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10-1-2019

VENEZUELA: Igreja Católica contesta novo mandato de Nicolás Maduro e apela a mudança de política


A Conferência Episcopal da Venezuela manifestou a sua oposição ao novo mandato presidencial de Nicolás Maduro, que toma posse hoje do cargo apesar da contestação interna e de grande parte da comunidade internacional.

“Vivemos sob um regime que desrespeita as garantias constitucionais e os mais altos princípios de dignidade nacional.” Por isso – afirmam os bispos num comunidade divulgado ontem – “a intenção” de Nicolás Maduro iniciar um novo mandato “é ilegítima e abre as portas para o não reconhecimento do governo que não tem base democrática na justiça e no direito”.

Já no início da semana, no arranque dos trabalhos de mais uma sessão plenária do Episcopado venezuelano, D. José Luis Ayala pedia uma “mudança integral na política das lideranças” que terá de ser conseguida através da “união dos venezuelanos dentro e fora do país”.

O presidente da Conferência Episcopal não deixou então de sublinhar a questão da própria legitimidade de Maduro na recondução do cargo. “Tantas são as dúvidas sobre esse juramento, é legítimo, é ilegítimo?”, questionou o prelado, adiantando, no entanto, que “a história, no momento apropriado” se encarregará de esclarecer tudo.

Os Bispos venezuelanos mostram assim e uma vez mais a sua profunda preocupação pelo desmoronar acentuado da economia do país, com reflexos trágicos na vida de milhões de pessoas.

A crise do petróleo – praticamente a única fonte de receitas do país – veio demonstrar a falência do estado, fazendo aumentar vertiginosamente a dívida externa.

Como resposta a este descalabro, a inflação tem crescido para valores quase impensáveis, tornando a vida dos nenezuelanos quase impossível.

Em Agosto do ano passado, a inflação deveria rondar 1 milhão por cento ao ano. Como resposta, Maduro fez aumentar o ordenado mínimo em  150 por cento, o que, no mercado negro, representa menos de 10 euros.

A fome é uma realidade indisfarçável, com as prateleiras dos supermercados vazias e com uma escassez igualmente preocupante de medicamentos. Como resultado a este estado de coisas, muitos têm simplesmente abandonado o país.

Cerca de 2,3 milhões cruzaram a fronteira desde 2015, e de acordo com as estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e da Organização Internacional para as Migrações, cerca de 5.500 pessoas deixaram o país por dia no ano passado.

É neste cenário de profunda crise e de enorme contestação que Nicolás Maduro toma hoje posse para um novo mandato presidencial.

Os Bispos, reunidos em mais uma sessão da Conferência Episcopal, afirmam que é necessário colocar-se um travão no desmoronamento do pais.  “Prosseguir da mesma maneira – afirmou D. José Luis Ayala – significa levar as pessoas à beira do precipício”.

 

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 



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OBSERVATÓRIO: Venezuela

 






comentarios
 
Nome:
Luís Reis
Comentário:
Quem ficar indiferente a esta situação não é cristão nem humano
 
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