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10-7-2018

R.D. Congo: ONU denuncia cenário de terror na província de Kasai, na fronteira com Angola


A província de Kasai, situada na fronteira da República Democrática do Congo com Angola, está a ser palco de um cenário de verdadeiro terror, havendo relatos de mortes, violações e até episódios de canibalismo.

Segundo um relatório das Nações Unidas, estes actos de violência, que podem ser considerados como crimes de guerra e contra a humanidade, são da responsabilidade de duas milícias – Kamuina Nsapu e Bana Mura – e também das forças armadas do país, comandadas pelo Presidente Joseph Kabila.

No relatório, apresentado no início deste mês no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, afirma-se que grupos armados entram “impiedosamente nas vilas e executam populações inteiras”, e que os “cadáveres são depois deixados em valas comuns”.

Segundo a agência de notícias Reuters, que teve acesso a este documento com mais de 120 páginas, um dos investigadores da ONU, Bacre Waly Ndiaye, contou que apenas num ataque ocorrido a uma aldeia, o grupo Kamuina Nsapu terá decapitado pelo menos 186 homens e rapazes.

Zeid Ra'ad al-Hussein, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, já expressou a sua profunda preocupação com o agravamento da situação neste país, afirmando ter sérias dúvidas de que o processo eleitoral marcado para 23 de Dezembro – e que serviria para a escolha do sucessor de Kabila – possa ter alguma viabilidade.

“A situação na região de Kasai é muito preocupante”, disse, temendo que o número de casos reportados seja apenas uma pequena parte da dura realidade que se está a viver no país.

“Estes crimes não ferem apenas as vítimas. Também destroem a credibilidade das autoridades responsáveis pela protecção das vítimas”, disse o Alto-Comissário. “Peço ao Governo que tome as medidas necessárias para garantir que os autores destas violações de direitos humanos vão pagar pelos seus crimes. Uma justiça eficiente pode prevenir mais violações por parte dos membros das milícias.”

Estima-se que pelo menos cinco mil pessoas tenham sido mortas na província de Kasai desde 2016.

O conflito já fez 1,4 milhões de refugiados, segundo a organização não-governamental Human Rights Watch, e, actualmente, mais de 400 mil crianças estarão “em risco de morte”, segundo a ONU, devido à escassez de comida causada pelo conflito.

A República Democrática do Congo é um país prioritário para a Fundação AIS que tem vindo, aliás, a denunciar esta onda crescente de violência.

Nos últimos meses pelo menos dois sacerdotes foram mortos, havendo ainda o caso de um padre sequestrado por elementos de uma das milícias armadas que pululam no país. 

Em Março, a Fundação AIS deu voz à denúncia de um seminarista comboniano que enviou directamente para Lisboa um relato dramático da violência no Kivu Norte, onde, disse, “muitas famílias foram massacradas”.

O testemunho de Eugène Muhindo Kabung revelava já uma situação dramática.

“É horrível, é mesmo um genocídio o que se está a passar na província do Kivu Norte e em particular nas cidades Beni-Lubero de onde sou natural: massacre de populações, violações de mulheres e crianças, raptos de crianças para fazer delas crianças-soldados. Desde 2009, este fenómeno aumenta de dia para dia. Desde então, vive-se autênticas barbaridades, onde muitas famílias foram massacradas e outras encontram-se num estado de pobreza e luto.”

Todos estes casos relatados pelo seminarista comboniano vêm reforçar as conclusões do mais recente relatório das Nações Unidas e são um sinal claro da enorme tensão que existe neste país em que a Igreja tem assumido um papel profundamente crítico face ao chefe de Estado Joseph Kabila, cujo mandato terminou em Dezembro de 2016.

O Papa Francisco tem acompanhado de perto também a situação de violência na República Democrática do Congo, tendo inclusivamente promovido, em Fevereiro, uma jornada mundial de jejum e oração a favor das populações deste país

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 






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