir todo o complexo e substituí-lo por um hospital de quatro andares. Nos últimos anos, as irmãs pediram às autoridades que lhes devolvessem a estrutura, mas nunca receberam uma resposta. (12)

Os cidadãos comuns são especialmente afectados pelas expropriações, ficando muitas vezes impotentes perante a arrogância das autoridades.

A construção de uma nova igreja católica em Tam Toa foi o único acontecimento positivo em 2011. A antiga igreja histórica tinha sido deixada em ruínas no final da guerra e mais tarde tinha sido declarada como “monumento em memória dos crimes norte-americanos”. Em 2009, presenciou repetidos ataques contra os fiéis, com várias pessoas feridas e outras detidas. Em Fevereiro de 2011, o Comité Popular Provincial concedeu o terreno para a diocese na parte central da cidade.

Para combater a Igreja Católica e desencorajar o seu trabalho em prol da liberdade religiosa e dos direitos humanos, o Governo vietnamita adoptou a estratégia da China e criou uma Igreja Patriótica independentemente da Igreja de Roma.

Para os católicos vietnamitas, a existência de “sacerdotes estatais” é um problema preocupante. Os sacerdotes e as autoridades da Igreja fizeram o possível para se oporem a esta situação, de modo a preservarem a unidade católica e a lealdade ao Papa.

Os sacerdotes estatais usam de maneira injusta os bens da Igreja e aproveitam-se do seu papel para apoiarem o Partido Comunista, que em troca lhes dá todo o tipo de benefícios. O resultado prático do seu comportamento tem sido a alienação de muitos crentes.

Em cerca de 4.000 sacerdotes no Vietname, perto de 300 aderiram ao Comité de Solidariedade Católica do Vietname (VCCS), uma organização pró-regime que procura criar uma Igreja separada de Roma, na linha do que é feito na China.

As provas mais óbvias desta situação foram a decisão de vários sacerdotes de concorrerem a um lugar no Parlamento nas eleições de Maio de 2011. Em Março, três sacerdotes disseram que iriam candidatar-se a um lugar. São eles o P. Tran Manh Cuong, da Diocese de Ban Me Thuot; o P. Ngoc Hoan, de Bui Chu, que já foi membro do Parlamento; e o P. Phan Khac Tu, da Arquidiocese de Saigão, que tenta ser eleito pela primeira vez. (13)

A candidatura deste último chamou mais a atenção porque o P. Tu é o editor da Catholics and People, uma revista apoiada pelo Governo, fundada em 1975, na altura da reunificação, que foi extremamente crítica de João Paulo II e do Vaticano.

Durante a campanha eleitoral, o P. Tu enfatizou a sua experiência do tempo da guerra, alegando que geria uma pequena fábrica que fez granadas usadas contra os norte-americanos. Numa entrevista ao Vietnam Net, um jornal pró-governamental, vangloriou-se do facto de a sua fábrica se localizar dentro da igreja de Saigão e de ter escapado à detecção dos responsáveis governamentais sul-vietnamitas e mesmo da CIA.

O sacerdote, que também é membro do Partido Comunista, tem estado encarregado da Igreja dos Mártires Vietnamitas em Vuon Xoai, uma das maiores igrejas da cidade de Ho Chi Minh. Após pressões para que fossem tomadas medidas disciplinares contra o sacerdote, a arquidiocese libertou-o de todos os seus deveres paroquiais em Abril. (14)

Apesar dos apelos por parte dos bispos e dos protestos por parte dos fiéis, que abandonaram as missas celebradas pelos “sacerdotes estatais”, mais sacerdotes vieram apoiar os colegas que se candidataram ao Parlamento. Um deles, o P. Vincent Pham Van Tuyen, da Diocese de Thai Binh (norte do Vietname), suspendeu a oração do terço para incitar os paroquianos a participarem num comício eleitoral. O sacerdote é um membro proeminente da Frente Popular provincial. Num posto anterior, foi pároco em Pho Hien, província de Hung Yen, até que todos os paroquianos abandonaram a igreja.

