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INTENÇÃO NACIONAL

 

Por todos aqueles que estão zangados com Deus por algum motivo e não conseguem encontrar um sentido no que lhes acontece, para que descubram que o protesto, se dito com a linguagem dos salmos, também pode ser uma forma de oração de confiança, como no Sl 22: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?!”



 

O MEU FILHO ESTÁ ZANGADO COM DEUS

 

Assim me confidenciou um pai que recentemente me veio visitar e que, ao perguntar-lhe pela sua família, me disse que tinha cinco filhos, dos quais um é sacerdote e outro, uma das filhas, é religiosa contemplativa. Uma família abençoada, comentei. É verdade, mas temos um problema que nos angustia há muitos anos. Um dos nossos filhos está “zangado com Deus”. Zangado com Deus porquê? É verdade, ele estava muito ligado ao irmão mais velho e quando ele decidiu ir para o seminário, ele sentiu muito a sua falta e não foi capaz de aceitar. Tinha ele então 7 anos. Mais tarde, quando atingiu aquela idade em que já não se considerava obrigado a “obedecer” aos pais e os pais também já reconheciam que tinham de respeitar a sua liberdade, deixou de ir à Missa, porque “estava zangado com Deus”. E já tem 22 anos! Como pais cristãos que somos, dizia-me, faz-nos sofrer ver que este nosso filho tenha perdido a fé, se tenha tornado ateu! E mostrou-me a fotografia: é, de facto, um perfeito moço, um jovem encantador no fulgor da sua beleza juvenil! Mas está zangado com Deus.

Este desabafo daquele bom pai tocou-me muito e, num primeiro momento, não encontrando outras palavras nem explicações, limitei-me a dizer-lhe que compreendia e que com o tempo o filho haveria de se reconciliar com Deus e de integrar a sua zanga na história que Deus está a fazer com ele. Mas logo depois me lembrei do livro de Job, de alguns Salmos e das confissões do profeta Jeremias, textos nos quais encontramos o testemunho de alguém que também se zangou com Deus num determinado momento da sua vida, porque não conseguia integrar algumas situações tanto da sua vocação profética, no caso de Jeremias, como da própria vida (sofrimentos, doenças, perseguições) na história que Deus estava a fazer com eles. O Livro dos Salmos oferece-nos tantos exemplos de protesto, de clamor por justiça, de pedido duma explicação em momentos em que parece que Deus abandona aquele que n’Ele confia: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste”, começa assim o salmo 22, oração de súplica e de clamor que o próprio Jesus rezou na cruz! O profeta Jeremias lamenta o dia em que nasceu como uma maldição e não como bênção; Job insurge-se contra os seus amigos, pois considera-se inocente e, por isso, não consegue compreender o que possa estar na origem de tanto sofrimento e de tantas desgraças.

Isto leva-me a pensar que estas “zangas com Deus”, de que a Sagrada Escritura dá tantos exemplos, não são sinal de falta de fé, mas o protesto de quem acredita e que pergunta a Deus porque é que determinadas coisas acontecem. Talvez seja por isto que o seu filho esteja a passar, disse ao pai: ele precisa de descobrir que o facto de Deus lhe ter roubado o irmão mais velho, que era todo o seu conforto, tem sido para o irmão e para toda a família uma bênção que ele ainda não descobriu, mas se continuar a perguntar um dia há-de encontrar uma resposta.

O nosso Deus é alguém que tem razões, pois nada acontece por acaso nas nossas vidas. Jesus diz que nem um cabelo da nossa cabeça cai sem o conhecimento de Deus. Segundo S. Paulo, tudo concorre para o bem daqueles que Deus ama e esse bem é tanto maior quanto mais acreditarmos e tivermos consciência disso. E a maravilha é que Deus mesmo nos ensinou a linguagem com que nos podemos dirigir a Ele: de louvor, de acção de graças, de lamentação e também de protesto e de zanga!

O rosto daquele bom pai iluminou-se e assim partiu. E eu fiquei meditando no silêncio do coração no sentido que estas mesmas palavras podem ter para mim, quando tantas vezes também eu sinto que estou zangado com Deus.

 

Pe. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Espiritual da Fundação AIS

Mês:
 

PEREGRINAÇÃO NACIONAL A FÁTIMA - 16 Setembro


16-09-2018

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