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6-11-2018

Lisboa: Portugal devia manifestar a sua disponibilidade para acolher Asia Bibi e sua família, defende advogado Ribeiro e Castro


Portugal devia manifestar a sua disponibilidade para acolher a cristã Asia Bibi, assim como a sua família, logo que ela possa sair do Paquistão, onde continua detida apesar da sentença, na passada semana, do Supremo Tribunal de Justiça que a ilibou de todas as acusações.

Em declarações à Fundação AIS, o ex-deputado Ribeiro e Castro e uma das vozes mais activas no nosso país na defesa desta cristã condenada à morte por blasfémia, por ter bebido um copo de água de um poço, considera ser importante que a comunidade internacional – Portugal incluído – abra as suas portas a Asia Bibi.

“Creio que é importante que a comunidade internacional, a começar por Portugal, se abra a acolher Asia Bibi e a sua família. Afinal, se ela puder sair do Paquistão vai ter de viver em algum lado e Portugal poderia ser um desses países (de acolhimento).”

Ribeiro e Castro considera também que a comunidade internacional deve dar outros sinais de apoio inequívoco a Asia Bibi, nomeadamente através da atribuição do Prémio Sakharov ou do Nobel da Paz. “Seria também importante que Asia Bibi fosse apresentada como candidatada a receber o Prémio Sakharov, no quadro do Parlamento Europeu, no próximo ano, e o Prémio Nobel da Paz. Asia Bibi – acrescenta o advogado à Fundação AIS – é uma mulher com um percurso de vida exemplar de serenidade perante a provação e de capacidade de sofrimento perante uma sentença muito injusta e muito violenta.”

Ribeiro e Castro considera que a decisão da passada semana do Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão ilibando Asia Bibi de todas as acusações de blasfémia – que a condenavam à pena de morte –“é uma boa notícia”, apesar de “a sua segurança estar em causa”, pois os “sectores extremistas continuam a movimentar-se de forma muito aguerrida”.

De facto, Asia Bibi permanece numa situação muito complexa, pois continua detida e desconhece-se quando poderá ser libertada, apesar de ter sido ilibada de todas as acusações de blasfémia e da correspondente pena de morte. As reacções a essa sentença por parte de grupos extremistas liderados pelo partido Tehreek-e-Labaik, vieram provocar um volte-face neste caso, desconhecendo-se como tudo poderá terminar.

Milhares de manifestantes bloquearam as principais estradas das maiores cidades do país durante três dias, logo após a notícia, na quarta-feira da semana passada, de que o Supremo tinha declarado Asia Bibi inocente de todas as acusações.

Os manifestantes, que conseguiram paralisar algumas das principais cidades do Paquistão, apelavam ao assassinato dos juízes que absolveram a cristã, obrigando à mobilização de importantes efectivos da polícia e do exército.

Negociações entre o governo e dirigentes do partido Tehreek-e-Labaik permitiram a desmobilização dos manifestantes no final da semana, mas, em contrapartida, colocaram Asia Bibi num verdadeiro limbo jurídico.

Uma das exigências dos manifestantes radicais, que o governo acedeu, levou à colocação de Asia Bibi numa lista de “controlo de saída”, o que, na prática, a impede de abandonar o Paquistão.

Outra exigência, igualmente aceite pelo governo, passa pela “revisão do veredicto” do Supremo Tribunal. Ou seja, tal como anunciou no sábado o ministro paquistanês dos Assuntos Religiosos, Noorul Haq Qadri, “Bibi não poderá deixar o Paquistão até que o Supremo Tribunal faça uma revisão final” do veredicto.

O clima de ameaça sobre os intervenientes directos neste processo e sobre a comunidade cristã em geral são mais do que evidentes. Sinal disso, no sábado, o advogado de Asia, Saiful Mulook, viu-se forçado a abandonar o Paquistão “para salvar” a sua vida e por temer também pela segurança da sua família.

"No cenário actual – disse o advogado à agência de notícias France Press – eu não posso viver no Paquistão. Preciso continuar vivo para prosseguir com a batalha legal por Asia Bibi. Eu esperava esta reacção dos extremistas – acrescentou – mas o que é mais doloroso é a resposta do governo.  Ele não consegue sequer impor uma sentença da mais alta Corte (tribunal) do país.”

Neste contexto extremamente complexo e delicado, Ashiq Masih, marido de Asia Bibi, veio pedir, já no fim-de-semana, a intervenção directa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a concessão de um visto que permita a saída em segurança da sua mulher.

Numa mensagem gravada pela Associação Cristã Paquistanesa Britânica, Masih alega que tanto Asia Bibi como os restantes membros da sua família correm risco de vida se continuarem no país. Um pedido que é extensivo também ao Canadá e Reino Unido.

Entretanto, no domingo, a Comissão Paquistanesa de Direitos Humanos declarou-se “consternada” pela “incapacidade do governo em proteger o Estado e o carácter sagrado da lei”, após a “histórica” sentença do Supremo Tribunal de Justiça.

Nesse sentido pronunciou-se, também no fim-de-semana, a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, condenando a “resposta submissa” do governo aos protestos do grupo islâmico Tehreek-e-Labbaik, classificando o acordo como “um escárnio do Estado de Direito”.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Portugal

 






comentarios
 
Nome:
raquel lopes
Comentário:
boa tarde, gostaria de saber se recebem donativo para a causa da Asia Bibi. Agradecida, Raquel Lopes
 
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