“Desde que o P. Tuyen trabalhou para o Governo”, disse um dos seus paroquianos à AsiaNews, “ninguém quis confessar-se a ele, com receio de ser denunciado à polícia. Nós perguntávamo-nos se os sacramentos administrados por ele eram válidos ou não. Ficámos anos sem confissão e comunhão”, e “aos poucos deixámos a igreja”.

Sete sacerdotes foram eleitos para o Parlamento e para os conselhos provinciais nas eleições de 22 de Maio de 2011. Entre eles estão o P. Do Quang Chi da cidade de Chi Minh e o P. Phan Dinh Son de Can Tho, eleito no sul; e o P. Nguyen Van Vinh, o P. Nguyen Van Hau e o P. Hoang Thai Lan, respectivamente das dioceses de Nha Trang, Ba Ria e Vinh, reeleitos em Khanh Hoa, Ba Ria-Vung Tau e Quang Binh. Outros vinte sacerdotes foram eleitos para postos de nível mais baixo.

Nem todos os sacerdotes que se candidataram chegaram ao Parlamento e aos conselhos locais. Além do P. Phan Khac Tu, o P. Tran Van Qui perdeu em Hue por causa da intensa campanha de católicos locais que se opuseram aos sacerdotes candidatos.

Para criar um fosso entre os sacerdotes jovens e a Igreja leal ao Papa, o Governo não só acenou com a cenoura do dinheiro e do poder, como também usou as sessões de estudo no Partido Comunista e os argumentos da segurança nacional, do patriotismo e do papel dos cidadãos na sociedade. A 6 de Abril, o jornal Dai Doan Ket (Grande Unidade), voz da Frente Patriótica Vietnamita, colocou uma história sobre “mais de 191 seminaristas em S. Quy, província de Can Tho, [que] deram início a programas-piloto sobre segurança nacional, os quais vão funcionar até 8 de Maio”.

O objectivo do Governo é encontrar um contraponto ao aumento dos jovens que entraram nos seminários após o Governo ter assumido uma linha mais suave contra estas instituições. Desde 2005, o Seminário Maior de S. José em Hanói admitiu um número crescente de alunos por ano, muito mais do que os dois ou três previamente autorizados. Ao Seminário Maior de S. José na cidade de Ho Chi Minh, que foi reaberto em 1986, passados onze anos, foi concedido o mesmo “privilégio” em 2007. De acordo com os últimos números (2009), o número de jovens alunos dos seis principais seminários do país aumentou de 1.580 em 2002 para 2.186 em 2009.


Detenções arbitrárias

Em 2011, continuou o combate sob todas as formas às exigências dissidentes e pacíficas de reformas democráticas e respeito pelos direitos humanos. As detenções, buscas e raides intensificaram-se por altura do 11.º congresso do Partido Comunista de 12 a 17 de Janeiro.

Durante este período, a polícia deteve dezenas de activistas dos direitos humanos, escritores de blogues e jornalistas, incluindo Cu Huy Has Vu, um advogado e defensor dos direitos humanos acusado de fazer propaganda contra o Estado nos seus artigos e entrevistas a jornais estrangeiros, com o objectivo de “difamar a autoridade do Governo popular, realizar uma guerra psicológica com o objectivo de fazer cair o regime e pedir um sistema multipartidário”.

O advogado e a sua mulher são famosos entre os católicos vietnamitas porque em 2010 se ofereceram para representar os paroquianos detidos durante os confrontos em Con Dau. No final, foram impedidos pelo Governo.

Durante este julgamento fictício, foram realizadas vigílias de oração e manifestações pacíficas em todo o Vietname. Ca Huy Ha Vu foi condenado a sete anos de prisão a 4 de Abril, após uma audição de quatro horas à porta fechada.

Fora do tribunal, milhares de pessoas, incluindo muitos católicos, protestaram contra a sentença. Para evitar distúrbios, a polícia atacou os manifestantes e deteve vinte e nove activistas católicos que tinham vindo para o julgamento. Le Quoc Quan, um advogado conhecido, estava entre os que foram detidos. Na altura, tinha acabado de se candidatar para ser um candidato católico no congresso do partido.

