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12-6-2014

Iraque: Arcebispo de Mossul fala em “caos”, de ataques a igrejas e mosteiros, e de fuga total de cristãos após ataque de jihadistas


Depois de Mossul, Tikrit. No espaço de poucas horas, duas das mais importantes cidades iraquianas caem nas mãos de radicais islâmicos, semeando o medo nas populações. 


Tikrit fica apenas a cerca de 150 quilómetros a norte de Bagdade, havendo notícias de que forças rebeldes se encaminham também para Baiji. 


“Nunca vimos nada assim”. Foi com estas palavras que Amel Shimon Nona, Arcebispo de Mossul, comentou, em declarações exclusivas à Fundação AIS, a conquista da cidade, a segunda mais importante do Iraque, por forças jihadistas afiliadas na al-Qaeda.


“Mossul está num caos”, acrescenta o prelado, desde que a cidade cedeu perante o cerco imposto pelos rebeldes islâmicos e que provocou a saída dos elementos das forças armadas e da polícia, deixando Mossul nas mãos dos guerrilheiros do Estado Islâmico do Iraque e do levante, conhecido pela sigla de ISIS.


Os confrontos tiveram início a 5 de Junho, mas foi na passada terça-feira que se confirmou o domínio dos radicais islâmicos que provocou, de imediato, a fuga de centenas de milhar de pessoas, calculando-se que metade da população de Mossul está em fuga, o que poderá representar qualquer coisa como cerca de 500 mil pessoas. 


Segundo o Arcebispo, que agora se encontra em Kayf, uma pequena vila a cerca de 3 quilómetros a norte de Mossul, “toda a comunidade cristã” deverá ter deixado a cidade, em fuga para a planície de Nínive.


A Igreja tem procurado acolher as famílias em fuga, alojando-as em escolas, salas de aula e casas abandonadas. 


A conquista da cidade de Mossul, já relatada pela Fundação AIS, deixou a comunidade cristã em pânico, pois ninguém consegue esquecer como tem sido o flagelo e a violência impostas na Síria, nomeadamente em Raqqa.


Nesta cidade também controlada por este movimento, os cristãos têm vindo a ser particularmente ameaçados com imposição de impostos, proibição de exibição de quaisquer símbolos religiosos, de orações em público, e até de realizaram obras de beneficiação nos templos.


Aqueles que não se converterem ao islamismo ou não aceitarem as novas regras são considerados “alvos legítimos” pelos terroristas.


Em Mossul, para já, há informações de ataques contra quatro igrejas e um mosteiro.


Em 2003, a comunidade cristã em Mossul era de cerca de 35 mil fiéis. Nos onze anos seguintes, por causa da guerra, esse número tragicamente caiu para apenas cerca de 3 mil. 


“Agora, há provavelmente mais ninguém”, confessa o Arcebispo  Shimon Nona, que, apesar de tudo o que está a acontecer, continua a creditar que a paz é possível. 


“Continuamos a rezar para que o nosso país possa finalmente encontrar a paz”, disse ainda à Fundação AIS, exortando os cristãos a não perderem a esperança. 


“Não é fácil, depois de tantos anos de sofrimento, mas continuamos firmes na nossa fé e temos que manter a esperança, mesmo em perseguição. É um grande desafio, especialmente depois do que aconteceu nestes últimos dias.”


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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