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19-11-2018

RCA: Mais de quatro dezenas de mortos, entre os quais dois sacerdotes, em massacre de refugiados em Alindao


Mais de quatro dezenas de pessoas perderam a vida, entre as quais dois sacerdotes, em resultado de um massacre ocorrido na passada quinta-feira num campo de refugiados em Alindao (foto AIS), na República Centro-Africana, situado mesmo em frente à Igreja local, que foi incendiada, tal como a quase totalidade das tendas e estruturas de apoio existentes nesse campo.

Dezenas de rebeldes ex-Séléka (agora agrupados na União para a Paz na República Centro-Africana, UPC, na sigla em francês) lançaram o ataque armado em Alindao, cidade situada a cerca de 300 quilómetros a leste da capital, Bangui, aparentemente em retaliação pelo assassinato, dias antes, de um muçulmano às mãos dos ‘anti-Balaka’.

O primeiro balanço do massacre aponta para 42 vítimas mortais, mas teme-se que o número venha a ser mais elevado. O padre Blaise Mada, que era o vigário-geral da diocese, foi assassinado durante o ataque, assim como o Padre Celestine Ngoumbango, que se encontrava também no local. O corpo do Padre Celestine foi encontrado horas depois, calcinado, o que faz temer que possa ter sido queimado vivo, tal como terá acontecido com outros refugiados que estavam no campo na altura do ataque.

Horas depois do ataque, o Padre Marcellin Kpeou, um centro-africano que vive em Roma há cerca de duas décadas mas que mantém um contacto permanente com o seu país, afirmava ao portal de notícias do Vaticano que a responsável pelo economato da diocese de Alindao tinha-o informado “da morte de dois sacerdotes”, acrescentando a informação de que, de facto, muitas dos que se encontravam no local “foram queimados vivos e as suas tendas incendiadas”.

Há também o relato de que milhares de pessoas fugiram para a floresta. Isso mesmo foi confirmado pelo porta-voz das Nações Unidas na República Centro-Africana. “Parte da população fugiu para a floresta”, afirmou Vladimir Monteiro em declarações à agência France-Press, acrescentando que “centenas de deslocados refugiaram-se no posto militar avançado” das Nações Unidas.

O Papa Francisco referiu-se ontem, domingo, a este ataque, após a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, lembrando que foi neste país, mais precisamente na Catedral de Bangui, que abriu a porta santa do Jubileu da Misericórdia, em Novembro de 2015, há três anos. “Com tristeza, recebi a notícia do massacre perpetrado há dois dias num campo de deslocados na República Centro-Africana, no qual morreram também dois sacerdotes. A este povo tão querido para mim, onde abri a primeira Porta Santa do Ano da Misericórdia, expresso toda a minha proximidade e meu amor. Rezamos pelos mortos e feridos e para que cesse toda violência naquela amada nação que tanto precisa de paz.”  

A República Centro-Africana vive uma terrível onda de violência desde a queda do presidente François Bozizé em 2013, com grupos armados muçulmanos, os Séléka, a espalharem a violência contra as populações civis, o que deu origem à criação de grupos de auto-defesa, conhecidos localmente como os “anti-Balaka”. Calcula-se que, em todo o país, haverá 18 milícias armadas que são responsáveis pelos ataques contra as populações, raptos, roubos de recursos minerais, especialmente ouro e diamentes, assim como gado e contrabando.

O conflito neste país – que conta com a participação de soldados portugueses ao serviço da ONU nas forças de manutenção de paz – já provocou mais de 1 milhão e 200 mil refugiados e deslocados e deixou ainda cerca de 2,5 milhões de pessoas a precisarem de ajuda humanitária de emergência.

A Fundação AIS está em contacto permanente com a Igreja neste país, enviando ajuda de emergência para as dioceses mais afectadas. Ainda em Maio deste ano, por exemplo, foi aprovado a nível internacional o envio imediato de uma ajuda de emergência no valor de 25 mil euros para as vítimas do ataque terrorista na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui.

Esse ataque, ocorrido a 1 de Maio, foi então considerado pelo Cardeal Dieudonnè Nzapalainga, arcebispo de Bangui, como “um acto terrorista contra a comunidade cristã”. Uma das vítimas mortais desse ataque foi o Padre Albert Toungoumale-Baba, de 55 anos.

Infelizmente, não é só na República Centro-Africana que a Igreja tem sido alvo de violência extrema nos tempos recentes. Também na passada quinta-feira, mas já de madrugada, um sacerdote jesuíta, o padre Victor-Luke Odhiambo, foi assassinado a tiro no Sudão do Sul, quando a casa onde residia foi assaltada por um grupo de homens armados.

O Padre Victor-Luke, como era conhecido na comunidade, estava na sala de televisão, na residência dos jesuítas em Cueibet, no estado de Gok, no momento em que se deu o assalto.

Na residência encontravam-se ainda mais quatro companheiros, que estariam já a dormir no momento em que se deu o ataque. Só quando escutaram tiros e barulho é que se aperceberam de que algo de errado estaria a acontecer e deram o alarme, pondo em fuga os assaltantes. Quando chegaram à sala, o padre Victor-Luke já estava sem vida.

Desconhece-se ainda a razão do assassinato deste sacerdote, o primeiro queniano a ingressar na Companhia de Jesus. A morte do Padre Victor deixou toda a comunidade católica em choque e o governo do estado de Gok decretou mesmo três dias de luto.

O Padre Victor-Luke Odhiambo era, desde o final de Janeiro do ano passado, o Superior da comunidade local e, em simultâneo, director de uma escola, o Mazzolari Teachers College, em Cueibet.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 






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