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5-11-2018

Egipto: Sete mortos e dezenas de feridos em ataque terrorista contra autocarro de peregrinos cristãos em Mynia


Pelo menos sete cristãos coptas foram assassinados e 19 ficaram feridos na passada sexta-feira, em Mynia, quando o autocarro em que viajavam no deserto, a caminho do mosteiro de São Samuel, foi atacado por um grupo de homens armados.Horas depois, no sábado, dia 3, centenas de cristãos despediram-se das vítimas do ataque num funeral muito emotivo que esteve rodeado de fortes medidas de segurança. Seis dos cristãos assassinados pertenciam à mesma família, incluindo duas crianças, um rapaz de 15 anos e uma menina de 12.

O ataque, prontamente reivindicado pelo ISIS, o auto-proclamado Estado Islâmico, foi muito semelhante ao que ocorreu na região, em Maio passado, quando um outro  grupo de peregrinos foi também alvo de um sangrento ataque pelos jihadistas que provocou então 28 mortos, incluindo muitas crianças.

O ataque de sexta-feira foi justificado como uma vingança pela prisão por parte das autoridades egípcias de elementos pertencentes ao grupo terrorista que tem actuado na península do Sinai, ameaçando as populações e as forças de segurança e obrigando dezenas de famílias – muitas delas cristãs – a fugir desta região desde o início do ano passado.

Paralelamente, o facto de estar a decorrer no Egipto, entre os dias 3 a 6 de Novembro, um importante evento, o Fórum Internacional da Juventude (WYF), em Sharm el Sheikh, ajudará também a explicar este ataque. Os jihadistas prefeririam, provavelmente, realizar uma acção terrorista em Sharm el Sheikh, mas as rigorosas medidas de segurança em redor do evento terão inviabilizado qualquer iniciativa. Assim, foi escolhido, de certa forma, um dos elos mais fracos do complexo mosaico religioso do Egipto: a comunidade cristã.

Para o padre Greiche Rafiq, porta-voz da Igreja Católica egípcia, citado pela Rádio Vaticano, os jihadistas “quiseram atacar um lado mais fraco e um alvo mais fácil”, e agora existe um medo “real” entre a comunidade cristã de que uma nova onda de violência possa recomeçar.

Este atentado mereceu prontamente palavras de condenação por parte do Santo Padre. Ontem, domingo, após a oração do Angelus na Praça de São Pedro, o Papa Francisco expressou o seu pesar por mais este acto de extrema violência, sublinhando tratar-se de mais um ataque direccionado exclusivamente para a comunidade cristã. “Expresso a minha tristeza pelo atentado terrorista que atingiu a Igreja Copta-ortodoxa no Egipto.

Rezo pelas vítimas, peregrinos mortos pelo simples facto de serem cristãos, e peço à Maria Santíssima para consolar as famílias e toda a comunidade.” Também o governo português condenou  ontem este ataque, manifestando toda a solidariedade para com o povo egipcio.

Como reacção ao ataque, as forças de segurança lançaram de imediato uma vasta operação contra núcleos jihadistas na região, tendo neutralizado um grupo que actuava a zona oeste da província de Minya, de onde terão partido alguns dos autores do ataque contra os peregrinos cristãos. Em resultado da operação das autoridades egípcias, 19 militantes jihadistas terão sido mortos.

O ataque contra os peregrinos cristãos ocorreu apenas poucos dias depois de o Bispo de Minya ter lançado um apelo aos benfeitores da Fundação AIS para ajudarem à sobrevivência do clero local, destacando a situação de enorme vulnerabilidade em que se encontra a sua diocese, marcada pelo terrorismo.

A missiva foi entregue em Outubro no secretariado italiano da Ajuda à Igreja que Sofre e o prelado, D. Botros Fahim Hanna, fez questão de lembrar também a situação de extrema precariedade económica em que vivem os cristãos coptas. Responsável pela diocese nos últimos cinco anos, D. Botros Hanna sublinhou que a Igreja quer “continuar a ajudar os pobres e os doentes”, e para fazer isso, “sem negligenciar a actividade pastoral”, precisa “absolutamente” de apoio.

O Bispo de Mynia lembrou, na carta enviada para Roma, que “em muitos lugares os sacerdotes são perseguidos e são verdadeiros soldados da fé, distinguindo-se pela sua coragem”.

Uma coragem que é comum à comunidade copta que, como se viu na semana passada, foi alvo de mais um brutal ataque terrorista.Os 46 sacerdotes da diocese de Minya, como aliás em todo o Egipto, trabalham com muitas dificuldades.

A comunidade cristã, que não ultrapassa os 10 por cento do total da população do país, vive normalmente com enormes carências económicas. Por isso, a ajuda exterior é fundamental. Na carta enviada para o secretariado italiano da Fundação AIS, o Bispo de Minya pede apoio para a celebração de intenções de missas.De facto, o pedido de ajuda do Bispo de Minya traduz uma das iniciativas mais significativas a nível internacional da Fundação AIS.

A celebração das intenções de Santas Missas corresponde a uma parte extremamente importante do apoio da Ajuda à Igreja que Sofre não só às vítimas de perseguição religiosa como para a sobrevivência do próprio clero em regiões mais empobrecidas. No ano passado, a Fundação AIS apoiou assim mais de 40 mil sacerdotes em todo o mundo, que celebraram 1.504.105 Santas Missas segundo as intenções dos benfeitores da AIS. Isto significou a celebração de uma Missa a cada 21 segundos.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt 


 

OBSERVATÓRIO: Egipto

 






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