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5-3-2018

RD Congo: Assassinato de sacerdote e confrontos inter-comunitários fazem temer nova onda de violência no país


Numa altura em que a República Democrática do Congo vive dias de tempestade com manifestações convocadas pela comunidade cristã contra o Presidente Joseph Kabila a serem fortemente reprimidas pela polícia, o assassinato de um sacerdote na região do Kasai vem alimentar ainda mais este clima de tensão.

A notícia do assassinato do Padre Florent Tula (foto), que estava desaparecido desde o passado dia 1 de Março, deixou em alvoroço a comunidade cristã local.

O Padre Florent, que estaria “muito envolvido” na mobilização dos fiéis na contestação ao presidente Joseph Kabila, “foi encontrado morto perto do rio Kasai, em Ilebo, na província de Kasai Ocidental”, segundo informações obtidas no passado sábado pela Fundação AIS junto de fonte da Igreja Católica.

Apesar de não se conhecerem ainda muitos pormenores sobre o que terá ocorrido, para a comunidade cristã local não restam dúvidas de que o Padre Florent foi “assassinado”, apontando a responsabilidade do crime para o regime de Kabila.

De facto, tem sido crescente a contestação a Joseph Kabila, que persiste em manter-se no poder apesar de o seu mandato presidencial ter já expirado em Dezembro de 2016.

As manifestações que ocorreram até agora nas principais cidades da República Democrática do Congo têm merecido o apoio da Igreja Católica e, apesar do seu carácter pacífico, têm sido objecto de uma resposta extremamente musculada por parte das autoridades.

Por diversas vezes, tal como a Fundação AIS já denunciou, as forças da polícia e do exército têm recorrido a gás lacrimogéneo e até balas reais para a desmobilização dos manifestantes.

Em consequência disso, há a registar um balanço trágico com mais de 17 mortos e largas dezenas de feridos e de detidos em resultado de todas as grandes manifestações realizadas até hoje contra o presidente Kabila: em 31 de Dezembro, 21 de Janeiro e, mais recentemente, a 25 de Fevereiro.

Em alguns casos, tal como também foi reportado pela Fundação AIS, as autoridades não se coibiram em usar da força sobre manifestantes que se encontravam acolhidos junto de igrejas, sendo que uma das vítimas mortais das manifestações do passado dia 25 de Fevereiro ocorreu precisamente quando um jovem, entretanto identificado como pertencente a um movimento cívico, o “colectivo 2016”, terá sido alvejado pela polícia quando fechava a porta da igreja de Saint-Benoît.

Segundo o relato do Padre Tabu, da paróquia de São Bento, em Lemba, a polícia depois de ter tentado dispersar as pessoas usando gás lacrimogéneo, utilizou munições reais, o que iria revelar-se fatal no caso deste jovem.

O clima de crispação entre a Igreja e as autoridades da República Democrática do Congo é elevado tendo sido detidos pelo menos três sacerdotes na sequência também dessa jornada de protesto de 25 de Fevereiro.

A agravar este clima já muito tenso, ocorreram também, no final da semana passada, diversos confrontos entre comunidades no nordeste do país, na região de Ituri, que provocam dezenas de mortos e feridos.

Esses confrontos opuseram comunidades rivais de Hema e de Lendu, que têm diferendos graves sobre disputas territoriais na região.

O Padre Alfred Ndrabu Buju, director da Caritas Bunia, apontava, na sexta-feira, para a existência de 49 mortos mas assegurava que esse número deverá ser mais elevado, pois continuavam “à procura” dos corpos de outras vítimas destes incidentes.

Outro responsável local, em declarações à agência France Press, afirmava que, numa aldeia, “os atacantes” provocaram “uma verdadeira carnificina”.

Esta região de Ituri tem sido cenário de grande violência desde meados de Dezembro do ano passado, com cerca de uma centena de mortos e a fuga a cerca de 200 mil pessoas.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   

 






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