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7-5-2018

RCA: Fundação AIS envia ajuda de emergência para vítimas do ataque terrorista na Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Bangui


A Fundação AIS aprovou, a nível internacional, o envio imediato de uma ajuda de emergência para as vítimas do ataque terrorista na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, a capital da República Centro-Africana.

No valor de 25 mil euros, esta ajuda extraordinária visa não só apoiar directamente as famílias dos cristãos que faleceram em consequência do ataque, como ajudar também a Igreja Católica que tem feito um esforço imenso no auxílio humanitário às populações locais que se encontram no meio de um conflito terrível que parece não ter fim à vista.

O ataque à Igreja, no passado dia 1 de Maio, causou pelo menos 24 vítimas mortais, entre as quais um sacerdote, e 170 feridos, obrigou à intervenção de militares portugueses ao serviço da ONU na capital deste país africano, e veio demonstrar como é extremamente instável e perigosa a situação que se vive neste país.

De facto, desde o final de 2012 que a República Centro-Africana está refém da violência de grupos armados muçulmanos, os Seleka, e de grupos de auto-defesa, os anti-Balaka, que já causaram milhares de mortos e mais de 1 milhão de refugiados e deslocados.

Para o Cardeal Dieudonnè Nzapalainga este ataque foi claramente um acto terrorista contra a comunidade cristã.

Segundo o Arcebispo de Bangui, em declarações à “Rádio France Internacional”, poucas horas depois do ataque, houve uma intenção deliberada de “matar e massacrar pessoas que vieram para celebrar uma Eucaristia” na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, acrescentando que se tratou de “uma provocação, uma armadilha”, e que, por isso, é preciso que os cristãos “fiquem vigilantes” e tentem descobrir “qual é a agenda escondida” que promove todo este ciclo de violência e terror.

O Cardeal, que se tem empenhado pessoalmente no esforço de diálogo entre grupos rivais de forma a combater a espiral de violência em que o país está mergulhado, disse acreditar que esse trabalho não terá sido, no entanto, em vão. “Existe a força da resiliência” das pessoas “que querem virar a página”. Por tudo isso, o prelado lançou um apelo “à calma e à serenidade”, para que ninguém seja escravo da “vingança, da represália, do ódio”, mas que se possa construir uma alternativa baseada na “fraternidade e no perdão e não na morte”.    

Uma das vítimas mortais do ataque do passado dia 1 de Maio contra a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, foi o Padre Albert Toungoumale-Baba, de 55 anos. O Cardeal Nzapalainga lembrou a sua “coragem, determinação, fidelidade e empenho” no trabalho que desenvolveu junto da comunidade cristã.

O Padre Albert era também muito amigo da Fundação AIS. Em Dezembro de 2015 gravou mesmo uma mensagem em que apelava às orações dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre para a paz na República Centro-Africana. Foi um apelo quase desesperado perante a violência brutal que já então dominava o país.

“Benfeitores da Fundação AIS, onde quer que estejam, rezem por nós todos os dias. Não percam a esperança em Deus, como também nós não a perdemos. Que esta mensagem possa ser escutada e vivida por todos aqueles que amam a paz, os artífices da paz, os membros das comissões de justiça e paz nacionais e internacionais em todos os países. Que o Senhor, Deus da Paz, Jesus Cristo, Príncipe da Paz, faça reinar a Paz em primeiro lugar no nosso coração, em todo o mundo e na República Centro-Africana. Obrigado.”

Além da Fundação AIS, também o Patriarcado de Lisboa tem estado muito próximo da comunidade cristã de Bangui, dos cristãos na República Centro-Africana. Ainda nesta Páscoa, a renúncia quaresmal da diocese foi destinada à construção de um novo edifício da Escola “Sacré Coeur”, em Cattin.

Como sublinhou então o Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente, “ali trabalham as Irmãs Oblatas do Coração de Jesus, no meio das grandes devastações que a luta armada têm infligido ao país, com mortes e destruições, desemprego generalizado, impossibilidade de estudar e de ser atendido na doença”, destacando que “a persistência das Irmãs é notável”.

Agora, horas depois do ataque contra a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no dia 1 de Maio, a Irmã Júlia de Sousa, superiora geral das Irmãs Oblatas do Coração de Jesus, garantiu, em declarações à Rádio Renascença, que a violência não irá afastar as irmãs da sua missão neste país africano, “apesar dos riscos que correm”.

“Não podemos deixar sozinhas as pessoas indefesas”, disse a Irmã Júlia. “Se não estivermos lá, quem é que os defende? – pergunta a religiosa, acrescentando: “Não temos armas, mas a nossa presença questiona-os. Eles mataram este padre, mas, no fundo, não o mataram, porque a vida dos mártires é semente dos cristãos e outros hão-de vir e continuar a testemunhar e a ficar. Isso dá-nos muita força.”

A situação na República Centro-Africana tem estado também no centro da atenção do Santo Padre que visitou este país em Novembro de 2015.

Ontem, após a recitação do “Regina Coeli”, o Papa Francisco pediu uma vez mais o fim da violência e fez uma referência expressa aos acontecimentos do primeiro dia de Maio em Bangui.

“Convido a rezar pela população da República Centro-Africana – disse o Papa –, país que tive a alegria de visitar e que trago no coração, onde nos últimos dias tiveram lugar graves actos de violência, com numerosos mortos e feridos, entre eles um sacerdote. Que o Senhor, por intercessão da Virgem Maria, ajude todos a dizer não à violência e à vingança, para construir juntos a paz.”

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 






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