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13-6-2018

Moçambique: Bispo de Pemba mostra preocupação pelos “ataques bárbaros” na região


Os constantes ataques que se têm verificado na região de Pemba, no norte de Moçambique, estão a alarmar as populações e levaram já o Bispo, D. Luiz Fernando Lisboa, a manifestar a sua preocupação pela insegurança que se vive na diocese.

Em Comunicado enviado para a Fundação AIS, o prelado refere-se à onda de ataques – o mais recente ocorreu na terça-feira, dia 12 de Junho, com quatro aldeias na província  de Cabo Delgado a registarem episódios violentos em que menos quatro pessoas perderam a vida – como “bárbaros”, e que estão a provocar “momentos dolorosos”, causando mortes e provocando deslocamento das populações e “abandono das aldeias e machambas e da vida normal”.

Segundo D. Luiz, desde Outubro, altura em que teve início uma série de ataques ligados alegadamente a grupos radicais islâmicos, “vive-se ao sabor do medo e da insegurança”.

D. Luiz afirma que tem visitado paróquias e comunidades da região, procurando “levar uma palavra de alento e de esperança” às populações, reconhecendo que “há muitos boatos e versões dos factos”, o que contribui “para um clima de insegurança e imprevisibilidade generalizadas”.

O Bispo de Pemba manifesta ainda a sua preocupação pelo facto de se “perceber” que “nos atentados e ataques são os mais pobres que têm sido as maiores vítimas”, acrescentando que “as pessoas já vivem com tão pouco e o pouco que têm acabam por perder”.

Na mensagem, o bispo de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, faz referência ao envolvimento de jovens nesses grupos armados, questionando o que tem vindo a ser feito na construção de uma sociedade mais justa. “Que futuro estamos a oferecer aos nossos jovens e como os incluímos na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária”, questionou D. Luiz Fernando Lisboa.

Segundo o Bispo, alguns dos jovens envolvidos nos referidos ataques estarão a ser recrutados nas comunidades afetadas pela violência.

No documento, D. Luiz recorda que a diocese sempre foi muito pobre, mas que, nos últimos tempos, com a descoberta de muitos recursos naturais, tem sido alvo “de uma verdadeira invasão de pessoas de diferentes proveniências, empresas e projectos”.

Por fim, o Bispo de Pemba apela para a intensificação das orações de todos para “o fim desta tragédia” que se abateu sobre a comunidade local. “Näo nos deixemos cegar por preconceitos religiosos, étnicos e políticos. Pelo contrario, formemos uma grande corrente de bons sentimentos, boas práticas, bons relacionamentos, bons conselhos, boas iniciativas... a fim de que a paz, que é sempre um fruto da justiça, volte a reinar entre nós.”

No mais recente ataque, dia 5 de Junho, contra a aldeia de Naunde, foram mortas sete pessoas, algumas à catanada, e incendiadas 164 casas.

Entretanto, ontem, seguindo posição idêntica tomada pelos EUA, o Reino Unido advertiu os britânicos para evitarem viajar para as áreas de Palma, Mocímboa da Praia e Macomia, no norte de Moçambique, devido a um aumento de ataques por “grupos ligados ao extremismo islâmico”.

Um estudo recente, em que mais de uma centena de pessoas da região foram entrevistadas, aponta o dedo a grupos que “usam o radicalismo islâmico para atrair seguidores, aos quais pagam rendimentos acima da média, financiados por rotas de comércio ilegal de madeira, rubis, carvão e marfim, daquela região para o estrangeiro”.

Nesse estudo, divulgado pela agência de notícias alemã ‘DW’, afirma-se que estes grupos “incluem membros de movimentos radicais que têm sido perseguidos a norte pelas autoridades do Quénia e da Tanzânia”, e que alguns elementos “terão sido treinados por milícias da região dos Grandes Lagos, que, por sua vez, também têm ligações ao grupo terrorista Al-Shabaab, na Somália”.

Estes ataques, prossegue ainda a DW, “surgiram numa altura em que estão a avançar os investimentos no terreno para exploração de gás natural em Cabo Delgado, prevendo-se que a produção arranque dentro de cinco a seis anos, no mar e em terra, com o envolvimento de algumas das grandes petrolíferas mundiais”.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Moçambique

 






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