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10-10-2018

Noruega: Nobel da Paz atribuído a Denis Mukwege e Nádia Murad alerta que a violência sexual é crime de guerra


O Prémio Nobel da Paz anunciado na passada sexta-feira, dia 5 de Outubro, a Denis Mukwege e Nádia Murad – um médico ginecologista congolês e uma iraquiana pertencente à minoria Yasidi e que foi escravizada pelo auto-proclamado “Estado Islâmico” no Iraque –, chama a atenção do mundo, através do trabalho desenvolvido por ambos, para os crimes de guerra que têm vindo a ser cometidos nestes países e em diversos outros palcos no mundo.

Segundo o Comité do Nobel, reunido em Oslo, “ambos os vencedores deram uma contribuição essencial para chamar a atenção mundial sobre os crimes de guerra” ao contribuíram para tornarem mais perceptível “o tema das violências sexuais nos conflitos armados e nas guerras, permitindo até identificar os criminosos”.

Denis Mukwege tem dedicado grande parte da sua vida profissional como médico a ajudar mulheres vítimas da violência extrema que tem tomado conta da República Democrática do Congo, especialmente no leste do país, onde, como a Fundação AIS tem também denunciado, são inúmeros os ataques contra populações civis, com recurso, muitas vezes, à violação sexual de jovens e mulheres.

Por sua vez, Nádia Murad tornou-se um dos símbolos da denúncia do terror que os jihadistas do “Estado Islâmico” exerceram sobre as minorias religiosas nos territórios que ocuparam na Síria e no Iraque, especialmente contra os Yasidis e os Cristãos.

Nádia, que é hoje Embaixadora junto das Nações Unidas para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico de Seres Humanos, conheceu na pele o horror da escravidão sexual após ter sido sequestrada quando os jihadistas atacaram e conquistaram a aldeia de Kocho, onde vivia, no norte do Iraque, no dia 15 de Agosto de 2014.

Nesse dia, Nádia foi escravizada pelos jihadistas, tal como uma irmã, tendo sido levada para Mossul, então a praça-forte do “Estado Islâmico” no Iraque, após ter sido forçada a testemunhar ainda o assassinado de seis irmãos e da sua mãe.

Nádia Murad foi escravizada, torturada, abusada sexualmente e vendida por diversas vezes até ter conseguido escapar ao fim de três meses, com a ajuda preciosa de uma família muçulmana.

Com recurso a documentos de identidade falsos, Nádia logrou chegar a um campo de refugiados situado no Curdistão iraquiano e, mais tarde, foi enviada para a Alemanha onde vive até hoje.

Desde então, tem procurando denunciar todas as atrocidades cometidas pelos jihadistas contra o seu povo, “para que”, como tem sublinhado vezes sem conta, “ninguém sofra tanta violência e seja tratado como um animal”.

O trabalho de Nádia Murad já mereceu por diversas vezes o reconhecimento da comunidade internacional.

Em 2016, ela foi galardoada com o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu e fez questão de se encontrar com o Papa Francisco, o que aconteceu em Maio do ano passado, à margem da Audiência Geral na Praça São Pedro. Na ocasião, ela contou ao Santo Padre a história impressionante da sua vida.

O Comité Norueguês do Prémio Nobel afirmou agora, justificando a atribuição do galardão, que Murad demonstrou uma “coragem fora do comum ao relatar os seus sofrimentos” às mãos da milícia terrorista, e que ela divide o prémio com o médico congolês Denis Mukwege, que passou também grande parte da sua vida a ajudar vítimas de violência sexual no Congo, ao mesmo tempo que tem lutado pelos seus direitos.

“Denis Mukwege e Nadia Murad colocaram a sua segurança pessoal em risco ao combaterem com coragem crimes de guerra e buscarem justiça para suas vítimas”, afirmou ainda o comité norueguês.

As situações denunciadas por ambos os Prémios Nobel deste ano têm estado também no centro da atenção da Fundação AIS, através de notícias, relatórios e campanhas que visam sensibilizar a opinião pública internacional para o drama das minorias religiosas, nomeadamente os Cristãos e Yasidis no Iraque e na Síria, mas também para o clima de guerra e de violência extrema que se vive, desde há anos, na República Democrática do Congo.

Já em 2012, a Fundação AIS promoveu uma novena de oração para com este país africano, em que se denunciava a violação e o assédio sexual que se transformaram numa terrível arma de guerra.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Noruega

 






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