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7-2-2019

MALI: Dois anos depois de ter sido sequestrada por um comando jihadista, desconhece-se o paradeiro da irmã Gloria Cecília Narvaez


Faz hoje dois anos que a irmã franciscana Cecília Argoti Narvaez foi sequestrada por um comando jihadista ligado à Al Qaeda no sul do Mali. Desconhece-se o paradeiro desta religiosa colombiana apesar de, desde o dia 7 de Fevereiro de 2017, terem sido divulgadas algumas mensagens vídeo gravadas pelos sequestradores, no que tem sido entendido como “prova de vida” para eventuais negociações que possam estar a ocorrer para a sua libertação.

A última mensagem vídeo foi divulgada em Setembro do ano passado e pode ver-se a irmã a solicitar a ajuda do Santo Padre. Nesse vídeo, datado de Junho de 2018, a religiosa colombiana surge ao lado de outra refém, a médica francesa Sophie Petronin.

A irmã Argoti dirige-se ao Papa Francisco agradecendo-lhe por “se ocupar” do seu caso e pedindo-lhe para não se esquecer também da situação “da senhora Sophie Petronin, porque ela está muito doente”.

Gravado aparentemente no interior de uma tenda, o vídeo tem a duração total de pouco mais de sete minutos e termina com a missionária colombiana a afirmar que faz “todos os dias” a sua mala e prepara as suas coisas, pois, diz “aguarda todos os dias” pela sua libertação.

A mensagem da irmã colombiana termina com um agradecimento ao Santo Padre: “Muito obrigado, Papa Francisco”. A maior parte do tempo do vídeo mostra a francesa Petronin, de 75 anos de idade, a implorar a intervenção do presidente francês, Emmanuel Macron, para a sua libertação, havendo momentos em que não consegue esconder as lágrimas.

Nesta altura, aquando da divulgação do vídeo, a irmã Janet, uma das religiosas que se encontrava em casa quando ocorreu o sequestro de Cecília Argoti, afirmou, falando à rádio católica espanhola ‘Cope’, que quatro países estariam empenhados na libertação da irmã e das outras pessoas sequestradas no Mali.

“Só sabemos o que todas as pessoas sabem”, afirmou então a irmã aos microfones da rádio. “Sabemos e imaginamos que as negociações continuam. Como, quando, onde… isso não sabemos. Mas sabemos que a Colômbia, Espanha, França e Vaticano estão a fazer todos os possíveis para se conseguir a sua libertação.” Para a Irmã Janet, Gloria Argoti é “uma heroína”, por ter pedido aos sequestradores para a levarem em vez da freira mais jovem da casa como era a intenção dos homens armados.

“Os homens entraram na sala, apontaram uma arma à irmã mais nova e chamaram as outras. Quando a Irmã Gloria percebeu que não se tratava apenas de um assalto, saiu”, explicou Janet aos jornalistas. “Os homens começaram a fazer perguntas e obrigaram-nas a trazer o passaporte… A Gloria percebeu que era um rapto e começou a conversar com eles, dizendo para não levarem a irmã mais jovem, que se precisassem de alguma coisa seria com ela. Nós vemo-la como uma heroína, porque se entregou pela irmã mais nova.”

Esta foi a terceira vez que a irmã colombiana surge num vídeo divulgado pelos jihadistas. Em ambas as mensagens anteriores, em Julho e Dezembro de 2017, falando sempre em francês, a irmã Argoti, de 57 anos de idade, pedia já a ajuda do Santo Padre e lembrava que está em cativeiro desde o dia 7 de Fevereiro de 2017, altura em que foi sequestrada por um comando jihadista numa igreja em Karangasso, uma zona rural situada a cerca de 400 quilómetros da capital, Bamako.

No último Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado pela Fundação AIS e avaliando o período compreendido entre junho de 2016 e Junho de 2018, refere-se que a situação de segurança no Mali “permaneceu muito instável” e que “vários grupos terroristas islâmicos, como por exemplo o autoproclamado Estado Islâmico ou a Al-Qaeda no Magrebe (AQIM) fizeram valer a sua influência neste país”.

O Relatório sublinha que “a frágil situação de segurança” que se vive no Mali “causa problemas às minorias religiosas, que, devido aos seus reduzidos números, estão nalguns aspectos entre os grupos mais vulneráveis na sociedade”.

A ameaça terrorista é muito forte não só no Mali mas em toda a região. Em Fevereiro de 2017, os países do chamado ‘G5 Sahel’ – Mali, Burkina Faso, Mauritânia, Níger e Chade – acordaram a criação de uma a força anti-terrorista conjunta da África Ocidental. Além desta força, existe no Mali uma presença considerável de tropas francesas além de capacetes azuis da ONU.

Este esforço militar tem-se revelado, no entanto, insuficiente para deter as acções terroristas. O Relatório da Fundação AIS é, sobre isso, taxativo: “o exército do Mali está a perder tropas todas as semanas”. Só no ano de 2017, foram mortos 716 soldados e 548 forças de segurança ficaram feridas nos combates nas regiões norte e centro do país. “Para os capacetes azuis da ONU – lê-se ainda no documento da AIS –, nenhum teatro de operações no mundo é mais perigoso do que o do Mali: 21 membros armados da missão de paz da ONU e sete funcionários civis da ONU morreram em 2017.”

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Mali

 






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