Terror contra Cristãos na Nigéria: provas apontam para Magreb e Arábia
Saudita
“Para além de ‘Mata cristãos’, não
têm qualquer filosofia”, afirma o Dr. Ernst Sagemüller, agente de
desenvolvimento na Nigéria, ao discutir a onda de terror dos salafitas
islâmicos nesta nação do Oeste africano. Por ocasião da Páscoa, voltaram a
detonar carros bomba nas proximidades de igrejas em Kaduna, no norte da
Nigéria, bem como em Jos e noutras cidades, matando mais de sessenta pessoas e
ferindo outras dezenas, algumas gravemente. Algumas igrejas foram destruídas.
Assim, o número de cristãos mortos em ataques terroristas desde o início do ano
ascende a 628. Todos os ataques são obra da seita terrorista “Boko Haram”, uma
célula da al-Qaeda e do Hezbollah, segundo Sagemüller contou à AIS numa
entrevista.
O nome “Boko Haram” significa “a
educação ocidental é proibida”. “Os líderes são salafitas radicais que
receberam a sua formação “filosófica” na Arábia Saudita”, explicou Sagemüller.
“São então formados a fim de propagar o terror em campos no Paquistão, Mali ou
Chade. De acordo com Sagemüller, a causas desta violência em expansão são a
corrupção, a pobreza extrema e a falta de perspectivas. Os extremistas têm
poucas dificuldades em recrutar apoiantes, por exemplo, entre as multidões de
jovens desempregados. Mas a Boko Haram tem apoiantes em todas as camadas da
sociedade Nigeriana, incluindo os antigos ditadores, salafitas ricos e
apoiantes activos em cargos elevados do Governo. De acordo com Sagemüller, há
apenas uma semana o comandante de uma unidade anti-terror foi detido durante a
formação de bombistas suicidas.
De acordo com Sagemüller, o
objectivo da Boko Haram é criar um estado islâmico com base no modelo dos
Talibans Afegãos. Imam Abubakar Shekau, o actual líder, afirmou que os
extremistas pretendem “libertar” o norte da Nigéria dos cristãos e depois o
resto do país. Numa entrevista, Shekau afirmou o seu desejo de matar todos os
cristãs, conta Sagemüller que há muitos anos que trabalha em projectos de desenvolvimento,
em iniciativas governamentais e em organizações da Igreja na Nigéria e outros
países.
O terror tem como alvo não apenas
os cristãos, mas também os muçulmanos moderados e o seu clero. Outros alvos
incluem políticos que defendem a paz e a reconciliação, professores,
jornalistas, agentes da polícia e membros do exército. Só neste ano, 340
soldados foram abatidos nas ruas. O Governo não sabe o que fazer ou tem medo de
enfrentar as figuras influentes que actuam nos bastidores. Sagemüller
acrescenta: “A grande maioria da população muçulmana está horrorizada e rejeita
estes ataques brutais. Muitos muçulmanos estão preparados para ajudar os
cristãos.”