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3-10-2014

Iraque: Papa Francisco recorda “perseguição diária” aos cristãos no dia em que a ONU fala em “limpeza étnica” em curso no país


As comunidades cristãs no Médio Oriente “estão a sofrer uma perseguição diária” e, nas palavras do Papa Francisco, “não há razões” políticas, económicas ou religiosas que “possam justificar o que está a acontecer a centenas de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes”.


O Sumo Pontífice falou no decorrer de um encontro, ontem, com o patriarca da Igreja Assíria do Oriente, Mar Dinkha IV, e fez questão de referir que o que se está a passar no Iraque e na Síria atinge todas a sociedade e não apenas a comunidade cristã.


“Quando pensamos no seu sofrimento, vamos espontaneamente para lá das distinções de rito ou de confissão: neles está o corpo de Cristo que, ainda hoje, é ferido, atingido, humilhado”, observou.


Esta declaração do Papa Francisco ocorre na mesma altura em que a Missão da ONU no Iraque revela que, só no mês passado, cerca de 1200 pessoas perderam a vida e cerca de duas mil ficaram feridas em consequência da guerra, das execuções sumárias ordenadas pelo Estado Islâmico e das operações militares levadas a cabo pela comunidade internacional. 


Esses números ganham outra expressão quando se amplia o período em análise. Assim, nos primeiros nove meses do ano, pelo menos 9.347 civis iraquianos foram mortos e 17.386 ficaram feridos por causa da ofensiva dos jihadistas no Iraque. 


De acordo com o relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e da Missão da ONU neste país, a grande maioria destas mais de 26 mil vítimas reportam ao período compreendido entre 1 de Junho e 30 de Setembro, quando a ofensiva os jihadistas do Estado Islâmico (EI) se intensificou.


O relatório também se refere ao número de pessoas deslocadas internamente, por causa do conflito. Em Agosto, havia mais de 1,8 milhões de pessoas a viver em campos de refugiados, fora das suas casas, em fuga.  


O relatório das Nações Unidas, imputa aos combatentes do Estado Islâmico “graves violações do direito internacional humanitário” e “abusos graves dos direitos humanos”, cometidos “de forma sistemática” e que incluem “assassinatos indiscriminados de civis, sequestros, violações e outras formas de abuso sexual e violência contra as mulheres e crianças, destruição e profanação de lugares sagrados, apropriação indevida e negação absoluta das liberdades fundamentais”. 


Para as Nações Unidas, os alvos dos Jihadistas têm sido, preferencialmente, os cristãos, membros das comunidades do Turcomenistão, Shabak, Yezidis, curdos e xiitas.


“O EI tem atacado intencionalmente os membros dessas comunidades com a intenção de destruir, apagar e fazer uma "limpeza étnica" das áreas sob seu controlo”, pode ler-se no relatório, em que se acrescenta que estas atrocidades podem constituir “crimes contra a humanidade e crimes de guerra”. 


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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