Detalhe2-3-2016
Sudão do Sul: Não nos abandonem!O mais jovem país do mundo ganhou a independência em 2011. Os festejos duraram pouco tempo. Dois anos depois, na véspera de Natal, tudo desabou, com o país a mergulhar num verdadeiro inferno, com aldeias e vilas a serem atacadas por partidários do presidente Salva Kiir e do ex-vice-presidente Riek Machar. Tudo começou quando o Presidente acusou o seu antigo vice-presidente de estar na origem de uma tentativa de golpe de Estado. Na verdade, havia algo de bem mais profundo a dividir os apoiantes de Salva Kiir e de Riek Machar.
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Não há ninguém no país que não esteja de luto, que não tenha presenciado algum ataque, que não tenha fugido para salvar a própria vida. De Dezembro de 2013 até aos dias de hoje, morreram dezenas de milhares de pessoas. Há mais de dois milhões de deslocados. As histórias desta guerra civil vão ensombrar este povo durante muitas décadas, muitas gerações. Provavelmente, para sempre. São fantasmas que provavelmente nunca mais irão desaparecer. Além dos mortos e feridos, dos desalojados, há um número assustador de pessoas que passam por necessidades absolutas. Muitas não têm quase nada para comer.
Consciente dos perigos, uma equipa da AIS visitou o Sudão do Sul a fim de se encontrar com os sacerdotes, as religiosas e o povo – novos e velhos – para ouvir as suas histórias e descobrir o que, juntos, podemos fazer para ajudar.
O Padre Aurélio Fernandez desde há muito que assumiu a missão de resgatar o maior número possível destes condenados a uma vida de escravidão. Uma destas jovens é Adut.
O Pe. Aurélio encontrou-a no meio de um grupo de outros rapazes e raparigas também sequestrados das suas famílias, também condenados a uma vida de escravidão. Estavam ali, algures nessa terra de ninguém entre o Sudão e o Sudão do Sul, à espera de comprador. Adut tinha as pernas ensanguentadas e infectadas. O Pe. Aurélio perguntou quanto custava. A resposta veio fria e seca: “Ninguém compra um animal em mau estado”. Por estar em “mau estado”, o Pe. Aurélio conseguiu até resgatar o grupo todo por um preço mais baixo.
Adut era uma rapariga normal que vivia na sua aldeia quando houve uma rusga dos militares sudaneses. Toda a gente fugiu. Adut também. Mas não foi longe. Um soldado, a cavalo, viu-a, foi ao seu encalço, lançou-lhe ma corda e arrastou-a assim, pelo chão, durante vários quilómetros. Depois, como se não bastasse, violou-a. Era apenas “um animal em mau estado”, terá pensado.
O Pe. Arcangelo arrisca a sua vida todas as semanas para dar assistência num campo de deslocados na Diocese de Malakal, no Sudão do Sul, onde 9.000 pessoas se esforçam por sobreviver.
Só no Sudão do Sul, calcula-se que 51% das crianças pura e simplesmente tenha deixado de frequentar a escola, também por terem sido obrigadas a fugir de suas casas, com as famílias, para algum centro de desalojados. Esta é uma das prioridades da Fundação AIS: permitir que estas crianças traumatizadas com a guerra tenham acesso à educação.
Em Julho de 2014, num par de dias de horror, as cidades de Bentiu, Malakal e Bor ficaram irreconhecíveis. Cerca de 30 mil casas em ruínas e mais de 100 mil pessoas em fuga.
D. Roko Taban lembra-se, como se fosse hoje, dessas horas de verdadeira descida aos infernos. “Os ataques foram brutais. Muitas das nossas igrejas e casas foram destruídas e tudo o que tínhamos foi saqueado. Estamos num estado miserável.” Dirigindo-se aos benfeitores da Fundação AIS, o Bispo de Malakal deixa um apelo: “Por favor, lembrem-se de nós nas vossas orações. Não nos abandonem!”
“Temos procurado levar-lhes água, comida e cobertores porque de noite faz frio. É preciso que alguém os socorra e cuide deles. O objectivo agora é a sobrevivência!”
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