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23-8-2018
Mianmar: Perseguição, guerra e pobreza dificultam a vida da pequena comunidade católica
Os católicos de Mianmar, antiga Birmânia, enfrentam diariamente desafios desde dificuldades económicas, passando por conflitos étnicos e até perseguição religiosa. A presença cristã no país sempre foi minoritária. Quase 90% da população professa o Budismo e os Católicos não representam mais de 1% dos Birmaneses. No entanto, a comunidade encontra força e inspiração nos ensinamentos da Igreja e a recente visita do Papa Francisco ao país deu um novo impulso ao compromisso evangélico.
Margaret Hla Yin está muito envolvida nas actividades caritativas da Legião de Maria em Yangon, apesar da pobreza que aflige a sua família. "Moro aqui com a minha filha - conta à AsiaNews - Antigamente, bastava um salário para sobreviver, mas agora são precisos três ou quatro. A minha filha trabalha na recepção de um hotel e aguardo todos os dias que ela regresse à casa: a solidão é uma constante na vida de idosos como eu. No entanto, nos fins de semana, acompanho os voluntários nos bairros mais degradados da cidade. Assim, aprendo a encarar a solidão." Margaret pertence à minoria étnica Kachin, originalmente do estado do norte do mesmo nome, onde está a ser travada uma guerra sangrenta entre as tropas do Governo e os rebeldes cristãos do Exército Independente de Kachin (KIA). Apesar do conflito ser distante, os episódios de perseguição religiosa ocorrem também em Yangon. "Mesmo aqui, a comunidade católica Kachin começa a sofrer restrições à liberdade de culto. No passado, podíamos celebrar a Missa e o Governo não nos criava muitos problemas. Mas este ano, as autoridades locais exigem que seja solicitada uma autorização todos os meses. Para além disso, alguns grupos budistas usam alto-falantes dia e noite apenas para perturbar as nossas reuniões". Myu San, uma artista de 26 anos de Bhamo, também deixou o estado de Kachin e a sua família para tentar a sorte em Yangon. "Ganho a vida a pintar ícones católicos - diz o jovem - Em Mianmar, as oportunidades de trabalho são limitadas e os jovens têm muita dificuldade de garantir um salário decente. A economia do país está em crise e muitas empresas estão a fechar. Apesar desta situação encontro, nos meus trabalhos, inspiração e razão para seguir em frente." O conflito armado "mata as esperanças e os sonhos dos jovens do norte de Shan", diz Hkawn Mai, um jovem de 30 anos originário de Musa, uma cidade na fronteira entre Mianmar e a China. "A guerra civil entre os rebeldes locais e o exército torna quotidiano mais difícil - diz ele - A minha paróquia acolheu centenas de refugiados. Durante mais de cinco anos, a Caritas Mianmar e as comunidades cristãs deram apoio e disponibilizaram as suas terras para as pessoas deslocadas. A paz é crucial para o desenvolvimento do país e, ainda que pareça tão distante, nela continuamos a depositar a nossa esperança e as nossas orações." Fundação AIS com agências | info@fundacao-ais.pt
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