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27-8-2014

Iraque: Mulheres cristãs que ficaram em Qaraqosh foram vendidas como escravas


Cerca de uma centena de cristãos, que não tinham ainda abandonado a cidade de Qaraqosh, caíram anteontem nas mãos dos jihadistas do Estado Islâmico. As mulheres foram separadas dos homens para serem vendidas como escravas ou para serem forçadas a casar com jihadistas, apurou a Fundação AIS.


Esta notícia surge no mesmo dia em que Navi Pillay, a alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, condenou, em comunicado divulgado também na segunda-feira, o que considerou de "privação terrível, generalizada e sistemática dos direitos humanos no Iraque", por causa das acções levadas a cabo pelos jihadistas.


Pillay afirmou que os actos foram cometidos pelo Estado Islâmico, e por forças associadas a este grupo extremista, sendo que, segundo esta responsável das Nações Unidas, “os ataques e execuções” que têm ocorrido nas áreas controladas pelos jihadistas “podem ser considerados crimes contra a humanidade”.


A alta-comissária sublinhou que na mira dos radicais islâmicos estão “homens, mulheres e crianças que pertencem a minorias religiosas ou étnicas”, e que configuram uma "limpeza étnica e religiosa."


Entre as violações referidas por Pillay estão “assassinatos selectivos, conversões forçadas ao Islão, sequestros, tráfico, escravidão, abuso sexual, destruição de locais de importância religiosa e cultural”, bem como, acrescenta, "o cerco de comunidades inteiras devido à afiliação étnica, religiosa ou sectária."


A alta-comissária sublinhou ainda a sua enorme preocupação pelos “milhares de cristãos e membros das comunidades do Turcomenistão e Shabak que fugiram para Mossul e outras cidades de Níneve” controladas pelo Estado Islâmico.


Apelando às autoridades iraquianas e da região autónoma do Curdistão para não pouparem esforços na ajuda a estes milhares de refugiados, Pillay destacou ainda a urgente necessidade de apoio humanitário, que inclui a distribuição de alimentos, água potável, medicamentos, tendas de abrigo e roupa.


Entretanto, D. Louis Sako voltou a alertar o mundo para a violência que se tem espalhado no seu país em torno do avanço militar dos jihadistas do Estado Islâmico (IS).


"O silêncio e a passividade” da comunidade internacional “vai incentivar os fundamentalistas do IS a cometerem mais tragédias", diz.

 

Numa carta divulgada no passado fim-de-semana, e a que a Fundação AIS teve acesso, D. Sako lança a pergunta: "Quem será o próximo" povo a ser afectado? É urgente, acrescenta, um “efectivo apoio internacional" para as comunidades perseguidas no Iraque.


Afinal, constata o chefe da Igreja Católica Caldeia, continuam a chegar aos jihadistas um enorme “fluxo de fundos, armas e combatentes”. Não havendo uma mudança real no teatro das operações, continua o prelado, "o destino das pessoas afectadas ainda está em jogo, como se essas pessoas não fizessem parte da raça humana".


É pois urgente, escreve D. Louis Sako, que a comunidade internacional, em especial os países da União Europeia e os EUA, concertem esforços junto daqueles que, neste momento, podem auxiliar de facto as comunidades perseguidas, o governo central do Iraque e o governo regional do Curdistão.


O tempo escasseia e, segundo D. Louis Sako, "a consciência mundial não está ainda totalmente acordada para a gravidade da situação".


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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