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11-4-2018

RD Congo: Prossegue o clima de “violência e perseguição” contra a Igreja com mais um padre assassinado por milícias armadas


Depois de celebrar um baptizado e um casamento, um sacerdote católico foi assassinado por elementos de uma das milícias armadas que têm vindo a espalhar o terror pelo país.

O padre Etienne Sengiyumva foi morto por elementos da milícia Nyatura Mai Mai, que actua na província do Kivu Norte onde se têm registado diversos episódios de violência a que não escapa a própria igreja.

Ainda na semana passada, o padre Celestin Ngango foi sequestrado por um grupo armado no final da missa de Páscoa, na Paróquia de Karambi, tendo sido posteriormente libertado.

Já em Março, a Igreja local sobressaltou-se com a notícia do assassinato do padre Florent Tula, que, tal como a Fundação AIS então afirmou, estaria “muito envolvido” na mobilização dos fiéis na contestação ao presidente Joseph Kabila e “foi encontrado morto perto do rio Kasai, em Ilebo, na província de Kasai Ocidental”.

Ainda nesse mês, um seminarista comboniano enviou directamente para a sede da Fundação AIS em Portugal um relato dramático da violência no Kivu Norte, onde “muitas famílias foram massacradas”.

O testemunho que Eugène Muhindo Kabung, seminarista dos Missionários Combonianos em Kinsangani, enviou para Lisboa revelava uma situação dramática.

“É horrível, é mesmo um genocídio o que se está a passar na província do Kivu Norte e em particular nas cidades Beni-Lubero de onde sou natural: massacre de populações, violações de mulheres e crianças, raptos de crianças para fazer delas crianças-soldados. Desde 2009, este fenómeno aumenta de dia para dia. Desde então, vive-se autênticas barbaridades, onde muitas famílias foram massacradas e outras encontram-se num estado de pobreza e luto.”

O relato deste seminarista, enviado a10 de Março, lança diversas questões sobre o papel da comunidade internacional e de diversas organizações como as Nações Unidas face à violência em curso neste país africano. “Na minha família, em menos de um ano perdemos quatro membros, todos eles raptados e deles não há notícias. O mais certo é que tenham sido mortos à machadada, ou com catanas ou com outro tipo de armas brancas nas florestas vizinhas, como tem acontecido com centenas de pessoas.”

Eugène Muhindo Kabung pergunta, perplexo, o que está realmente a acontecer no Congo, particularmente em Kinshasa, Lubero e, sobretudo, em Beni. “Pergunto para que servem os 17 mil soldados da ONU? O número de viúvas, de crianças órfãs aumenta de dia para dia, famílias inteiras são exterminadas…”

Assegurando que “não podemos ficar indiferentes quando as pessoas são mortas, violadas, sequestradas”, o seminarista comboniano que se encontra actualmente em Kinsangani, aproveitou esta mensagem para deixar “um apelo vibrante a toda a humanidade para que o fogo da caridade possa acender-se em cada pessoa para podermos construir um mundo mais humano e fraterno”.

Todos estes casos são um sinal claro também da enorme tensão que existe neste país com a Igreja a assumir um papel profundamente crítico face ao chefe de Estado Joseph Kabila, cujo mandato terminou em Dezembro de 2016.

Esta onda de violência levou recentemente à publicação de um comunicado por parte dos bispos da República Democrática do Congo. “Há um problema no governo: eles não podem proteger o país. Se conseguirmos organizar boas eleições, teremos instituições fortes que conseguiriam assegurar a população e o território nacional”, afirmaram os prelados no referido documento.

Esta situação tem preocupado também o Papa Francisco que em Fevereiro promoveu uma jornada mundial de jejum e oração a favor das populações deste país e do Sudão do Sul.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 






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