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8-8-2017

República Democrática do Congo: Uma agonia ignorada pelo mundo


A onda de violência que está a destruir a República Democrática do Congo continua a afectar também a Igreja. Recentemente o Seminário Maior de Malole, no Kasai Central, foi atacado e incendiado. Os seus superiores pedem orações pela paz e solidariedade para reconstruir o seminário..

O reitor do Seminário Maior de Cristo Rei de Malole, Padre Richard Kitengie Muembo, acompanhado pelo secretário da Assembleia dos Bispos de Kananga, Padre Apollinaire Cibaka Cikongo, visitaram a sede internacional da Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) na Alemanha, para pedir ajuda na restauração do seminário de modo a possibilitar o recomeço do curso de teologia tão cedo quanto a situação da região o permita.

"Nunca pensámos que poderíamos ser objecto dos ataques. Tudo começou quando as milícias que seguiam o antigo líder e chefe tribal, Kamwina Nsapu, quiseram instalar a sua base de operações no recinto do seminário, ao que nos opusemos. Através do diálogo, procurámos encontrar uma solução pacífica mas as autoridades locais optaram por uma solução militar o que provocou o ataque ao seminário, no dia 18 de Fevereiro. Graças a Deus, antecipámos o agravamento da situação e por isso conseguimos transferir os seminaristas para outro lugar", relata o Padre Richard.

"Os 77 seminaristas, entre os 21 e 27 anos, oriundos de sete dioceses do país, passaram muito mal. Estiveram em fuga durante dois dias apenas com a roupa que traziam no corpo. Foram acolhidos por algumas famílias durante três semanas até ser possível a sua evacuação, alguns deles com o apoio das tropas das Nações Unidas no país (MONUSCO)", acrescenta o Padre Apollinaire, professor do seminário.

Em Julho de 2016, Jean-Pierre Kamwina Nsapu Pandi, chefe tradicional de uma tribo local, impugnou o poder do Governo Central e deu origem à insurreição com ataques à polícia local, acusada de abuso de poder, e ataques às comunidades rivais. No dia 12 de Agosto Kamwina Nsapu foi assassinado pelas forças de segurança o que provocou a mobilização dos seus seguidores. O que começou com um pequeno movimento de oposição ao poder central rapidamente converteu-se numa batalha campal que, segundo os dados da MONUSCO ceifou a vida a mais de 400 civis e um grande número das forças de segurança.

No dia 31 de Março, um grupo destas milícias atacou a cidade de Lwebo, 200 quilómetros a oeste de Malole, saqueando e queimando a casa episcopal, incendiando os escritórios da coordenação das escolas católicas e noviciado onde se formam as futuras religiosas, acabando por profanar a catedral de São João Baptista. Esta dimensão de ataques é nova. "A Igreja Católica goza de muito prestígio no país porque nunca se alinhou com nenhum grupo político. Desde o passado mês de Dezembro, a Igreja tem um papel de mediação para conseguir um acordo de transição entre o governo e a oposição", explica o Padre Richard.

A crise de Kasayi provocada pelas milícias de Kamwuina Nsapu, no sul do país, é apenas um dos cinco conflictos que atinge a República Democrática do Congo. Existem outras quatro regiões do país onde os direitos humanos são violados: no norte, onde segue actuando o LRA (Lord Resistence Armee); no leste do país, na Província Kivu Norte; na província de Tanganika onde há confrontos entre os batwa e bantu e, por fim, no centro do país inclusive na capital, Kinshasa, devido à tensão política proporcionada pela proximidade das eleições.

Junto com o pedido para que a Fundação AIS apoie a reconstrução do seminário, o Padre Richard fez também uma forte denúncia e um apelo sentido à comunidade internacional para não desviar o olhar sobre o que se passa no seu país: "A situação da Igreja Católica na República Democrática do Congo é a situação de todo o povo congolês. Parte da população continua escondida na selva, as escolas não funcionam, há fome... Sonhamos com o fim desta guerra absurda. Todos os predadores do mundo estão a explorar este país. Os que usam hoje algum meio tecnológico tem as mãos manchadas de sangue do povo congolês", denuncia o sacerdote, lembrando que o coltan, o mineral composto por columbite e tantalite utiliza-se sobretudo nas baterias dos nossos telemóveis, GPS e computadores. O coltan é um dos "minerais de sangue" por ser extraído mediante processos que violam gravemente os direitos humanos e os recursos são usados para financiar os grupos armados que perpetuam o conflito.

"A humanidade é uma só, usufruímos os seus benefícios e isto é correcto, mas devemos também actuar diante do sofrimento. O sofrimento dos congoleses é o sofrimento do mundo. Juntos podemos acabar a guerra. É preciso sair da indiferença e quebrar o silêncio. Dizer não à violência, à industria da morte, à produção e venda de armas. A tecnologia é para melhorar a vida das pessoas, não para tirá-la. Usemo-la para falar da crua realidade no Congo, para pedir orações e apoio internacional para que seja respeitada a vida e os direitos humanos", acrescentou o Padre Apollinaire.

A Fundação AIS dedicou mais de 3,3 milhões de euros para projectos na República Democrática do Congo. No ano passado a fundação pontifícia ajudou 41 seminários no país, beneficiando um total de 1.229 seminaristas.

Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 






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