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Síria

Renascer dos escombros...

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Orar // Sementes de Esperança // Reflexão: EGIPTO


EGIPTO: Estado Islâmico ataca os Cristãos 



Superfície:
1.002.000 km2


População:
93.384.000 habitantes


Religiões:
Muçulmanos: 91,1%
Cristãos: 8,3%
Outras: 0,6%

Língua oficiaL:Árabe


Multiplicando os atentados no Sinai, em Minia e em Alexandria, os Islamistas procuram dividir os Cristãos e os Muçulmanos. Será em vão?

Mais de mil famílias cristãs fugiram da zona de El-Arish, no norte da península do Sinai, em Fevereiro de 2017, depois do assassinato de sete coptas, um professor, um veterinário e outros funcionários, tendo alguns sido decapitados e outros queimados vivos perante as suas famílias.

Mesmo que os Cristãos não sejam os únicos alvos do grupo Ansar Beït Al-Maqdis, que prestou fidelidade ao Daesh no Outono de 2016, esta estratégia de terror tem como objectivo uma verdadeira purificação religiosa.

Os ataques contra os Cristãos da região começaram depois da “revolução” egípcia de Janeiro de 2011. Pouco a pouco, os Cristãos foram sendo sujeitos a insultos violentos, e a ameaças nos espaços públicos e nos transportes. Depois, a situação agravou-se consideravelmente com raptos e execuções, tendo em vista caçar os Cristãos, mas também minar a unidade nacional.

Testemunhas da fé
Em Dezembro de 2016, 29 cristãos perderam a vida num atentado contra a Igreja de São Pedro e São Paulo no Cairo. A 9 de Abril, Domingo de Ramos, 44 cristãos foram mortos num duplo atentado, quase simultâneo, nas Igrejas de São Marcos de Alexandria e de São Jorge de Tanta.

Em Maio de 2017, em Minya, 35 cristãos encontraram a morte num ataque a um autocarro, provocado por um comando armado. Chamados a proclamar a fé muçulmana, os cristãos recusaram e foram abatidos um a seguir ao outro. A sua recusa em apostatar, apesar da ameaça de morte, fez deles autênticos mártires.

No mês de Junho de 2017, a polícia egípcia declarou ter impedido um atentado à bomba contra uma igreja de Alexandria e ter detido seis elementos de um grupo terrorista que planeava o ataque. A 15 de Julho do mesmo ano, um guarda de segurança, encarregue da supervisão da Igreja dos Santos em Alexandria, onde tinha tido lugar um atentado aquando da Missa de Ano Novo de 2011, foi ferido por um muçulmano que tentava entrar na igreja recusando o controlo de segurança.

Em Outubro de 2017, o Pe. Samaan Shehata, da Igreja Copta Ortodoxa do Egipto, foi assassinado à facada na cidade do Cairo onde se encontrava a recolher ajuda humanitária para a sua paróquia pobre situada na região de Beni Suef. A notícia deste crime deixou a comunidade cristã profundamente consternada, até pelo facto de ninguém ter prestado auxílio ao sacerdote quando já se esvaía em sangue no meio da rua. O Pe. Samaan teve de esperar mais de uma hora até ao aparecimento de uma equipa de emergência médica. Segundo diversos relatos publicados então, praticamente nenhuma assistência foi prestada no local pela equipa dos bombeiros, tendo o padre vindo a falecer já no hospital. O agressor, detido pouco depois pelas autoridades, foi libertado após ter sido considerado como mentalmente incapaz. Nem sequer foi presente a um juiz.

No final do mês de Dezembro de 2017, dois homens armados invadem a Igreja de Mary Mina, situada em Helwan, ao sul do Cairo, e, disparando indiscriminadamente, provocam uma dezena de mortos, incluindo três agentes da polícia que se encontravam de guarda ao templo. Um dos atacantes morreu no local e o outro foi detido pelas autoridades.

