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Orar // Sementes de Esperança // Reflexão: BENIM

  

BENIM: um país enfeitiçado


Superfície: 114.763 Km2

População: 11.372.000 habitantes

Religiões:
Cristãos: 44,7%
Animistas: 28,9%
Muçulmanos: 26%
Outras: 0,4 %

Línguas: francês, fon, yoruba, bariba


O Benim, que se arrisca a ver a sua democracia confiscada, vive sob a influência do animismo. Enquanto a voz das urnas é silenciada, a voz dos feiticeiros é sempre autoritária.

Khabir faz um sorriso amarelo perante o quadro dos resultados das eleições legislativas, no domingo dia 28 de Abril. Este estudante de informática, de 22 anos, tira uma fotografia aos resultados eleitorais afixados na Câmara Municipal, e ri-se das deploráveis taxas de participação registadas. Num bairro com 466 pessoas só 42 votaram, num outro foram 29 … “Penso que não poderíamos sonhar com melhores resultados para demonstrar a rejeição dos Beninenses desta caricatura de democracia”, comenta.

Depois da queda do regime soviético, que governou o país de 1972 a 1990, o Benim ainda era um país democrático. Mas o actual presidente, Patrice Talon, realizou um assalto improvável: os dois partidos que apresentam os candidatos, a União Progressista e Bloco Republicano, são ambos pró-governamentais. No final, a taxa de participação subiu oficialmente para 27,12%, uma taxa que não impediu o Tribunal Constitucional beninense de validar os resultados destas legislativas. A seguir a esta validação, os opositores incendiaram uma estação de serviço próxima do palácio presidencial, estabelecimentos comerciais privados e bancos, tendo sido dispersados pelas forças de segurança beninenses.

Nas ruas de Kaliva, a norte de Cotonou, os Beninenses não acreditam num cenário de catástrofe. “Nós não vamos destruir o país por causa de um presidente que pensa que é o rei!”, brinca Céline, que tem uma loja onde vende bananas, mangas e ananases, à beira da estrada. “A paz é tudo o que nós temos”, afirma ela. E o estado de emergência económica que ela evoca transparece no asfalto degradado, a alguns metros da sua pequena tenda. Apesar das incertezas politicas, o tráfego continua no seu ritmo habitual: denso e caótico. Veículos incríveis, por vezes sem portas ou vidros, circulam numa confusão indescritível. Os camiões estão tão carregados que parecem estranhas torres rolantes, inclinando-se de um modo perigoso, rodeados por uma miríade de motos estridentes que os ultrapassam por todos os lados.

 


Não houve atentados no Benim, não há grupos de jihadistas que reivindiquem uma guerra de religiões. A coexistência está tão bem enraizada que existem famílias mistas com cristãos e muçulmanos vivendo sob o mesmo tecto. Isto é-nos confirmado pelo Pe. Denis Kpatkana, padre camiliano no Benim. Mas ele explica que esta coexistência assenta também em grande parte sobre uma base comum de animismo: “Aqui temos quase metade de cristãos, um quarto de muçulmanos, mas 100% de animistas!” Qualquer que seja a sua religião oficial, os Beninenses, na sua imensa maioria, acreditam na influência dos espíritos e no poder dos “bruxos”. Estas crenças compartilhadas certamente que contribuem para uma boa harmonia entre os grupos religiosos. Mas elas estão acompanhadas por medos paralisantes. Na publicidade do turismo, o vudu, que nasceu neste país, apresenta-se como uma das suas maiores atracções, com dançarinos de vestes tradicionais, realizando rituais exóticos e coloridos. Ainda que, aqui, isso não tenha nada de folclórico.

