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Orar // Sementes de Esperança // Reflexão: VENEZUELA

VENEZUELA: Uma tragédia quotidiana 

 

Superfície:

912.050 km2

 

População:

31.519.000 habitantes

 

Religiões:

Muçulmanos: 92,5%

Agnósticos: 4,4%

Espíritas: 1,1%

Outras: 2% 

 

Língua:

Espanhol

  

Os primeiros europeus que chegaram à sua costa deram-lhe o nome de “pequena Veneza”. Este país privilegiado, que foi outrora o mais próspero da América latina, graças aos seus abundantes recursos petrolíferos, enfrenta agora uma crise humanitária sem precedentes.
 
A partir do início do séc. XX, os sucessivos governos basearam a sua economia no comércio do ouro negro. Hugo Chavez, presidente por vários mandatos entre 1999 e 2013, acentuou ainda mais esta economia de dependência, pondo em prática uma diplomacia do petróleo visando estabelecer um “socialismo do séc. XXI”. Financiou, deste modo, os seus programas sociais, com o fim de ajudar as camadas mais humildes e mais pobres da sociedade no domínio da educação, da saúde e da habitação. Mas esta política socialista manifestava-se através de uma forma de governo autoritário e discursos violentos, incitando à luta de classes e ao ódio social.
 
Sob o governo de Hugo Chaves, o país já oscilava nas bases. A situação tornou-se dantesca quando a sua economia desabou, sob a presidência de Nicolás Maduro, presidente desde 2013 e cuja reeleição, em Maio de 2018, devido a eleições antecipadas, foi amplamente contestada. A partir daí, a hiperinflacção atingiu níveis gigantescos. Conseguir dinheiro é uma odisseia. Os bancos não podem entregar mais de 5000 bolívares por pessoa – o custo de quatro bilhetes de autocarro. Comprar 1 kg de queijo custa entre 15.000 e 20.000 bolívares, ou seja, o equivalente ao salário mínimo mensal, e há ainda que chegar à loja, pois as filas de espera são intermináveis. Estas filas fazem agora parte da paisagem do país que era, em 1950, a quarta economia do mundo. A antiga “Venezuela Saudita” tem hoje uma das economias mais pobres da América Latina. Os Venezuelanos demoram horas para poder comprar pão. Dormem em frente aos bancos para conseguir receber a sua pensão. Também esperam dias inteiros pela chegada da gasolina e isto num país que vive das rendas petrolíferas. “As pessoas não têm meios para levar para sua casa o mínimo para satisfazer as necessidades da família”, lamenta-se o Cardeal Baltasar Enrique Porras, Administrador Apostólico de Caracas e Arcebispo de Mérida.
 
Neste últimos meses, o país também sofreu um colapso energético. Para além do famoso black out, em Março de 2019, que durou quase três dias há, neste momento, estados – por exemplo Maracaíbo – que são privados de electricidade durante oito ou dez horas por dia. “O país caiu na obscuridade”, relatava, em Março do ano passado, D. Ulises Gutiérrez, Arcebispo da cidade de Bolívar. “Os cortes de energia, no território nacional, afectaram os hospitais e as clínicas, os serviços públicos, as comunicações e os bancos, paralisando o país como nunca antes na sua história. Morreram numerosos cidadãos por não terem recebido os cuidados médicos necessários, devido à falta de electricidade.”
 
A deterioração das condições materiais tem também consequências morais e sociais desastrosas. Diz-se, por exemplo, que muitos estudantes se prostituem para financiar os seus estudos e o número de roubos aumentou consideravelmente.
 

Economia de guerra

Face a esta crise humanitária, estima-se que mais de 4,5 milhões de venezuelanos tenham atravessado a fronteira com a Colômbia ou com o Brasil e que outros milhares procurem trabalho no Peru, Chile, Estados Unidos ou Espanha. Muitos deixam os filhos à guarda dos avós ou de pessoas de confiança. “Nunca tínhamos visto aqui o exílio de tanta gente”, lamenta o Cardeal Baltasar. É impossível encontrar uma família que não tenha agora vários membros fora do país. Muitos partem para ganhar dinheiro e enviá-lo à sua família, outros vão estudar, alguns emigram simplesmente para ter acesso a medicamentos indispensáveis, tais como para a diabetes ou a hipertensão. Na Venezuela, estas doenças podem tornar-se mortais devido à falta de medicamentos. “Estamos numa situação atípica e sem precedentes que não é o resultado de uma guerra nem de um conflito armado ou de uma catástrofe natural, mas que tem consequências semelhantes. É aquilo que os especialistas classificam de economia de guerra”, diz alarmado o Cardeal Baltasar.
 
