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4-2-2019

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA: ONU e União Europeia conseguem acordo de paz com grupos armados


O governo da República Centro-Africana conseguiu alcançar no fim-de-semana um acordo de paz com os 14 grupos armados que mantêm o país refém de um profundo clima de violência desde 2013.

O acordo, que foi negociado em Cartum, a capital do Sudão e teve o apoio das Nações Unidas e da União Africana, poderá abrir caminho para “um governo inclusivo”, segundo a expressão do porta-voz de um dos grupos armados.

Aboubakar Sidik, da Frente Popular para o Renascimento da RCA, saudou o acordo afirmando ter sido “encontrado um consenso nos pontos de bloqueio”, que diziam respeito à amnistia aos combatentes e à formação de um “governo inclusivo".

Por sua vez, Smail Chergui, comissário da União Africana (UA) para a Paz e Segurança, anunciou que o acordo “deverá ser assinado” em Bangui “nos próximos dias”.

Estas negociações tiveram início a 24 de Janeiro e um dos principais obstáculos que teve de ser ultrapassado relacionou-se precisamente com a questão, complexa, da amnistia aos responsáveis pelos inúmeros crimes que foram praticados neste terrível conflito que já causou mais de 1 milhão e 200 mil refugiados e deslocados.

Calcula-se que mais de 63% da população, ou seja quase 3 milhões de pessoas, necessitem, segundo dados da ONU, de ajuda humanitária e de assistência.

A República Centro-Africana mergulhou no caos em 2013, após o derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados muçulmanos conhecidos como Séléka. Em resposta, foram criados grupos de auto-defesa, os anti-Balaka.  

O acordo de paz agora rubricado não faz esquecer, no entanto, que desde o início da crise já houve sete tentativas infrutíferas de negociação do fim do conflito.

Raptos de pessoas, roubos, ataques contra igrejas e paróquias, bloqueio de vias de comunicação, roubo de gado e pilhagem e destruição de aldeias, têm sido prática corrente na República Centro-Africana, apesar da presença no terreno de militares das Nações Unidas que incluem quase duas centenas de soldados portugueses.

A comunidade cristã tem sido um dos alvos preferenciais dos grupos armados neste conflito. Pelo menos cinco sacerdotes foram assassinados apenas durante o ano passado.

Particularmente violento foi o ataque no dia 1 de Maio em Bangui, a capital da República Centro-Africana. Pelo menos 24 pessoas foram mortas e outras 170 ficaram feridas em consequência do ataque que teve epicentro na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

 

A Fundação AIS aprovou então, a nível internacional, o envio imediato de uma ajuda de emergência de 25 mil euros para as famílias dos cristãos que faleceram em consequência do ataque, assim como de auxílio à Igreja Católica local, a única entidade, em muitos lugares, a prestar assistência efectiva às populações civis..

Numa primeira reacção a esse ataque, o Cardeal Dieudonnè Nzapalainga classificou-o como “acto terrorista contra a comunidade cristã”, por ter havido a intenção deliberada de “matar e massacrar pessoas que celebravam a Eucaristia”.

Uma das vítimas mortais desse ataque foi o padre Albert Toungoumale-Baba, de 55 anos. O Cardeal Nzapalainga lembrou então a sua “coragem, determinação, fidelidade e empenho” no trabalho que desenvolveu junto da comunidade cristã.

O Padre Albert era também muito amigo da Fundação AIS. Em Dezembro de 2015 gravou mesmo uma mensagem em que apelava às orações dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre para a paz na República Centro-Africana. Foi um apelo quase desesperado perante a violência brutal que já então dominava o país.

“Benfeitores da Fundação AIS, onde quer que estejam, rezem por nós todos os dias. Não percam a esperança em Deus, como também nós não a perdemos. Que esta mensagem possa ser escutada e vivida por todos aqueles que amam a paz, os artífices da paz, os membros das comissões de justiça e paz nacionais e internacionais em todos os países. Que o Senhor, Deus da Paz, Jesus Cristo, Príncipe da Paz, faça reinar a Paz em primeiro lugar no nosso coração, em todo o mundo e na República Centro-Africana. Obrigado.”

A situação na República Centro-Africana tem estado também desde sempre no centro da atenção do Santo Padre que visitou este país em Novembro de 2015.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 






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