background image

ÍNDIA
AMAR OS INVISÍVEIS

Saiba mais

Detalhe

6-2-2018

Israel: Governo de Telavive ameaça deportar refugiados oriundos da Eritreia, pondo em risco a vida de centenas de cristãos


O governo de Israel começou, no passado domingo, dia 4 de Fevereiro, a entregar cartas a dezenas de milhares de requerentes de asilo oriundos essencialmente da Eritreia e do Sudão, oferendo-lhes apoio financeiro para o regresso voluntário aos seus países.

Têm 60 dias para decidir. Quem se recusar a aceitar a proposta do governo israelita – um apoio financeiro de cerca de 2.800 euros e a passagem de avião – será preso.

Esta medida irá afectar cerca de 35 mil imigrantes africanos oriundos daqueles dois países que conseguiram entrar em Israel, principalmente entre os anos de 2006 e 2012, através da fronteira existente na Península egípcia do Sinai, antes de o governo de Telavive ter construído aí uma barreira de segurança.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já se referiu a este plano comparando os migrantes a invasores.  “Os invasores têm uma escolha fácil”, disse Netanyahu em Janeiro. “Ou cooperam connosco e deixam o país de forma voluntária, humana e legal, ou teremos de usar outros meios à nossa disposição.”

De facto, com esta medida o governo de Israel faz um verdadeiro ultimato aos candidatos a refugiados oriundos de África, sendo que muitos dos provenientes da Eritreia são cristãos.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, apenas oito eritreus e dois sudaneses foram reconhecidos até agora como refugiados em Israel.

Todos os outros têm recebido apenas uma autorização de residência temporária, que tem de ser renovada de três em três meses. Agora, todos estão a ser confrontados com esta opção: a viagem de regresso ou a prisão.

A maior parte dos eritreus está actualmente a viver num centro de detenção no sul do país, em Holot.  Esta medida do governo de Israel está a ser muito contestada por diversos sectores da sociedade que acusam o executivo de violar leis internacionais de direitos humanos.

De facto, esta é uma questão muito sensível e que afecta directamente milhares de pessoas oriundos da Eritreia, país onde a comunidade cristã é particularmente perseguida.

Em Maio de 2016, a Fundação AIS denunciava que o regime eritreu mantinha centenas de cristãos detidos nas prisões do país. Também a ONU ou a Amnistia Internacional têm procurado denunciar o que se passa neste país que já foi classificado como sendo a “Coreia do Norte de África”.

A enorme violência que é exercida pelas autoridades e que atinge fortemente a comunidade cristã, explicará o êxodo que se tem verificado nos últimos tempos, sendo que muitos dos que procuram abandonar o país têm caído normalmente nas malhas de traficantes humanos.

No relatório sobre a perseguição aos cristãos no mundo, publicado no final do ano passado pela Fundação AIS, a Eritreia foi classificada como um dos países onde o regime exerce uma violência extrema sobre os seus cidadãos.

Intitulado “Perseguidos e esquecidos?”, o relatório da Fundação AIS relata casos concretos de cristãos que foram presos por causa da sua fé. É o caso de pelo menos 33 mulheres cristãs que foram “encarceradas numa prisão-ilha conhecida por torturar os detidos”.

No relatório afirma-se que “as mulheres, que ficaram presas na prisão-ilha de Nakura, ao largo da costa da Eritreia, estavam entre os mais de 120 cristãos detidos depois de serem acusados de participar em actividades de oração envolvendo grupos religiosos proibidos”.

As organizações de direitos humanos alegam frequentemente – pode ainda ler-se no relatório da Fundação AIS – “que os presos são maltratados na prisão de Nakura, sendo alguns amarrados e as suas Bíblias queimadas à sua frente”.

No documento pode ainda ler-se que, nos relatórios de “uma rara visita de averiguação à Eritreia”, uma fonte conhecida da Fundação AIS afirmou que há “centenas de prisões políticas” neste país, onde muitos cristãos estão a ser detidos. “Os presos suplicam pela morte”, disse essa fonte, “e enlouquecem por causa das torturas que sofrem. A opressão do regime contra os Cristãos [não registados] é impiedosa.”

Já anteriormente, a Fundação AIS tinha revelado uma carta, assinada por quatro bispos da Eritreia, onde, de forma indirecta – não seria possível de outra maneira –, também se denuncia a situação de perseguição que se vive no país.

Nesse documento, os prelados – D. Mengsteab Tesfamariam, de Asmara; D. Tomas Osman, de Barentu; D. Kidane Yeabio, de Keren; e D. Feqremariam Hagos, de Segeneiti – justificam o êxodo maciço de pessoas oriundas da Eritreia com a necessidade de “viverem em países pacíficos, com justiça, trabalho, onde se possam expressar livremente e em alta voz, países onde cada um possa viver do seu trabalho”.

Um desses países é Israel. Os milhares de migrantes oriundos da Eritreia que foram agora apanhados na malha da nova política de acolhimento israelita têm apenas 60 dias para escolher entre o regresso ao seu país e a prisão. Muitos deles são cristãos.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Israel

 






*Sem Comentários
deixar comentario
Mês:
 

Corrente de Oração Mensal de MAIO | 26 e 27 de Maio


26-05-2018

catalogo