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Consagrados ao Coração

de Maria desde 1967

Orar // Sementes de Esperança // Meditação - NOVEMBRO

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INTENÇÃO NACIONAL

 

 

Pela promoção da devoção dos primeiros sábados nas nossas comunidades paróquias e nas comunidades religiosas, em atenção ao pedido de Nossa Senhora na grande promessa à Irmã Lúcia em Pontevedra (10.12.1925).


 

A tristeza de Deus

 

Nas aparições do Anjo e de Nossa Senhora em Fátima um dos temas mais surpreendentes da mensagem é o convite feito aos Pastorinhos para consolarem Deus, porque está muito só, e para repararem as ofensas, porque está muito ofendido. Os Pastorinhos tomaram muito a sério este pedido do Anjo e de Nossa Senhora, procurando nunca O ofender, não cometendo nenhum pecado, mesmo os mais leves (que outros, aliás, crianças inocentes poderiam cometer?) e fazendo-Lhe companhia, retirando-se para a Igreja, logo que podiam, e, junto do sacrário, faziam companhia a Jesus escondido.

Este tema da consolação e da reparação, dois conceitos que se complementam, são os conceitos-chave na espiritualidade de Fátima, e que hoje interpelam seriamente tanto os Cristãos em geral como os teólogos em particular, e as questões são estas: será que Deus Se encontra só? Será que Deus está triste? Em que é que as acções do homem (boas ou más) O podem afectar?
 
O problema da tristeza e, sobretudo, do sofrimento de Deus ocupou a atenção dos teólogos, principalmente depois da segunda guerra mundial e, muito particularmente, perante os fenómenos do horror que representaram os campos de concentração (nazis e outros, como os arquipélagos de Gulag) e houve quem mesmo dissesse que, depois de Auschwitz, não era possível compor poemas!

Deus está só quando o homem deixa de acreditar, quando é indiferente ao seu amor que se revela, objectivamente, na Paixão de Cristo, que deu a sua vida na cruz por todos e por cada um: “Ele amou-me e entregou-se por mim”, exclamava S. Paulo (Gl 2,20); quando deixa de reconhecer a sua presença na história e interpreta tudo como resultado do acaso! Mas Deus sofre e está triste, quando o homem não respeita a sua dignidade, quando é espezinhado, destruído. Como se sentirá Deus quando a obra-prima da sua criação, o homem e a mulher, são degradados, aviltados na sua dignidade? Quando não o deixam nascer, no crime abominável do aborto; quando não o deixam morrer com dignidade, abandonado ao seu desespero na solidão da eutanásia; quando assiste à degradação do matrimónio e da família, pela tragédia do divórcio, das uniões de facto e do amor livre, em que o homem e a sociedade se degradam à condição do gado, por desaparecerem as relações de fidelidade, expressão do amor, que se degrada à condição de prazer e de paixão?
 
Como é que Deus não estará triste e ofendido, perante o estado actual do aborto em larga escala; perante a eutanásia, hoje já realidade em alguns países e promovida por tantas forças políticas, mesmo entre nós; perante o divórcio como autêntica epidemia, provocando feridas incuráveis; perante uma sociedade mortalmente enferma por todas estas e outras calamidades? Como é que Deus não estará triste e ofendido?

O sangue dos mártires inocentes vítimas do aborto; e o sangue de todas as que o cometeram e a má consciência (ou falta dela) de todos os que o promovem; tudo isto torna o nosso mundo e o nosso país um espaço marcado pela maldição. Não nos iludamos, dizia a Santa Madre Teresa de Calcutá: depois de tantos crimes abomináveis do aborto, tudo pode acontecer! As calamidades naturais que hoje acontecem e concretamente no nosso país, com os incêndios; a violência e o narcotráfico; o terrorismo em todas as suas formas, devem-nos fazer pensar e não será de todo descabida a sua interpretação como uma consequência de todos os pecados cometidos hoje, mesmo entre nós, quando a ecologia humana não é respeitada.

Como é que Deus não estará triste e ofendido? Como é que não estará triste e ofendido perante a indiferença dos políticos, que abandonam os cidadãos à sua solidão, porque os não protegem contra o aborto, contra a eutanásia, contra o divórcio. Sob a capa de darem espaço à liberdade, o Estado demite-se da sua função pedagógica e protectora: faz de ti o que quiseres!... E agora, perante os incêndios, como se compreende que um secretário de Estado venha dizer que as comunidades não podem esperar pelos meios de protecção civil para se defenderem? Como se compreende que a ministra se lamente pelas férias que não teve e não pelos cidadãos que perderam a vida, porque a protecção de que necessitavam, e de que ela era a responsável, não chegou?

Como é que Deus não estará triste, como é que não Se sentirá ofendido, se a obra-prima da criação, o homem e a mulher, criados à sua imagem e semelhança, seus filhos adoptivos pelo baptismo, é assim tratada e assim se encontra?

Ao menos tu consola-me, faz-me companhia, pedia Nossa Senhora a Lúcia, em Pontevedra, no dia 12 de Dezembro de 1925. O mesmo nos pede a cada um de nós, hoje. Como fazer? Como Ela pediu: santificando os primeiros sábados. Ou como o Coração de Jesus pedia a Santa Margarida Maria: santificando as primeiras sextas-feiras. Será pouco? Será muito, porque assim aprenderemos a consolar Aquele que Se esconde e que está só nos corações de cada homem, chamado a ser o sacrário vivo que O guarda!

 

Pe. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Espiritual da Fundação AIS

Mês:
 

CONFERÊNCIA: Muros e Pontes, Europa, migrações e Diálogo de Culturas


25-11-2017

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