Já em 2018, em Setembro, oito igrejas coptas, situadas na Diocese ortodoxa de Luxor, foram encerradas pelas autoridades após  protestos violentos por parte de aldeões muçulmanos. Essas igrejas aguardavam ainda o reconhecimento oficial das autoridades públicas, mas estavam já de portas abertas com base nas garantias proferidas pelo ministro da Construção que anunciou, em Janeiro deste ano, que os Cristãos poderiam continuar a reunir-se nos locais que tivessem apresentado pedidos de reconhecimento e aguardassem a atribuição da respectiva licença. Calcula-se que  haverá várias centenas de igrejas em todo o país nesta situação.

No mês de Novembro de 2018, pelo menos sete cristãos coptas foram assassinados e 19 ficaram feridos, em Mynia, quando o autocarro em que viajavam no deserto, a caminho do mosteiro de São Samuel, foi atacado por um grupo de homens armados. Seis dos cristãos assassinados pertenciam à mesma família, incluindo duas crianças, um rapaz de 15 anos e uma menina de 12. O ataque, prontamente reivindicado pelo Daesh, foi muito semelhante ao que ocorreu na região, em Maio do mesmo ano.

“O nosso ministro do Interior corre atrás dos cadáveres das vítimas em vez de proteger os cidadãos vivos contra os atentados”, exclama o Pe. William Sidhom, jesuíta egípicio. “Não há intenção de combater o terrorismo”, acrescenta Ossama Tharwat, um jovem copta de Minya. Com a existência de opiniões religiosas dos xeques salafitas, dos partidos políticos religiosos e de um discurso religioso incitando à violência contra os Cristãos, assistiremos a todos os dias a uma tragédia.”

Assim, as tensões entre a presidência do Estado e a universidade Al-Azhar não param de aumentar devido ao combate contra o extremismo religioso. Depois de repetir o seu pedido para se refazer um discurso religioso humano e contemporâneo, o presidente Al-Sissi retirou das mãos do xeque Al-Azhar o dossier da “Renovação do discurso religioso”, e confiou-o ao seu próprio conselheiro religioso, o jovem xeque Ossama Al-Azhari, moderno e mais aberto.

A reacção dos Cristãos
Apesar das crispações evidentes, os Cristãos tentam evitar cair na armadilha da divisão e da violência. “É necessário não confundir toda a população muçulmana do Egipto, com a qual temos boas relações, com os terroristas islamistas que têm outros objectivos para além da religião», confidencia D. Emmanuel Ayad Bishay, o bispo católico de Luxor.

“Os terroristas perderam”, afirma D. Kyrillos William Samaan, bispo copta católico de Assiout. Ele assegura que “Apesar dos atentados visando os seus locais de culto, que fizeram recentemente dezenas de mortos, os Cristãos egípcios não têm medo, as igrejas estão cheias”.

A visita do Papa ao Cairo, a 28 e 29 de Abril de 2017, menos de três meses depois dos atentados do Domingo de Ramos, deu coragem aos Coptas. Esta viagem, ao mesmo tempo pastoral, ecuménica e inter-religiosa, coincidiu com o 70º aniversário do começo das relações diplomáticas entre o Egipto e o Vaticano.

As suas palavras de encorajamento aos Cristãos, os encontros com o Papa Ortodoxo Tawadros II, a sua denúncia da violência religiosa e o seu elogio ao grande Imã d’Al-Azhar revestiram-se de uma grande importância simbólica para a população, pelo que ele ganhou a estima de todos, com excepção, evidentemente, da minoria extremista.



Oração
Para que os Cristãos no Egipto não se deixem intimidar pela violência e pela dor, e saibam agir com mansidão e rezar com perseverança, nós Te pedimos Senhor!


 
 
       

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Mês:
 

Lançamento do Relatório Liberdade Religiosa no Mundo 2018 | PORTO


25-01-2019

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