Aparecido do nada, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional desde Janeiro de 2019, alimenta as esperanças de inúmeros descontentes. Devido ao artigo 223º da Constituição, este jovem engenheiro, de 36 anos, convocou novas eleições nacionais e prestou juramento como presidente do país, a 23 de Janeiro de 2019. Reconhecido por cerca de 40 países, não conseguiu chegar ao poder. Grande parte da população já não acredita que seja possível estabelecer um diálogo com as autoridades, lamenta o Cardeal Baltasar.
 
Neste contexto, a Igreja Católica é uma das raras instituições – se não a única – a funcionar e a dar esperança. Sofre, juntamente com o povo, as consequências desta crise e realiza um trabalho insubstituível para remediar as carências materiais e espirituais da população. Refeições quentes são oferecidas em milhares de refeitórios destinados às crianças e aos idosos. Numerosas dioceses proporcionam também exames médicos às grávidas e aos bebés, dois dos grupos da população mais afectados pela crise. Organizam igualmente formações profissionais de cabeleireiro ou de costura, com o fim de dar perspectivas de futuro às mulheres e aos jovens.
 
Os representantes da Igreja Católica estão também entre os raros que se indignam publicamente com as falhas do regime de Maduro. No dia 4 de Fevereiro de 2019, denunciaram “a repressão crescente por razões políticas, a violação dos direitos do homem e as detenções arbitrárias e selectivas”. Mas esta franqueza faz com que fiquem, inevitavelmente, expostos a pressões. Muitas vezes abertamente, com ameaças verbais ou actos de vandalismo; outras, de maneira subtil, inventando obstáculos administrativos à sua acção, como por exemplo não aprovando os vistos que permitem a entrada dos missionários no país.

 
Oração
Para que se assista a uma rápida mudança da situação política, económica e social na Venezuela, nós Te pedimos Senhor!
 

Empenhada mas frágil

Na Venezuela, a Igreja estabeleceu-se com menos intensidade que nos países vizinhos, como a Colômbia. O Cristianismo chegou com os missionários em 1527, ano da fundação da primeira cidade, Coro e, alguns anos mais tarde, a 8 de Setembro de 1652, a Virgem Maria apareceu ao chefe dos Coromoto, da tribo Cospes, em Guanare. A religião cristã espalhou-se lentamente a partir do litoral para todo o país mas, em numerosas regiões de difícil acesso, como na Amazónia ou no Orenoco, a guerra da independência (1810 – 1823) pôs fim aos estabelecimentos missionários que dois séculos mais tarde ainda não foram reabertos.
 
Não podemos também esquecer que, nas regiões onde a Igreja tinha mais influência, como Caracas ou Mérida, foram encerrados, em 1870, os seminários e os lugares de culto por decisão do presidente da época, Guzmán Blanco. O ensino religioso foi laicizado, uma grande parte dos bens da Igreja foram confiscados e as congregações religiosas foram expulsas. Foi um grande corte no crescimento da Igreja. O seminário de Caracas, por exemplo, só reabriu as suas portas em 1907.
 
Todavia, a Igreja Católica está apta a enfrentar os desafios que assolam o país. Está habituada ao confronto com os governos autoritários e à falta de meios materiais, sobretudo nas zonas afastadas dos grandes aglomerados populacionais.
Em 1870, foi forçada a encerrar os lugares de culto. Em 2018, a catedral de São Carlos de Cojedes, que data da era colonial, teve de ser encerrada porque o tecto de madeira desabou, felizmente sem causar vítimas. A falta de meios para restaurar as igrejas faz com que muitas estejam em ruínas. Algumas dioceses foram obrigadas a fechar o seu episcopado e a despedir o pessoal, porque não podiam pagar salários.
 
A falta de recursos humanos é gritante. A penúria dos padres é enorme em regiões como o Orenoco ou o Guasdualito, só para mencionar dois exemplos muito diferentes. Apesar de todas estas dificuldades, a Igreja Venezuelana não perde de vista o seu objectivo: lembrar a esperança ao seu povo que sofre.
 

Oração

Para que a Igreja na Venezuela continue a cumprir a sua missão de acompanhar o povo na adversidade e ajudá-lo a manter a fé, apesar de todos os desafios e perseguições, nós Te pedimos Senhor!


       

 

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20-03-2020

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