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INTENÇÃO NACIONAL

 

Especialmente para os jovens, que eles possam aproveitar bem este tempo da Quaresma para projectarem o futuro, que é o hoje de Deus nas suas vidas. 




ENTRE A INCERTEZA E A ESPERANÇA

 


É já um clássico na literatura teológica contemporânea a comentário que o então professor de Teologia J. Ratzinger, mais tarde Bento XVI (2005-2013), escreveu sobre o Credo, o símbolo dos Apóstolos. Ainda antes de expor o conteúdo de cada um dos artigos – 12 no seu conjunto – nos quais o Credo se articula, J. Ratzinger faz uma aproximação ao que representa o acto de fé, tomando como referência a relação entre a e a dúvida, a dúvida e a incerteza. A este propósito, ele mostra como o risco é um elemento comum tanto ao crente como ao descrente. A capacidade de arriscar, a tensão entre a dúvida e a incerteza aproxima o crente do descrente no risco total de quem se lança no abismo: «se o fiel só pode realizar a sua fé sobre o oceano do nada, da tentação e da dúvida, sendo oceano das incertezas o único lugar possível da sua fé, devemos admitir, dialecticamente, que o descrente, por outro lado, também não pode ser visto simplesmente como um ateu». «Portanto», continua o teólogo J. Ratzinger, «assim como o fiel se sabe constantemente ameaçado pela incredulidade que o acompanha como uma tentação sem fim, também a fé constitui para o incrédulo uma ameaça e uma tentação para o seu mundo aparentemente completo. Por outras palavras, não há como escapar do dilema da existência cristã. Quem quiser fugir das incertezas da fé terá de suportar as incertezas da ausência da fé e nunca poderá dizer com certeza definitiva que a fé não é a verdade. Só na recusa da fé se revela a sua irrecusabilidade». J. Ratzinger conclui a sua exposição sobre o princípio de incerteza: «Faz parte da configuração fundamental do destino humano poder encontrar o carácter definitivo da sua existência tão somente na rivalidade interminável entre a dúvida e a fé, entre a tentação e a certeza. Talvez seja justamente a dúvida aquilo que protege ambos da reclusão exclusiva no seu próprio eu, o lugar em que a comunicação poderá realizar-se».

A fé significa «um salto sobre um abismo infinito, ou seja, sobre o mundo tangível que se impõe ao homem: desde sempre, a fé teve uma conotação de ruptura e de salto arriscado, porque representa, em qualquer época, o risco de aceitar como verdadeira realidade e verdadeiro fundamento aquilo que é invisível por natureza. A fé nunca foi simplesmente uma atitude que descesse de forma automática até ao desnível da existência humana; ela foi sempre uma decisão que envolve toda a profundidade da existência, exigindo sempre uma viragem do homem condicionada por uma decisão».

Aqui está o sentido do creio com que se inicia o Credo e esclarecer isto, o sentido e o alcance de eu creio, é o objecto de uma introdução ao cristianismo. Diz J. Ratzinger, «a questão fundamental de uma introdução ao cristianismo é tentar esclarecer o que significa que um homem afirme 'creio'», na consciência das dificuldades que se colocam ao homem no acto existencial da sua decisão no horizonte das diversas configurações filosóficas a respeito da verdade, desde o plano da metafísica, em que a verdade está ligada ao ser, até ao campo actual da perspectiva histórica de compreensão da realidade, onde a verdade se encontra no futuro, no plano da investigação e da invenção de um mundo novo.

A fé cristã é caracterizada pelo seu radical positivismo, o paradoxo do mistério da incarnação e da cruz: este «positivismo cristão, a positividade irrevogável da religião cristã» tem como consequência que «Deus ficou tão perto de nós que podemos matá-lo, de modo que parece deixar de ser Deus para nós». Os limites e as fronteiras entre a atitude mais profunda do crente e a incerteza da descrença aproximam-se e podem coincidir na mesma pessoa, como em Santa Teresinha do Menino Jesus que confessava ser envolvida pelas dúvidas do pior dos materialistas.
 
A fé tem a ver com os fundamentos sobre os quais o homem edifica o projecto da sua existência. Será na dialéctica entre acreditar e confiar que poderá esperar-se o encontro do amor. Mas para isso será necessário passar pela morte: o morrer de amor de Cristo que salva o mundo. Mas será que ainda hoje é possível morrer-se de amor?

 

Pe. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Espiritual da Fundação AIS

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Apresentação do Relatório Liberdade Religiosa no Mundo 2018 | SETÚBAL


23-03-2019

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