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9-1-2019

PAQUISTÃO: Centenas de líderes religiosos muçulmanos assinam declaração em favor de Asia Bibi


Mais de quinhentos líderes religiosos muçulmanos assinaram, no passado domingo, uma declaração em que condenam a violência e a discriminação das minorias religiosas, afirmando que “matar sob o pretexto da religião é contrário aos preceitos do Islão”.

Esta tomada de posição, já conhecida como “declaração de Islamabad” representa um significativo apoio a Asia Bibi, a cristã, mãe de cinco filhos, que chegou a ser condenada à morte por blasfémia em Junho de 2009 por ter bebido um copo de água de um poço.

De facto, a chamada “lei da blasfémia”, que permitiu a acusação contra Asia Bibi – entretanto ilibada de todas as acusações pelo Supremo Tribunal de Justiça, mas, mesmo assim, impedida ainda de sair do país –, tem sido usado de forma arbitrária para a perseguição contra elementos das minorias religiosas no Paquistão, nomeadamente os cristãos, e como instrumento para a resolução também de disputas locais.

Na “declaração de Islamabad” os clérigos solicitam aos responsáveis judiciais do país para fazerem a avaliação final do caso de Asia Bibi, medida que deve acontecer com “absoluta prioridade”, para que este processo possa ser dado como concluído.

Asia Bibi, recorde-se, após 3421 dias na cadeia e depois de ter sido ilibada de todas as acusações pelos juízes do Supremo Tribunal de Justiça, o que aconteceu no passado dia 31 de Outubro, foi alvo de enormes manifestações organizadas pelo movimento radical Tehreek-e-Labbaik, que pretende, a todo o custo, que a cristã seja mesmo enforcada.

Em consequência dessas manifestações, que chegaram a paralisar por alguns dias algumas das principais cidades paquistanesas, as autoridades aceitaram que a sentença de Asia Bibi deveria ser alvo ainda de uma avaliação final.

Desde então, Asia Bibi está com o seu marido em parte incerta debaixo de fortes medidas de segurança, pois continua a pender sobre ela e a sua família a condenação à morte por parte dos grupos extremistas.

Na “declaração de Islamabad”, os clérigos falam ainda do terrorismo e declaram que o ano de 2019 deve representar uma viragem no combate a este “flagelo” que provocou a morte no Paquistão de cerca de seis centenas de pessoas apenas no ano passado.

Esta tomada de posição dos clérigos muçulmanos ocorre poucas horas depois de o arcebispo de Lahore, D. Sebastian Francis Shaw, ter proclamado também 2019 como “ano de diálogo”.

Esta “proclamação solene”, como refere a agência Fides, representa igualmente um sinal claro de que é possível e necessário estabelecer pontes na sociedade paquistanesa e que a religião não deve ser obstáculo ao diálogo.

Segundo D. Sebastian – que há precisamente um ano esteve em Portugal – é necessário promover o diálogo “em todos os níveis e em todos os contextos”.

Na sua declaração, o arcebispo de Lahore esclarece que se trata do “diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos para reforçar os laços de amor na família, diálogo entre sacerdotes e grupos paroquiais e conselhos pastorais, e diálogo com pessoas de outras religiões”.

Para D. Sebastian Shaw, durante o ano de 2019 a atenção será também focada no diálogo inter-religioso, particularmente no diálogo entre as comunidades islâmica e cristã. “Vamos treinar padres, leigos, jovens e professores para apreciar e promover o diálogo, e para entender a urgência do diálogo, a fim de se construir a paz e a harmonia entre as religiões.”

Paulo Aido| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Paquistão

 






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