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2-10-2018
RD Congo: Três conventos atacados por grupos armados nas últimas semanas
Entre os dias 6 e 19 de Setembro, três conventos foram atacados na República Democrática do Congo, fazendo temer uma nova onda de violência contra a Igreja Católica neste país africano.
O primeiro ataque ocorreu a 6 de Setembro, uma quinta-feira, quando “bandidos armados”, na expressão usada pela Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Kananga, “atacaram as irmãs ameaçando-as de morte” antes de roubarem os seus haveres. Esse ataque, ao convento de São José de Tarbes, em Bena Mukangala, foi o primeiro registado no passado mês de Setembro. Na semana seguinte, no espaço de apenas dois dias, a 14 e 16 de Setembro, dois conventos situados nas localidades de Kambote e Malole e pertencentes à Congregação das Irmãs da Caridade de Jesus e Maria foram também alvo de violência. A Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Kananga, situada na região do Kasai, no Congo, pediu já às autoridades que investigassem estes incidentes e que prendessem e levassem à Justiça os autores dos ataques, assim como procurassem assegurar, daqui em diante, a segurança das religiosas e dos sacerdotes que trabalham neste país. Afinal, afirma a Comissão, as irmãs têm dedicado “as suas vidas ao serviço da igreja e da nossa nação”, sendo que algumas são oriundas “de países distantes e prestam serviços sociais” na República Democrática do Congo. O trabalho destas religiosas estende-se por áreas tão distintas, esclarece a Comissão Justiça e Paz, como a educação, prestação de cuidados de saúde, acolhimento de doentes, viúvas e órfãos. Estes ataques contra as irmãs nesta região da República Democrática do Congo é apenas uma ponta no profundo iceberg da violência que tem tomado conta do dia-a-dia deste país africano. Já mais recentemente, no dia 22 de Setembro, um ataque de alegados grupos rebeldes das chamadas Forças Democráticas Aliadas, na cidade de Beni e no município de Beu, no nordeste do país, causou pelo menos a morte de 14 civis e quatro soldados. Informações reveladas entretanto pela Agência Fides dão conta de que centenas de pessoas terão ficado feridas. O Bispo da diocese de Butembo-Beni, D. Sikuli Paluku Melquisedeque, lançou um apelo não só às forças governamentais mas também à Missão da ONU presente no país para não falharem na sua missão de proteção das populações, na defesa do território e na salvaguarda da soberania nacional. Só este grupo armado, de matriz islâmica, que actua numa região predominantemente cristã, terá sido responsável, desde 2014, de mais de 1500 mortos e cerca de oito centenas de sequestros. Além deste grupo, outras milícias armadas, assim como soldados do exército têm sido responsáveis por ataques brutais contra aldeias, agredindo homens, mulheres e crianças, muitas vezes recorrendo a sevícias sexuais e espalhando o medo e a morte. O controlo dos abundantes recursos minerais que se escondem no subsolo deste país é a chave que permite explicar toda esta violência, a que se junta também a falência do próprio Estado. A Igreja Católica tem desempenhado um papel essencial na denúncia destes atropelos aos direitos humanos, contestando as pretensões do presidente Joseph Kabila a concorrer a um terceiro – e ilegal – mandato e procurando intermediar entre governo e partidos da oposição. A defesa das populações e a denúncia da ganância dos que fazem da rapina dos minerais a causa da miséria da República Democrática do Congo, tem causado ataques contra igrejas, seminários, conventos e escolas. Ataques armados e sequestro de sacerdotes têm sido também registados na história recente deste país. PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt
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