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11-7-2014

Iraque: Arcebispos iraquianos alertam Bruxelas para o fim da presença cristã no país


Os Arcebispos de Bagdade, Mossul e Kirkuk alertaram as autoridades europeias para o agravamento da situação no Iraque e para o risco, cada vez mais iminente, do fim da presença cristã neste país.
 

A violência que se vive hoje em dia no Iraque, especialmente por causa da ofensiva militar do ISIS (Estado Islâmico), está a reduzir ainda mais a já pequena comunidade cristã iraquiana.


Os três prelados, D. Louis Raphael Sako, de Bagdade, D. Yohanna Petros Mouche, de Mossul, e D. Youssif Mirkis, de Kirkuk, explicaram às autoridades europeias que a comunidade cristã tem vindo a diminuir drasticamente no Iraque, por causa das guerras e de conflitos sectários, tendo passado de 1,5 milhões de crentes, antes da invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003, para apenas cerca de 400 mil agora. 
 

Neste encontro, na passada quarta-feira, promovido pela Fundação AIS, os três arcebispos procuraram sensibilizar os dirigentes da União Europeia, nomeadamente o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, para a necessidade urgente de se apoiar a multidão de novos refugiados oriundos das zonas controladas pelo ISIS, um grupo radical sunita que conquistou Mosul e pretende tomar a própria capital iraquiana, Bagdade.


"Os próximos dias vão ser muito maus. Se a situação não mudar, os cristãos vão ser apenas uma presença simbólica no Iraque", disse D. Louis Sako. “Caso este êxodo continue, terminará a história do cristianismo no Iraque”, acrescentou.


Por sua vez, o Arcebispo de Mossul explicou aos dirigentes comunitários como a vida se tornou praticamente impossível desde que esta cidade caiu nas mãos do ISIS no mês passado.


A fama de violência que rodeia este grupo islamita levou a que cerca de 500 mil pessoas tivessem fugido da cidade, entre os quais a esmagadora maioria da comunidade cristã. Segundo este prelado, neste momento não há água em Mossul, nem praticamente electricidade. “Há apenas medo", disse.


O mesmo se passa em Kirkuk, Segundo D. Mirkis, apesar de se estar na região curda, mais segura, assiste-se à debandada de “centenas de cristãos todos os dias”.


Para este Arcebispo, a causa principal para a fuga dos cristãos tem de ser encontrada no “ambiente de pânico” que se verifica entre a comunidade. “São poucos os cristãos que ainda projectam a sua vida e o seu futuro no Iraque.”


Os três prelados procuraram explicar também aos responsáveis políticos de Bruxelas que os cristãos no Iraque são, hoje em dia, o grupo religioso mais fragilizado perante a erupção do conflito armado. “Ao contrário dos sunitas, xiitas e curdos, os cristãos não têm milícias para se protegerem.”
 

E não é só no Iraque que isto está a acontecer. Desde a proclamada “Primavera Árabe” que os cristãos têm vindo a ser vítimas do poder crescente dos radicais islâmicos.
 

É o caso do ISIS, anteriormente denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante e que agora se intitula apenas Estado Islâmico.


Este grupo radical, que pertence à órbita da Al-Qaeda, declarou a instauração de um califado nas regiões que controla e que se estendem desde certas zonas da Síria, nomeadamente a cidade de Raqqa, até ao Iraque, tendo já conquistado Mossul, a segunda cidade mais importante do país.
 

Na passada segunda-feira, duas religiosas e três crianças foram sequestradas em Mosul em plena luz do dia. D. Louis Sako informou ainda os dirigentes da União Europeia que as igrejas cristãs foram fechadas ao culto em Mossul.


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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