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1-3-2018

ÍNDIA - AMAR OS INVISÍVEIS - FÉ


(Vídeo) A Coragem de Bita
 
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Ali, no norte da Índia, onde vive com o seu marido, os Cristãos são uma minoria, confundem-se com os mais pobres da sociedade e são perseguidos. Há um crescente sentimento de intolerância. Bita sabe bem o que é a hostilidade dos outros. Apesar disso, nunca renunciou à sua fé em Jesus. Que é, diz, o seu maior tesouro.
 
Na Índia, os Cristãos são, na sua maioria, ‘dalits’, intocáveis, os que não têm quaisquer direitos no sistema de castas em que o país está hierarquizado, e confundem-se com os mais pobres dos pobres. Bita era apenas uma mulher ‘dalit’ que vivia numa casa extremamente rude, no norte do país, com o marido e um filho ainda criança. Trabalhava nos campos mas mal conseguia sobreviver. Tinha uma vida amaldiçoada como todos os ‘dalits’, como todos os insignificantes que carregam consigo o fardo dos excluídos, dos ignorados, dos que são como que invisíveis aos olhos da sociedade indiana.
 
Foi comovendo-se com os moribundos que jaziam nas ruas, perante a indiferença de todos, que Madre Teresa começou o seu trabalho de caridade nos bairros mais pobres de Calcutá, transformando-se num exemplo único de santidade em todo o mundo. Porém, na aldeia de Bita, no norte da Índia, não havia nenhuma Madre Teresa para acudir aos que nasceram, como ela, para uma vida miserável.

O poder do Evangelho

Um dia, no entanto, ocorreu algo de estranho e profundamente invulgar ali, naquela aldeia. Bita conta a sua história. “Um dia, enquanto trabalhava nos campos, um catequista aproximou-se de mim e deu-me uma Bíblia.” Duas coisas improváveis aconteceram nesse dia, nesse momento. A ousadia do catequista e a coragem de Bita. A Índia é um país maioritariamente hindu. Nos últimos anos, a perseguição às minorias religiosas, nomeadamente aos Cristãos, aumentou muito, principalmente desde a subida ao poder em 2014 do Partido Bharatiya Janata, um partido nacionalista hindu liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi.
 
Desde então, têm-se registado cada vez mais ataques contra comunidades cristãs e há cada vez mais pessoas acusadas de tentativas forçadas de conversão. O catequista arriscou muito. Podia ter sido denunciado pelo seu gesto. Bita aceitou o livro e levou-o para casa. Começou a ler. Abriu a Bíblia ao acaso e nunca mais parou. “Senti-me confortada ao ler a palavra do Senhor”, explica ela à Fundação AIS. “Assim – acrescenta – continuei a ler e a reler as minhas passagens favoritas.”

O medo do marido

Ver a mulher cada vez mais animada com a leitura da Bíblia perturbou o marido. Ficou com receio. O pior medo é o que nos paralisa por dentro, o que leva a auto-censura. “O meu marido, ao ver o meu entusiasmo, ralhou-me e perguntou por que razão tinha trazido a Bíblia para nossa casa.” O marido de Bita não tinha nada contra a Bíblia nem contra os Cristãos. Tinha, sim, muito medo da reacção das outras pessoas da aldeia. Na Índia, todos conhecem histórias de pessoas agredidas, violentadas e até mortas por causa da religião. A leitura da Bíblia deu uma coragem a Bita que ela provavelmente não imaginaria possível.
 
“O Evangelho dizia que Jesus morreu por nós na cruz. Senti-me também preparada para isso. Ofereço a Deus o meu sacrifício e as minhas dificuldades. Mesmo que os outros me ridicularizem…” A exposição ao ridículo é uma violência que pode ser terrível. Mas Bita não se importou. Aos poucos, foi aproximando-se mais e mais da Igreja. Tudo foi mudando. Até a sua casa. Num barrote de madeira pendurou um retrato de Jesus e uma cruz. É o seu altar.

 
A hostilidade da aldeia

Aos poucos, a história de Bita que se converteu ao Cristianismo correu de boca em boca, de casa em casa, de aldeia em aldeia. A conversão daquela ‘dalit’ não deixou ninguém indiferente. “As pessoas, na minha aldeia, diziam para eu deixar a Igreja. Mas eu não deixarei a minha fé”, explica-nos Bita. Agora, a cada dia que passa, ela sente que há um ambiente cada vez mais hostil. Os antigos vizinhos olham-na como se fosse uma estranha. “A minha fé tornou-se muito forte desde aquele dia no campo quando conheci o catequista. Mesmo se ameaçarem fazer-me mal ou quiserem matar-me, não abandonarei Jesus”. Bita é exemplo das enormes dificuldades que os Cristãos atravessam nos dias de hoje na Índia.
 
A Igreja, ao olhar para cada ‘dalit’ como pessoa, está a fazer uma verdadeira revolução. Todos são iguais perante Deus. Todos são irmãos. Não há castas no amor. Bita descobriu-o lendo e relendo as suas passagens favoritas na Bíblia que o catequista lhe ofereceu. Mas a sua vida continua muito difícil. “Sou pobre, e às vezes peço comida e roupa para os meus filhos. Estou sozinha e rejeitada neste mundo. Mas, no meu íntimo, sei que o Senhor está sempre comigo”. Bita sente-se só e rejeitada na sua aldeia. Apesar disso, a sua fé em Jesus cresce de dia para dia. Ela pede-nos ajuda nesta Quaresma.
 

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NA ÍNDIA, HÁ 240 MILHÕES DE PESSOAS QUE NÃO EXISTEM! 

 

Não têm direitos, levam uma vida miserável. São invisíveis aos olhos da sociedade. São os “intocáveis”, os ‘dalits’. Estão na base do complexo sistema de castas. Sessenta por cento dos cristãos da Índia são ‘dalits’…

A crescente intolerância religiosa na Índia afecta milhões de cristãos. Os mais pobres de todos, particularmente os 'dalits' e os povos tribais, descobrem o Cristianismo como uma religião que os liberta do seu isolamento na sociedade e os ajuda a crescer em dignidade como irmãos em Deus. A experiência de um Deus misericordioso revela-lhes uma nova dimensão de vida. Contudo, para eles, abraçar o Cristianismo conduz, muitas vezes, a mais exclusão e perseguição. Para as mulheres a situação é ainda mais dramática porque são discriminadas três vezes: primeiro por nascerem mulheres, segundo por serem ‘dalit’ e  terceiro por serem cristãs!

 

Nesta Quaresma os Cristãos na Índia pedem-nos ajuda! Por favor, não fique indiferente!

 

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