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O Alzheimer espiritual

Há dias, numa entrevista televisiva, foi dito que um dos mais graves problemas que as nossas sociedades terão de enfrentar no futuro é o da demência, correlativo ao do envelhecimento das populações. Aumenta cada vez mais o número de pessoas que sofrem de alzheimer, esta terrível doença que faz com que a pessoa perca a noção da própria identidade.

O filósofo alemão Martin Heidegger [1889-1976] dizia que a crise da filosofia ocidental consistia em ter-se esquecido do ser. Pensava esse filósofo que vivemos numa era do esquecimento! Embora não siga em muitos temas o pensamento deste filósofo, retenho todavia a interessante tese do esquecimento, porque representa uma leitura da sociedade contemporânea que se esqueceu em muitos domínios de verdades essenciais, e padece dum certo alzheimer espiritual. Tenho a impressão, mesmo sem pretender julgar ninguém, que corremos o risco, no meio de tantas solicitações e de tantos problemas novos e, sobretudo, nesta sociedade do entretenimento, de esquecermos, entre outras coisas, a seriedade destes dois textos da Escritura.

S. Paulo começa assim a sua primeira carta aos Coríntios: “Paulo, chamado por vontade de Deus a ser apóstolo de Cristo Jesus, e Sóstenes, nosso irmão, à igreja de Deus que está em Corinto” (1Cor 1,1-2). E mais adiante pede aos Cristãos que evitem as divisões na comunidade e não se esqueçam que a Igreja não se pertence a si mesma, não é pertença de ninguém, mas só de Cristo: “Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Pois, meus irmãos, fui informado pelos da casa de Cloé, que há discórdias entre vós. Refiro-me ao facto de cada um dizer: ‘Eu sou de Paulo’, ou ‘Eu sou de Apolo’, ou ‘Eu sou de Cefas’, ou ‘Eu sou de Cristo’. Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Ou fostes baptizados em nome de Paulo?” (1Cor 1,10-13).

É importante, urgente mesmo, voltar a estes textos, pois com as vozes que quase nos ensurdecem e que nos falam de culturas, interculturalidade, diálogo, nas suas diversas formas, podemos esquecer-nos de algo essencial: não se trata de acomodar o Evangelho às culturas, mas de as evangelizar, ou seja, de tomar a sério aquela outra palavra do Senhor: “Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.” (Mt 28,18-20).

Nos ambientes eclesiais corria há tempos esta graça: quando o Senhor voltar vai encontrar os seus discípulos todos reunidos, mas pouco unidos. Podíamos dizer hoje: quando o Senhor voltar não vai encontrar ninguém em casa, porque estão todos fora ou de saída não se sabe para onde.

Bento XVI dizia que o antídoto contra o alzheimer espiritual encontra-se na oração, que é um exercício do desejo e também da memória, para que não nos esqueçamos do essencial, que se encontra nestas palavras do Senhor: “Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo” (Mt 6,33). E ainda, numa frase verdadeiramente confortante: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também” (Jo 14,1-3).

Precisamos de homens corajosos, como o Cardeal Sarah, o qual, remando contra a corrente, falando das profundezas do coração, recorda verdades que são essenciais e que não podemos esquecer.


Pe. José Jacinto Ferreira de Farias, scj
Assistente Espiritual da Fundação AIS

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RETIRO DE QUARESMA | MARÇO


20-03-2020

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