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Orar // Sementes de Esperança // Meditação - MAIO

FOLHA DE ORAÇÃO

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INTENÇÃO NACIONAL

 

Por todos os homens, para que sejam capazes de descobrir sinais do amor de Deus sobretudo nos sofrimentos e dificuldades da vida.

 


A COISA MAIS IMPORTANTE DA VIDA

 

Uma questão tem ocupado o meu pensamento durante toda a minha vida: o que significa amar verdadeiramente? Porque acontece que muitas vezes eu julgo que amo, porque sinto em mim uma força de atracção quase irresistível que me leva a orientar os meus passos ou o meu olhar ou o meu pensamento para aquilo que é objecto deste sentimento que na linguagem humana se diz o amor. Noutras vezes, porém, sinto-me desnorteado, porque aquilo que me atraía e fascinava e ocupava a minha atenção dum modo quase obsessivo, deixa de exercer qualquer poder sobre mim e me deixa indiferente. Às vezes dou comigo a recordar situações da vida passada em que vivia intensamente algumas emoções, mas que agora, com o passar do tempo, deixaram de prender a minha atenção, e apenas permanecem na memória, mas como algo muito, muito distante. Então aquilo que antes me fazia sofrer intensamente, me impedia o sono, já não tem interesse? Houve um tempo em que isso esteve na origem dum certo cepticismo e até de um pessimismo existencial que encontrava no livro do Eclesiastes o seu correspondente bíblico: vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Deixei de acreditar no amor, e a minha alma mergulhou num grande vazio, até ao ponto de chegar quase a concordar com o filósofo francês Jean Paul Sartre, segundo o qual o homem não passa duma paixão inútil.
 
Mas eis que todos os anos, regularmente, no início da Quaresma, a Igreja celebra o rito das cinzas: lembra-te, ó homem, que és pó e pó te hás-de tornar. Dum certo ponto de vista, este rito vinha ao encontro do meu pessimismo, pois de facto parecia confirmar a ideia da vaidade de todas as coisas, que se resumem a cinza ou à paixão inútil do filósofo francês. Mas a liturgia da Igreja e a sua sabedoria fizeram-me ver as coisas duma outra perspectiva: afinal aquelas cinzas são o pó que Deus ama e com o qual criou o homem à sua imagem e semelhança!

A Páscoa é a celebração deste profundo mistério que é a razão da admiração que está na origem da teologia: mesmo que o homem se sinta perdido, desprezível, indigno de ser amado, mesmo assim Deus é fiel e não desiste de o amar. Quando nos referimos à Paixão do Senhor estamos a falar do seu sofrimento que tem como causa o amor: não há maior prova de amor do que dar a vida pelos seus amigos; Ele que amara os seus levou até ao extremo o seu amor por eles.
 
Ser cristão é fazer esta experiência de ser amado. Era isso que S. Paulo sentia quando deu o seu testemunho, escrevendo aos cristãos da Galácia: Ele amou-me e entregou-se por mim (Gal 2,20).
 
Numa carta escrita do Japão a Sto. Inácio de Loiola, S. Francisco de Xavier descreve a surpresa de um nobre japonês, Nijinski, que um dia lhe perguntou: “Francisco, tu vieste de tão longe só para me dizeres que sou amado por Deus? Não tens mais nada para me dizer?” “Não tenho mais nada, respondeu S. Francisco Xavier: que tu és amado por Deus é a coisa mais importante que importa saber na vida!”

Outro exemplo é de S. Tomás de Aquino, transmitido pelos antigos biógrafos. Enquanto o Santo estava em oração diante do Crucifixo, de manhã cedo na Capela de São Nicolau em Nápoles, Domingos de Caserta, o sacristão da igreja, ouviu um diálogo. Tomás perguntava, preocupado, se aquilo que tinha escrito sobre os mistérios da fé cristã era correcto. E o Crucificado respondeu-lhe: "Tu falaste bem de mim, Tomás. Qual será a tua recompensa?" "Nada mais do que Tu, Senhor!"
 
Que a celebração deste tempo pascal dê a todos nós a graça de podermos fazer a mesma experiência dos santos: sentirmos que somos amados e ter neste amor a nossa única recompensa.

 

Pe. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Espiritual da Fundação AIS

Mês:
 

Terço Sem Fronteiras


25-05-2019

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