O povo pobre está pronto a endividar-se para pagar os serviços de um feiticeiro que lhes dará boa sorte, sucesso no amor e até “amaldiçoe” um inimigo. “Estas crenças fomentam o medo”, denuncia Grégoire Ahongbonon, fundador da Associação São Camilo, dedicada às pessoas com deficiência mental. “Por causa do medo dos espíritos, os doentes mentais são considerados como amaldiçoados. São maltratados, lançam-lhes pedras e por vezes ficam acorrentados durante anos”, explica. E, se este difundido medo dos espíritos se manifesta com grande violência em relação a esta camada da população, ela impregna toda a sociedade e é uma das causas do subdesenvolvimento económico do Benim. Segundo Grégoire Ahongbonon, a maioria dos Beninenses estão persuadidos de que vivem sob a influência de espíritos com intenções duvidosas, apesar de lhes ser difícil assumi-lo. Uma observação que confirma o relatório de 2018 da Doing Bussiness, publicada pelo Banco Mundial: o Benim ocupa a 153ª posição em 188. Mais profundamente, o medo dos marabus mantém os ressentimentos, os conflitos e a divisão das famílias. Quando alguém está doente ou tem pouca sorte não se atribui a culpa a uma causa natural, mas sim a um terceiro que deseja essa situação e que recorreu aos serviços de um feiticeiro.

 


Pobreza e superstição
Neste contexto de pobreza e superstição muitas das Igrejas locais vêem uma oportunidade. Elas transformam as promessas chamativas em grandes espectáculos, com oradores vedeta e profecias. Em 2011, “a Igreja Cismática de Banamè” juntou-se a este grupo. A sua fundadora, Vicentia Tadagbé Tchranvoun-Kinni, que depois se auto-denominou “Perfeita de Banamè”, auto-proclamou-se “deus” e fez de um padre reduzido ao estado laical o seu “papa”. Ela apoia o actual presidente Patrice Talon, chamando-lhe afectuosamente de “filho”. Por ocasião das eleições legislativas, atacou os seus opositores, convidando-os a “ficar em casa” durante a campanha eleitoral. Mas se este apoio tem um certo peso, devido à importância desta Igreja no Benim, é também uma fonte de problemas para Patrice Talon. O “deus” da Igreja de Banamè afirmou que a recente viagem do seu presidente favorito ao Vaticano tinha sido decidida por si, dando do presidente a imagem de um político manipulado. Por outro lado, as investidas da “Perfeita de Banamè” contra a Igreja Católica, que ela promete “destruir peça a peça”, colocam o chefe de Estado numa situação desconfortável. Ele não pode ignorar que um quarto dos seus funcionários são católicos e que a Igreja tem um papel de primeira ordem no seu país, devido à importância dos hospitais, escolas e organizações não governamentais que ela administra.

Um país fragilizado por grupos fanáticos

O Islão, minoritário no Benim, vê o número dos seus fiéis aumentar. Isto explica-se pelos investimentos feitos no local por países muçulmanos prosélitos, em particular o Kuwait. Muitas mesquitas estão a ser construídas no país e, nas zonas rurais, elas são por vezes as únicas construções de betão, em aldeias de tijolo, barro e palha. As associações muçulmanas financiam também poços, nos quais toda a gente se pode abastecer, mas que estão cobertos de inscrições islâmicas para que ninguém se esqueça das suas origens. Jovens pregadores viajam para a Arábia Saudita e aprendem uma visão rigorosa do Islão. “Quando eles retornam ao país, regressam com dinheiro e com a missão de casar com cristãs, a fim de as converter à sua religião”, denuncia o Pe. Denis Kpatkana. Por agora não há fricções entre as comunidades, mas o Arcebispo Católico de Parakou, D. Pascal N’Koue, constata que a co-habitação inter-religiosa tornou-se mais dificil desde que “grupos arabizados” do estrangeiro, bem financiados, começaram a introduzir discursos cada vez mais violentos contra os Cristãos.

 

O sucesso da estranha seita da “Perfeita” e a facilidade com que o Islão, financiado do exterior, se implanta, destacam a fragilidade do Benim. A fé existe, mas manchada pela procura de bens materiais que não dissociamos da espiritualidade. Muitos dos cristãos beninenses fazem o raciocínio de que precisam de Jesus para ir para o Paraíso, mas que para a sua vida presente precisam da ajuda dos espíritos ou dos imãs para obter a prosperidade.


Oração
Para que os Cristãos do Benim aprendam a viver a pureza da fé cristã e a confiança total em Jesus, o único Salvador, nós Te pedimos Senhor!


       

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27-11-2019

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