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31-1-2018

Mali: Religiosa colombiana sequestrada pela Al Qaeda pede ajuda ao Papa num vídeo


A gravação em vídeo da Irmã Gloria Cecilia Narváez Argoti, sequestrada no Mali desde há cerca de um ano, em que pede ajuda ao Papa Francisco para a sua libertação, é considerada como uma “prova de vida”.
 
Nessa mensagem, agora divulgada, a religiosa implora ao Papa que interceda “até ao impossível” para garantir a sua libertação.

Neste vídeo, revelado pela agência “Al Akhbar”, a irmã faz uma referência ao Natal e à viagem que o Santo Padre “iria fazer” a dois países da América Latina. Com base nestas duas informações, calcula-se que o vídeo terá sido gravado provavelmente em Dezembro do ano passado.

A agência Al Akhbar, com fortes ligações aos grupos jihadistas, divulgou o vídeo que tem 4 minutos e quarenta e quatro segundos de duração. O vídeo é assumido como tendo sido produzido pela Frente Al Nusra para o Islão e os Muçulmanos, uma organização terrorista  ligada à Al Qaeda que agrupa os principais movimentos  jihadistas que operam na região do Sahel.

A freira colombiana, de 56 anos, fala em francês e lembra ao Santo Padre que está em cativeiro desde o dia 7 de Fevereiro de 2017, altura em que foi sequestrada por um comando jihadista numa igreja em Karangasso, uma zona rural situada a cerca de 400 quilómetros da capital, Bamako.

No final do vídeo, os sequestradores acusam “as forças ocupantes” da região de estarem a obstaculizar as negociações que permitiriam a libertação da freira colombiana, propondo um canal de diálogo “através de organizações de caridade independentes da força colonialista”.

Esta não é a primeira vez que esta religiosa surge num vídeo relacionado com o seu sequestro. Ainda em Julho do ano passado, a Fundação AIS dava conta de um outro vídeo divulgado pelo mesmo grupo jihadista, onde apareciam, além de Cecilia Narvaez, outros cinco reféns estrangeiros capturados também no Mali: um romeno, uma francesa, um cirurgião australiano, um cidadão sul-africano e ainda Beatrice Stockly, uma missionária suíça, sequestrada no Mali em Janeiro de 2016.

O vídeo com a irmã colombiana volta a colocar os holofotes sobre a situação extremamente delicada em que se encontram as comunidades cristãs no Mali. De facto, a ausência de uma presença forte das autoridades – nomeadamente do exército – tem alimentado grupos radicais e de malfeitores que pululam agora pelo país e que ameaçam cada vez mais os cristãos.

Em Novembro do ano passado, a Fundação AIS dava conta do alerta, neste sentido, do Padre Edmond Dembelé, secretário-geral da Conferência Episcopal do Mali, que referia, como exemplo desse clima de violência e de insegurança, a diocese de Mopti, situada no centro-norte do país, onde três igrejas católicas tinham sido “visitadas e ameaçadas” pelos jihadistas que impediram, por exemplo, os fiéis de se reunirem em oração.

Além disso, e ainda segundo este sacerdote, os jihadistas terão proibido os cristãos de tocarem os sinos da igreja. De facto, são vários já os ataques registados nos últimos tempos contra as igrejas e as comunidades cristãs no Mali.

Para o Padre Dembelé, é preocupante esta crescente ameaça que paira sobre a comunidade cristã também no sul do país onde, até agora, poucos incidentes se tinham registado, ao contrário do norte do país onde os grupos jihadistas actuam com relativa impunidade.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Mali

 






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