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6-1-2017

Paquistão: Enquanto Asia Bibi aguarda recurso à sentença de morte, aumenta a pressão de sectores radicais em defesa da Lei da Blasfémia


Numa altura em que a cristã Asia Bibi aguarda o reinício do julgamento do seu caso, em que foi condenada à morte por blasfémia por ter bebido água de um poço, assiste-se a uma extremar de posições na sociedade paquistanesa precisamente sobre a aplicação desta lei.

Na passada quarta-feira, a polícia paquistanesa de Lahore prendeu cerca de 150 activistas muçulmanos radicais que procuravam mobilizar a população local em defesa da Lei da Blasfémia, agora que se assinala também o aniversário do assassinato do governador provincial que há seis anos defendeu publicamente a inocência de Asia Bibi.

Esta operação policial foi desencadeada pelas autoridades numa altura em que aqueles manifestantes - que pertenciam quase na totalidade a grupos islâmicos extremistas - procuravam atacar as pessoas que organizavam, na cidade, uma vigília em memória do governador.

Salman Taseer, então governador de Punjab, recorde-se, foi morto a tiro pelo seu guarda-costas, Mumtaz Qadri, há seis anos, quando assumia publicamente a defesa de Asia Bibi, condenada injustamente por blasfémia, afirmando, então, que esta lei precisava de ser urgentemente reformada.

Qadri foi entretanto condenado à morte pelo assassinato de Taseer mas quando a sentença foi aplicada, em Fevereiro do ano passado, dezenas de milhares de simpatizantes apareceram no seu funeral saudando-o como um verdadeiro herói do Islão.

A detenção na quarta-feira deste grupo de manifestantes radicais indicia o extremar de posições na sociedade paquistanesa em relação a esta questão, tanto mais que, já no início da semana, o grupo islâmico sunita Sunni Tehreek exigiu que as autoridades de Lahore acusassem Shaan Taseer, filho do governador morto, também pelo crime de blasfémia por ter enviado uma mensagem no “facebook” a desejar feliz Natal aos cristãos e a pedir as orações por todas as vítimas desta lei.

Este incidente é visto como um sinal mais do problema crescente de fundamentalismo no Paquistão, um país de esmagadora maioria islâmica e onde os cristãos são uma minoria de apenas cerca de 1 por cento.

Todos os anos, mais de uma centena de pessoas são acusadas com base na Lei da Blasfémia no Paquistão, que tem servido, essencialmente, para perseguir membros das minorias religiosas (normalmente cristãos e hindus) e para resolver disputas pessoais.

A questão da Lei da Blasfémia tem vindo, de facto, a ganhar cada vez mais actualidade, o que tem motivado também uma crescente preocupação por parte da minoritária comunidade cristã.

Ainda em Outubro do ano passado a Fundação AIS dava conta de que e um grupo de cristãos, em que se incluía um bispo, tinham sido alvo de ameaças por homens armados e mascarados durante uma vigília pela libertação de Asia Bibi.

Esse episódio surgiu precisamente na semana em que o caso de Asia Bibi estava no centro das atenções mediáticas, depois de um tribunal ter decidido adiar a decisão ao recurso da sentença de morte, por causa de um pedido de escusa de um dos juízes, gesto que foi prontamente identificado como sinal da pressão que estava já então a ser exercida por sectores mais radicais da sociedade paquistanesa para que Asia Bibi venha mesmo a ser condenada à pena capital.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Paquistão

 






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