No fim, todos foram libertados a 13 de Abril de 2011. (15) Durante a estada do advogado na prisão, os Padres Redentoristas celebraram missas e vigílias de oração em todo o país, exigindo justiça para Ca Huy Ha Vu e para os jovens activistas detidos e espancados apenas porque queriam participar neste julgamento.

A 26 de Abril, as autoridades detiveram o P. Nguyen Van Ly pela segunda vez. Ele é um dos fundadores do ‘Bloco 8406’, um movimento que exige o fim do sistema de partido único no Vietname.

Condenado a oito anos de prisão em 2007, o sacerdote foi libertado em Março de 2010 devido a problemas de saúde e foi colocado em prisão domiciliária durante um ano na residência episcopal. A partir daqui, continuou a escrever cartas criticando o Partido Comunista e o Governo vietnamita por violações graves dos direitos humanos. No final do período de um ano, a polícia levou-o para a prisão de Ha Nam, no distrito de Kim Bảng, província de Ha Nam. (16)

A 24 de Dezembro de 2011, Pierre Nguyên Dinh Cuong, um jovem membro de uma paróquia na Diocese de Vinh, foi raptado a caminho da casa de um amigo médico. Três homens com roupas à paisana algemaram-no, enfiaram-no num táxi e seguiram viagem.

De acordo com os amigos, o rapto do jovem tem de estar relacionado com os serviços de Segurança Pública, que não têm receio de raptar pessoas. A sua detenção foi feita sem mandado de captura. A família de Pierre também não foi informada do seu paradeiro. O jovem tinha estado envolvido em actividades caritativas e sociais no Centro João Paulo II para a Defesa da Vida. O caso de Pierre Cuong é semelhante ao de outras quinze pessoas raptadas, nove das quais também vêm da Diocese de Vinh. Algumas delas expressaram o seu apoio a Cu Huy Ha Vu. (17)

Além dos cristãos e de outros grupos religiosos, o Estado perseguiu budistas, a religião maioritária no Vietname, bem como membros de seitas religiosas consideradas subversivas pelas autoridades, como por exemplo o Falun Gong. Este movimento espiritual mistura elementos budistas, taoistas e confucionistas e tem uma centena de seguidores no país.

O Governo vietnamita não reconhece o grupo. Pressionada pelo Governo chinês, a polícia vietnamita combateu os seus seguidores nos últimos anos.

A 12 de Novembro de 2011, um tribunal de Hanói condenou dois activistas do Falun Gong a dois e três anos de prisão, respectivamente. Foram condenados por colaborarem com um programa de rádio que transmitia notícias sobre a China. Vu Duc Trung, de 31 anos de idade, e o seu cunhado Le Van Thanh, de 36 anos de idade, tinham sido detidos em Junho. Uns dias antes de serem condenados, a polícia deteve quarenta membros do Falun Gong que protestavam em frente ao tribunal. (18)

A 14 de Dezembro de 2011, na província de An Giang (sul do Vietname), dois activistas budistas foram condenados a cinco e três anos de prisão, respectivamente, por defenderem a liberdade religiosa.

Nguyen Van Lia e Tran Hoai An são membros da Igreja Budista de Hoa Hao, um grupo religioso reconhecido pelo Estado vietnamita e autorizado a praticar a sua forma de culto, foram detidos em Abril durante um raide da polícia. Contudo, nos últimos anos, alguns dos seus membros decidiram abandonar o movimento oficial para protestarem contra o controlo governamental da religião. De acordo com a Rádio Free Asia, os dois activistas distribuíram material no qual acusavam as autoridades comunistas de perseguirem todas as formas de religião fora do seu controlo. (19)

A repressão comunista não está limitada por detenções arbitrárias, julgamentos fictícios e expropriações forçadas. As pessoas que são perseguidas ou encarceradas também são privadas dos seus direitos humanos mais básicos, como por exemplo o direito a cuidados médicos e o direito a estarem com os membros da sua família.

Um caso envolve três cristãos da Igreja Baptista Ágape (ABC), na aldeia de Lai Tao (My Duc, Hanói). Depois de terem ficado feridos durante um ataque de um grupo de bandidos, foram autorizados a ir a um hospital.

