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7-3-2018

Portugal: Fundação AIS apresenta Campanha da Quaresma em favor dos 'dalits'


Na Índia, há milhões de pessoas que não existem. Não têm direitos, levam uma vida miserável. São invisíveis aos olhos da sociedade. São os “intocáveis”, os "dalits". Estão na base do complexo sistema de castas. Estima-se que 60% dos 29 milhões de cristãos da Índia sejam "‘dalits". É uma realidade terrível, quase insuportável, cruel mesmo. Indigna.

É a pensar neles que a Fundação AIS vai apresentar esta quinta feira, dia 8 de Março, a Campanha da Quaresma em favor dos "dalits" da Índia, uma das comunidades cristãs mais pobres e ameaçadas no mundo. Uma campanha que tem três protagonistas, três mulheres que representam um mundo inteiro de famílias a quem praticamente tudo tem sido negado. São três mulheres. O lançamento da Campanha da Quaresma ocorre no dia 8 de Março, instituído no mundo como Dia da Mulher. Na Índia, estas cristãs são triplamente discriminadas. São "dalits", são cristãs e são mulheres.

Os "‘dalits", os intocáveis, são, de facto, os mais pobres dos pobres de toda a sociedade. São insignificantes. Completamente marginalizados, apesar da Constituição proibir a discriminação, são um exemplo cruel do que a humanidade pode fazer quando se torna insensível. Quando fecha os olhos.

Ser "dalit", na Índia, é sinónimo de fome, de lágrimas, de miséria. De violência. Em alguns estados no norte do país, a pobreza atinge um em cada três habitantes. Sem direitos, sem nada, estes homens, mulheres e crianças estão de mãos estendidas pedindo a ajuda da sociedade, a misericórdia dos outros. E é aqui que entra a Igreja. É aqui que entra a Fundação AIS. É por aqui que começa a Campanha da Quaresma.

Para a Igreja estes milhões de proscritos são um desafio. Cada "dalit" que descobre Jesus descobre também a sua dignidade de pessoa humana. Descobre-se por completo, nasce de novo.

Na Índia, nos dias de hoje, ser-se Cristão é também um risco. A sociedade indiana está a revelar sinais crescentes de intolerância. Os Cristãos são ameaçados por grupos hindus radicais e precisam da nossa ajuda. Esses grupos ganharam um fôlego ainda maior com a chegada ao poder de Narendra Modi, em Maio de 2014. Desde então, os episódios de perseguição religiosa nomeadamente contra os cristãos aumentaram profundamente.

Em simultâneo, tem-se verificado uma aparente ausência de reacção por parte das autoridades policiais, o que tem feito aumentar, por um lado, o sentimento de insegurança por parte da comunidade cristã, e, por outro, o sentimento de impunidade dos grupos radicais.

Tudo isto acontece apesar de a Constituição da Índia garantir a liberdade de religião. No último Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado pela Fundação AIS, afirma-se que há evidências de uma política que "deseja esmagar todos os direitos fundamentais das minorias”.

Cada episódio novo de violência que se abate contra a comunidade cristã faz recordar os tristes e tenebrosos acontecimentos de Orissa, em que houve uma clara tentativa de limpeza étnica por grupos extremistas hindus. Foi há dez anos. Depois de uma primeira onda de violência, entre o final de 2007 e o princípio de 2008, em que nove cristãos foram assassinados, 105 igrejas destruídas, 730 casas queimadas e 40 lojas danificadas, teve início, em Agosto de 2008 uma verdadeira tentativa de genocídio da comunidade cristã.

Grupos radicais hindus mobilizaram centenas de pessoas e mataram 120 cristãos, destruíram 4.640 casas em mais de três centenas de aldeias. Além disso, pelo menos 250 igrejas ou capelas foram destruídas. A violência foi tal que mais de 50 mil pessoas tiveram de fugir para salvarem as próprias vidas. A violência foi de tal dimensão que se decidiu que, todos os anos, a 25 de Agosto, se passasse a celebrar o “Dia da Memória”.

Para todos os Cristãos empurrados para as margens de uma sociedade que não os vê como seres humanos, todos os dias acontece um pouco de Orissa. Por que não se pode esquecer a dimensão de todas estas tragédias, a Campanha da Quaresma da Fundação AIS procura sensibilizar os Cristãos portugueses e em todo o mundo para os dramas que se continuam a viver na Índia e para a urgência das respostas que importa dar a tantos milhões de homens, mulheres e crianças que lutam todos os dias desesperadamente pela sobrevivência e pela sua dignidade.

Muitos cristãos "dalits" têm menos – por vezes, muito menos – de 1 euro por dia para a sua sobrevivência. O sistema de castas lança-os para a margem da sociedade. Só conseguem os trabalhos mais indignos e mais mal remunerados. Por força deste estigma, é frequente encontrar famílias "dalits" a revolverem o lixo em busca de comida.

A Igreja procura dar resposta a todos eles. Procura ir ao seu encontro, abraçá-los, dar-lhes o conforto de que precisam. Devolver-lhes a dignidade de seres humanos iguais a todos os outros.

Um dos principais projectos da Igreja Católica na Índia passa por criar laços de solidariedade entre os cristãos, auxiliando-os a ultrapassarem os obstáculos que a sociedade vai criando. Esse projecto, denominado “Pequenas Comunidades Cristãs”, tem alimentado o espírito comunitário destas famílias ostracizadas devolvendo-lhes dignidade, energia, capacidade de resiliência.

Estes grupos reúnem às vezes em casas privadas, às vezes nas paróquias, onde rezam juntos, mas também partilham as suas lutas diárias e descobrem como ultrapassar os principais problemas.

Orientados por religiosas, padres e, especialmente, leigos, estas “Pequenas Comunidades Cristãs” têm sido um sinal de esperança para os seus membros.

Um dos principais objectivos deste projecto apoiado pela Fundação AIS é construir relações em que todos cuidam uns dos outros, partilhando dificuldades, identificando problemas e procurando soluções.

Para muitos cristãos que nunca tiveram nada, para quem sobreviver é sempre uma luta terrível todos os dias, é reconfortante saber que a Igreja está perto, que a Igreja está presente e que há sempre uma porta amiga pronta a abrir-se, pronta a acolher quem mais necessita.

Por isso, a Fundação AIS está também empenhada em erguer capelas e igrejas nas aldeias onde há comunidades cristãs mais expressivas, dando assim um apoio concreto a milhares de famílias. Junto a cada capela, a cada igreja, cresce sempre cadeia de solidariedade alimentada através da generosidade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre.

É a pensar nos cristãos perseguidos na Índia que a Fundação AIS vai apresentar esta quinta feira, dia 8 de Março, na Igreja de São João de Brito (que evoca o grande apóstolo da Índia), em Lisboa, a Campanha da Quaresma.

Pelas 17:30 horas, no Salão Paroquial, serão apresentadas por Catarina Martins Bettencourt – directora do secretariado português da AIS – as linhas gerais desta Campanha, assim como a página da Internet com toda a informação relevante, e haverá ainda o testemunho do padre Devendra Bhuriya, SVD, que irá falar sobre o seu país e os grandes desafios que se colocam a todos os Cristãos na Índia.

Logo após o lançamento da Campanha, terá lugar a Jornada de Oração Mensal da Fundação AIS pelos Cristãos Perseguidos, com a Oração do Terço e Missa.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Portugal

 






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