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Mensagem Pascal de D. Louis Sako, Arcebispo de Kirkuk, Iraque

Imagem captada no Santuário de Fátima, durante a visita de D. Louis Sako a Portugal (Novembro de 2011)

 

O Iraque é um país que há muitos anos sofre violência. Nós, cristãos, somos parte de uma Igreja que sofre intensamente. Ao longo do tempo, a Quaresma tornou-se um tempo de reflexão profunda sobre a nossa fé, um tempo para não nos isolarmos do mundo, apesar da situação crítica. É um tempo para nos abrirmos a uma dimensão profunda que dá esperança aos que enfrentam dificuldades, principalmente os mais novos, e aos que levam uma vida de instabilidade e temor. Esta esperança encontra-se nas palavras de Cristo, “Não temais!”. Esta é a mensagem que a Boa Nova nos incita a pôr em prática, mesmo quando somos perseguidos de tantas formas e perecemos à beira do caminho, algo que aqueles que levam uma vida tranquila ou vivem no luxo não conseguem compreender totalmente.

 

 

A Boa Nova destina-se principalmente aos mais pobres, aos que têm uma vida marcada pela insegurança ou não são totalmente livres. Rezámos todas as nossas orações e fizemos a Via Sacra neste espírito. Partilhámos o que tínhamos com os mais necessitados e muitos jovens jejuaram.

 

 

Há muitas acções de solidariedade, entre as quais a de um jovem que nos entregou 2.000 dólares “para ajudar as famílias a celebrar a Páscoa”. Uma mulher deu-me 1.000 dólares para os deficientes, “não apenas os cristãos mas também os muçulmanos… para toda a comunidade.” Todas estas iniciativas revelam solidariedade em obras e não apenas em palavras.

 

 

Em Kirkuk, a nossa presença insignificante assume um significado mais profundo para os nossos irmãos muçulmanos. O nosso testemunho, em obras e palavras, está vivo e presente. Recentemente, encontrei-me com um político que me disse: “Só com vocês, cristãos, é que o Iraque consegue avançar e alcançar o progresso.”

 

 

Um líder tribal árabe pediu-me para agir como mediador a fim de promover o diálogo entre os vários grupos políticos e étnicos, tendo como local de encontro a catedral caldeia. “Só confiamos em vós”, afirmaram os líderes políticos e tribais. O que mais precisamos de fazer para demonstrar quão importante é a nossa presença…?

 

 

Numa conferência sobre a primavera árabe, uma jovem cristã da Síria chamada Marcelle tomou a palavra e perguntou-me: “O que é que vocês, bispos cristãos, fizeram em favor das pessoas?” “A vossa prudência não ajuda, nem altera a situação. O que é que fizeram com a ‘Primavera de Cristo’ onde a Boa Nova foi anunciada? Nós, os jovens, estamos a fazer mais”, afirmou.

 

 

Começou então a cantar e todos nos juntámos a ela, também os muçulmanos. Foi um sinal lindo de se ver: nós todos unidos a cantar um cântico inspirado num salmo. Penso que perdemos parte do entusiasmo e da radicalidade do Evangelho.

 

 

Por isso, nesta Páscoa vou tentar ajudar os fiéis a não terem medo, vou ajudá-los a proclamar o seu “Sim” a Deus. Apelo a todos a estarem mais perto dos nossos irmãos em pensamento e oração, e a celebrarem a comunhão, a caridade, a vida e o amor pelo nosso próximo, a fim de que a violência e o fanatismo cessem e todos possam viver em paz e alegria.

 

 

“Não tenhais medo”, é o que direi aos fiéis na Vigília Pascal.

 

 

D. Louis Sako, Arcebispo de Kirkuk, Iraque


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15-09-2019

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