Um dos três é uma mulher chamada Nguyen Thi Lan, que partiu a bacia e sofreu feridas internas. Ela é uma antiga responsável do Partido Comunista que se converteu ao Cristianismo em 2010. Ao ouvir a sua história, cerca de cinquenta pessoas pediram para ser baptizadas.

No entanto, o seu trabalho e dedicação a proclamar a palavra de Deus também chamou a atenção de Khoan, um líder de aldeia envolvido com criminosos e membros do partido.

Acompanhado pelo seu filho, Khoan liderou um raide punidor contra uma casa de oração cristã onde espancaram gravemente os ocupantes: uma mulher, o Reverendo Nguyen Danh Chau e uma terceira pessoa. Os três sofreram ferimentos graves e a casa foi saqueada. Três hospitais de Hanói recusaram-se a admitir os três cristãos, forçando-os a fazerem uma longa viagem até à cidade de Ho Chi Minh.


Campanha de repressão contra os cristãos hmong

Os 790.000 hmong do Vietname são um dos cinquenta a três grupos étnicos do país e estão concentrados no noroeste do Vietname e no Laos.

Durante a Guerra do Vietname, colaboraram com os militares norte-americanos e muitos deles mudaram-se para os Estados Unidos no fim da guerra. Os que ficaram para trás vivem abaixo da linha da pobreza.

Tal como outras minorias étnicas, os hmong foram educados por missionários católicos e protestantes, e muitos converteram-se.

Durante anos, o Governo perseguiu-os, acusando-os de serem separatistas, instigados por “reaccionários que se aproveitam da ingenuidade das pessoas espalhando rumores sobre a presença de um poder sobrenatural e pedindo um império hmong separado”.

Ao longo de 2011, as autoridades levaram a cabo uma campanha de detenções e violência que teve o seu pico em Abril e Maio com um combate violento contra manifestações pacíficas em Muong Nhe, província de Dien Bien.

A 30 de Abril, cerca de 8.500 hmongs protestantes e animistas juntaram-se para rezar e exigir reformas e liberdade religiosa. A sua manifestação teve um fim violento quando as forças de segurança e os soldados do Exército Popular do Vietname intervieram. No total, quarenta e nove pessoas foram mortas e centenas foram detidas.

Muitos dos detidos foram levados para locais incertos no Vietname e no Laos, onde “podem ser torturados ou mortos, ou simplesmente desaparecer”, isto de acordo com Christy Lee, director executivo da Hmong Advance Inc (HAI), sedeada em Washington, DC.

Vários ministros da comunhão extraordinários que servem quatro comunidades católicas locais estavam entre os detidos.

Cerca de 1.000 católicos estão registados na área, que é considerada como uma ‘Zona Branca’, uma área assim chamada por causa do seu elevado grau de restrições à liberdade religiosa no país. (20)


(1)  AsiaNews, 23 de Maio de 2011.
(2)  Cf. Departamento de Estado Norte-Americano, International Religious Freedom Report 2011, Vietnam.
(3)  Eglises d’Asie, 7 de Janeiro de 2011; AsiaNews, 10 de Janeiro de 2011.
(4)  Eglises d’Asie, December 22nd 2010
(5)  AsiaNews, December 27th 2010
(6)  AsiaNews, 27 de Janeiro de 2011.
(7)  Eglises d’Asie, 7 de Novembro de 2011.
(8)  AsiaNews, 24 de Novembro de 2011.
(9)  Eglises d’Asie, 9 de Novembro de 2011.
(10)  AsiaNews,  25 de Maio de 2010.
(11)  Eglises d’Asie ; AsiaNews, 8 de Agosto de 2011.
(12)  AsiaNews, 18 de Maio de 2011.
(13)  AsiaNews, 28 de Abril de 2011.
(14)  AsiaNews, 3 de Maio de 2011.
(15)  Eglises d’Asie, 8 de Abril de 2011.
(16)  AsiaNews, 26 de Julho de 2011.
(17) Eglises d’Asie, 28 de Dezembro de 2011 .
(18)  AsiaNews, 12 de Novembro de 2011.
(19)  Radio Free Asia, 13 de Dezembro de 2011; AsiaNews, 14 de Dezembro de 2011.
(20)  AsiaNews, 9 de Maio de 2011.



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