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3-8-2017

Bangladesh: A Igreja Católica reivindica mais direitos para as minorias étnicas


Numa recente visita à sede internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), o Arcebispo de Chittagong, D. Moses M. Costa, lamenta que os direitos das minorias étnicas e religiosas não sejam referidos explicitamente na constituição de Bangladesh.


"O Governo não reconhece a existência legítima destes grupos e ignora-os. Por isso não têm nenhuma possibilidade de se desenvolverem. Muitas vezes são discriminados no lugar de trabalho e inclusive nalgumas escolas, uma vez que não falam a língua nacional. E quando os membros das minorias étnicas sofrem, também a Igreja sofre com eles, pois 60% dos nossos fiéis pertence a este grupo", explicou D. Costa à Fundação AIS acrescentando que a Igreja é a única instituição que defende os direitos e a dignidade destas pessoas, promovendo o seu respeito e a sua cultura.


O Arcebispo Costa informou que nas chamadas Chittagong Hill Tracts, uma das províncias situadas na zona montanhosa da sua arquidiocese, o Governo não prestou nenhum tipo de ajuda e recusou-se a reconhecer o problema, quando as minorias étnicas que ali vivem foram afectadas pelas inundações do ano passado.


Também criticou a exploração dessas pessoas nas instalações e docas da cidade portuária de Chittagong onde são desmantelados os barcos no fim da vida. Por exemplo, o ferro recuperado destes velhos barcos é fundido e reutilizado na construção civil. "Estes trabalhos são feitos em condições perigosas que implicam um grande risco e por isso cobra muitas vidas humanas. No entanto estou impedido de visitar este lugar porque as autoridades não me autorizam entrar" lamenta o arcebispo.


Quanto à pergunta acerca do aumento de atentados, contra cristãos e estruturas eclesiais, registado nos últimos anos nesse país maioritariamente muçulmano, o Arcebispo Costa respondeu que em geral a motivação desses ataques é um misto de política e religião. Por um lado, afirmou, muitas vezes trata-se de tentativas de apropriação indevida de terras que pertencem às minorias étnicas - frequentemente cristãs. Por outro lado, existe também uma componente religiosa que está a ganhar cada vez mais força.


O arcebispo assinalou a existência, no país, de muitos grupos islâmicos diferentes. "O ano passado, 1.000 bengalis atacaram uma paróquia em Chittagong porque quiseram implicar os cristãos no assassinato de dois homens de negócios, que tinha ocorrido a muitos quilómetros de distância", informou D. Costa, sublinhando que aquela situação foi de facto muito "difícil e perigosa".


No entanto, o prelado assinala também muitos motivos de alegria e satisfação para a comunidade católica do Bangladesh. O facto do Papa Francisco ter concedido, no passado mês de Novembro, ao Arcebispo de Dhaka, D. Patrick D'Rozario, a dignidade cardinalícia, fez com que tanto os fiéis católicos como também a comunidade cristã em geral se "sentissem muito felizes".


O Governo também "percebeu que o Papa concedia, com esta nomeação, uma atenção especial e um reconhecimento dado ao país", assegurou o arcebispo. O facto de Chittagong ser erigida como arquidiocese, em Fevereiro passado, constituiu também um motivo de "grande alegria". "Através destes dois acontecimentos começou a ser atribuída uma maior importância à Igreja Católica. Em geral, a Igreja do Bangladesh, apesar do seu diminuto tamanho numérico, dá um contributo assinalável no âmbito da educação através das suas escolas e também é muito activa no âmbito  da saúde. Nestas duas áreas a Igreja goza do reconhecimento de muitas pessoas."


Cerca de 89% dos 156 milhões de habitantes deste país do Sul da Ásia são muçulmanos e o segundo maior grupo religioso são os hindus, cerca de 9,5%. A Igreja Católica, com os seus 270.000 fiéis, representa apenas 0,2% da população total.


O ano passado a Fundação AIS apoiou com cerca de 560.000€ os projectos pastorais e sociais da Igreja Católica no Bangladesh.


Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Bangladesh

 






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