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30-8-2018
Moçambique: Novo ataque no norte do país provocou dois mortos e a destruição de mais de uma dezena de casas
Um novo ataque na província de Cabo Delgado, ocorrido há uma semana, na aldeia de Cobre, distrito de Macomia, provocou pelo menos dois mortos e a destruição, pelo fogo, de uma dúzia de casas.
Este incidente volta a colocar o foco das autoridades nesta província, situada a cerca de dois mil quilómetros a norte de Maputo, que tem sido alvo desde Outubro do ano passado de actos de violência alegadamente da responsabilidade de grupos com ligações a extremistas islâmicos, com aldeias saqueadas e destruídas e dezenas de mortos e feridos. Esta situação está a preocupar também a Igreja Católica. Em Junho passado, a Fundação AIS dava conta de um Comunicado assinado pelo Bispo de Pemba, D. Luiz Fernando Lisboa, a referir estes ataques como “bárbaros”, e que estão a provocar “momentos dolorosos”, causando mortes e provocando deslocamento das populações e o “abandono das aldeias e machambas e da vida normal”. Segundo afirmou então D. Luiz, desde Outubro, altura em que teve início esta série de ataques, “vive-se ao sabor do medo e da insegurança”. D. Luiz tem visitado paróquias e comunidades da região, procurando “levar uma palavra de alento e de esperança” às populações, reconhecendo que “há muitos boatos e versões dos factos”, o que contribui “para um clima de insegurança e imprevisibilidade generalizadas”. O Bispo de Pemba manifestou então a sua preocupação pelo facto de se “perceber” que “nos atentados e ataques são os mais pobres que têm sido as maiores vítimas”, acrescentando que “as pessoas já vivem com tão pouco e o pouco que têm acabam por perder”. No documento, D. Luiz recorda que a diocese sempre foi muito pobre, mas que, nos últimos tempos, com a descoberta de muitos recursos naturais, tem sido alvo “de uma verdadeira invasão de pessoas de diferentes proveniências, empresas e projectos”. Os ataques verificados no norte de Moçambique já levaram mesmo alguns países como Portugal, os EUA ou o Reino Unido a advertirem os seus cidadãos para evitarem viajar para as áreas de Palma, Mocímboa da Praia e Macomia. Em Junho, o Ministério dos Negócios Estrangeiros emitia mesmo uma nota em que o governo português aconselhava os viajantes a evitarem a permanência em várias zonas da província de Cabo Delgado, afectadas por ataques atribuídos a “um movimento insurgente de matriz islâmica”. Um estudo recente, divulgado pela agência de notícias alemã ‘DW’, afirma-se que estes grupos “incluem membros de movimentos radicais que têm sido perseguidos a norte pelas autoridades do Quénia e da Tanzânia”, e que alguns elementos “terão sido treinados por milícias da região dos Grandes Lagos, que, por sua vez, também têm ligações ao grupo terrorista Al-Shabaab, na Somália”. PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt
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