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26-9-2014

Genebra: O Patriarca Católico Sírio Ignace III: Os extremistas não se detêm com o diálogo


“Os cristãos no Médio Oriente terão futuro se a família das nações defender os seus princípios, tais como a democracia e a liberdade, particularmente a liberdade religiosa. Então poderemos viver em países civilizados, mas tudo isso requer tempo.”


Foi com estas palavras que o Patriarca Católico Sírio Ignace III Yousif Yunan se dirigiu à comunidade internacional. Numa conversa que manteve com a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, o Patriarca - que reside no Líbano - ressaltou que sobre tudo as nações representadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas têm a responsabilidade de exercer pressão política sobre os Estados do Médio Oriente. “Terão que deixar claro a países como Arábia Saudita, que apoiam o fanatismo religioso, que devem deixar de o fazer”, declarou o líder religioso.


Continuou dizendo que são os países do Golfo Pérsico, os que têm apoiado os extremistas como o ISIS. A ideologia dos extremistas remonta ao wahabismo, uma interpretação particularmente radical do Islão sunita, que é doutrina oficial, por exemplo, na Arábia Saudita. “Antes de tornar-se rico com a venda ilegal de petróleo, extorsão, sequestros ou impostos, o ISIS foi financiado pelos países do Golfo Pérsico.”


O Patriarca Ignace III fez notar que nas áreas conquistadas por ISIS, entre os muçulmanos sunitas, há uma certa simpatia pelos extremistas: “Algumas pessoas são obrigadas a apoia-los mas outras apoiam voluntariamente os extremistas por convicção.” A raiz deste grande apoio aos extremistas encontra-se, segundo o Patriarca, no sistema educativo: “As crianças e os jovens são educados neste espírito. Apresentam-lhes o Islão como a religião superior; os demais devem segui-la e submeter-se.”


No entanto, o Patriarca não quis fazer comentários sobre a questão da estratégia do Governo dos Estados Unidos contra o ISIS. “Os bispos não são militares nem políticos. O ISIS terá que ser travado, com os meios necessários para isso. Com o diálogo não se pode deter os extremistas. Alguma violência é necessária, mas não saberei dizer que tipo de violência”, acrescentou D. Ignace.


O Arcebispo Silvano Tomasi, representante da Santa Sé nas Nações Unidas em Genebra, disse à Fundação AIS que a comunidade internacional deve sentir a responsabilidade de ajudar os cristãos perseguidos no Iraque. Literalmente, o Arcebispo afirmou: “A comunidade internacional deve fazer duas coisas. Em primeiro lugar, terá que reforçar a ajuda humanitária, no que diz respeito aos alimentos, medicamentos e bens de primeira necessidade. Devemos ter em conta que se aproxima o Inverno. Em segundo lugar, a comunidade internacional deverá manter a pressão política para que os deslocados possam regressar às suas casas e às suas propriedades. Existe, portanto, uma obrigação da comunidade internacional para trabalhar a fim de impor este direito.

 

A comunidade internacional deveria fazer um apelo firme para que não se forneçam mais armas ao ISIS, que não se conceda ajuda económica ou política e também que não se estabeleçam relações económicas, por exemplo, com o comércio de petróleo. Caso contrário, este bando de terroristas que utilizam a violência como meio para dominar continuará a reforçar-se.”


Perante a pergunta de, até que ponto a violência militar pode ser parte de uma estratégia para combater o ISIS, o Arcebispo Tomasi respondeu: “O Papa Francisco disse que a comunidade internacional deve deter o agressor injusto. Isto faz parte da Doutrina Social da Igreja, segundo a qual se deve parar e desarmar o agressor injusto. Mas, enquanto a Igreja é uma espécie de consciência da comunidade mundial e faz um apelo a actuar, o aspecto técnico não faz parte do seu trabalho. Se dizemos que se pode usar a violência para deter o agressor isto não significa declarar guerra. Quando um polícia exerce a violência para reestabelecer a ordem num bairro, não está a declarar guerra à população do bairro. Do mesmo modo, a comunidade internacional deverá deter e desarmar o atacante injusto, para trazer ordem e paz às regiões onde estes pobres cristãos são perseguidos.”

 

Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

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